Por princípio, em quaisquer ambientes plurais, n comparações são possíveis entre seus componentes. Quanto mais no Polo Industrial de Manaus, onde mais de quinhentas plantas industriais organizam-se em torno de dezenas de cadeias produtivas. Se eu pudesse escolher um setor do PIM que está mais próximo do ideal para que este modelo cumpra seu potencial, citaria o setor de Duas Rodas.
Duas Rodas sempre esteve entre os três maiores setores do PIM. Com crescimento quase constante na produção, faturamento e empregos nos últimos três anos, por várias vezes posicionou-se como maior setor nos números mensais. Finalizou o ano 2025 com faturamento de US$ 8 bilhões, crescimento de 20% ante 2024. Segundo maior faturamento do PIM, 19,69% do total.
Não obstante ter, dentre os maiores setores do PIM, o produto com maior preço, vendido aos distribuidores ao preço médio de US$ 3,100, ou pouco mais de R$ 16.275, em poucas ocasiões nos tempos recentes registrou descasamentos relevantes entre produção e vendas. Sinal de eficiência e interpretação acurada do mercado. Em outras cadeias produtivas ao longo de 2025 houve uma superprodução que fez o estoque de produtos superar a marca de R$ 1 bilhão, obrigando a reduções de preços e sacrifícios de margem.
Tenho por hipótese que esse excepcionalismo no setor de Duas Rodas deriva de sua aposta pelo maior adensamento e verticalização. Faz em Manaus algo análogo ao que o Centro-Sul corretamente homenageia o “ecossistema do Embraer”, ou “cluster brasileiro de aviação”, devido ao fenômeno de poucas grandes empresas âncoras terem coordenado a vinda de fornecedores locais, usufruindo das vantagens da proximidade geográfica.
Desde 2020 em média 39,5% dos insumos usados nos processos produtivos de Duas Rodas são produzidos aqui mesmo no PIM. Parafraseando Gustavo Igrejas, de seu recém-lançado livro, aqui em Manaus recebemos resinas, chapas de aço e de alumínio, ligas de cobre, transformamos em motores, chassis, quadros, assentos, guidons, lanternas etc.. por fim em motocicletas.
É difícil não destacar o perfil produtivo de Duas Rodas entre os demais do PIM. No primeiro relatório de 2026 do Projeto ANA, de que faço parte ao lado dos doutores Augusto César Barreto Rocha e Dimas José Lasmar, chamamos atenção ao fato de o nível de regionalização dos insumos do PIM estar baixo, em 18,81% nos números de 2024, em trajetória de forte declive desde 2004, quando o nível era de 32,38%. Imagine qual seria o nível geral se Duas Rodas não tivesse preferido a regionalização.
Regionalização esta que, ressalte-se, não foi por obrigação. O PPB da produção de motocicletas faz brilhar os olhos pela flexibilidade que oferece. As empresas que preferirem produzir pouco e ganhar na margem, ou atender somente ao mercado local, podem regionalizar pouco. Somente as que buscarem ganhar elevadas fatias do mercado é que precisam regionalizar mais. Como resultado, compreendem melhor a realidade local e nacional, e conseguem ajustar rapidamente a produção.
E para melhorar: Ainda há cerca de 60% dos insumos como espaço para crescer na regionalização. É o caso de identificar as competências que podemos atrair, e os pontos da cadeia de fornecimento que podem ser otimizados. As competências que não valerem o esforço de atrair precisam ser bem esclarecidas. Esse é o esforço referencial para os demais setores do PIM.















