Panasonic e Sanyo fecham parceria para avançar 18%

Em: 21 de fevereiro de 2010
Com relação ao retorno das atividades no PIM, Luis Okamoto não soube precisar se a Sanyo vai chamar de volta seus 250 trabalhadores, em função da baixa do mercado de celulares.
Com relação ao retorno das atividades no PIM, Luis Okamoto não soube precisar se a Sanyo vai chamar de volta seus 250 trabalhadores, em função da baixa do mercado de celulares.

Panasonic e Sanyo anunciaram a criação de um conglomerado mundial de eletroeletrônicos. A informação foi veiculada no site de ambas as empresas, que esperam ampliar participação no mercado interno, com a meta de aumentar em 18% o volume de vendas de eletroeletrônicos em relação ao resultado global de 2009, segundo estimativas do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus).

Em Manaus, até antes de suspender as atividades em novembro, a Sanyo produzia baterias para celulares para outras marcas e importava para o mercado brasileiro câmeras, filmadoras, projetores e condicionadores de ar.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, o gerente de produto da Sanyo, Luis Okamoto, reconheceu que a fusão dos negócios entre as holdings foi um bom negócio, uma vez que a fábrica já não possuía a mesma força de décadas atrás. Segundo o executivo, até meados dos anos 90, a indústria era uma das líderes nos segmentos das linhas branca e marrom (áudio, vídeo e micro-ondas) e de telefones portáteis no PIM (Polo Industrial de Manaus). “As crises econômicas externas, assim como a guerra de preços em TVs no país, acabaram por prejudicar os negócios. Com a última instabilidade econômica, os impactos se tornaram insuportáveis e tivemos que suspender as atividades em Manaus”, revelou.

Com relação ao retorno das atividades fabris no PIM (Polo Industrial de Manaus), Okamoto não soube precisar se a indústria vai retomar a produção e chamar de volta os 250 operários, uma vez que dados da empresa apontam queda no consumo de celulares. “As vendas de smartphones despencaram praticamente 7% no ano passado, quando comparadas ao volume registrado em 2008. Essa retração, no atual panorama da fábrica, representa um gargalo considerável”, assegurou.

No contraponto do baixo rendimento industrial da Sanyo, a situação da Panasonic aparenta maior desenvoltura, já que atua no mercado interno com maior gama de produtos ‘made in Amazonas’, desde a linha de bens duráveis a leitores de blu-ray e equipamentos de som automotivo. Na tentativa de saber mais sobre as perspectivas industriais para o Estado criadas a partir da fusão, a reportagem não recebeu um retorno da empresa até o fechamento desta edição.

O presidente da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, destacou que toda fusão industrial envolvendo marcas conhecidas causa impacto na concorrência varejista. No caso da Sanyo e Panasonic, segundo o executivo, ambas são ‘players’ internacionais, cujo mercado de atuação existem marcas concorrendo em pé de igualdade, o que deve reduzir tais impactos nos preços praticados no varejo.

Negócio é bom para ambos os lados

José Tadros lembrou ainda que a Panasonic está longe de associar baixa qualidade ao seu nicho de produção, mas pouco investe em marketing, aspecto que foi considerado pelo empresário como ponto fraco da empresa. “Por outro lado, a Sanyo perdeu espaço para a Sony, cuja linha é destinada às classes A e B. Podemos entender que os produtos advindos dessa fusão vão concorrer em igualdade com as linhas da LG e Samsung, que avançam cada vez mais na venda para a classe média”, analisou o dirigente.

Com a fusão, a Panasonic passa a deter 70% da Sanyo e se converte na segunda maior indústria de eletroeletrônicos japonesa, atrás apenas da Hitachi. Se os nomes permanecerão os mesmos, ainda é segredo, mas o diretor da Panasonic, Yukio Ashibe, confirmou que a empresa lançará TVs e reprodutores blu-ray com tecnologia 3D no Brasil ainda neste ano, fruto dessa fusão. “Os modelos que estão para chegar utilizarão tecnologia de plasma com tamanhos a partir de 42 polegadas e óculos de LCD ativo que permite ver imagens em full HD. O lançamento dos novos modelos deve chegar em tempo para se assistir a Copa do Mundo”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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