Futuro das cidades em debate

Em: 11 de março de 2026
Campeões de vendas no mercado imobiliário são premiados durante a 3ª edição do Engeco Summit, em Manaus.
" Maury Guerreiro e Porfírio Saldanha, diretores da empresa, foram os anfitriões do Engeco Summit." Divulgação
" Maury Guerreiro e Porfírio Saldanha, diretores da empresa, foram os anfitriões do Engeco Summit." Divulgação

Grande referência em estudos sobre o mercado imobiliário, o jornalista Raul Juste Lores defende a transformação de áreas urbanas focadas principalmente na harmonia entre o meio ambiente e a população, dando prioridades a projetos de arquitetura sustentável com exclusividade, e não meramente reproduzindo (ou copiando) legados deixados por expertises do passado.

Ele se refere a obras arquitetônicas famosas que ainda norteiam novos projetos imobiliários, já não tão apropriadas para um mundo em constantes transformações, em especial entre os jovens, mais propensos a desfrutar de espaços a céu aberto, fugindo das grandes aglomerações comuns em shoppings e em outros centros comerciais. Algo que se vê como tendência em megalópoles da China e na Europa, nos Estados Unidos, mas que também começa a invadir certas áreas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Juste Lores observa que o ‘retrofit’ é, hoje, a grande pegada em construções, aliando o processo de modernização e atualização de edificações, sistemas ou equipamentos antigos para atender aos padrões atuais de tecnologia, segurança e eficiência energética, sem a necessidade de reconstrução completa.

Em outras palavras, significa o reaproveitamento da estrutura existente para revitalizá-la. Ou, então, para fazer um novo uso ou para manter o original, agregando valor e funcionalidade ao público.

“Acho que o patrimônio imobiliário de Manaus tem muito potencial como clima diferente do resto do Brasil. A cidade não deve copiar São Paulo, o Nordeste e outras regiões do País. Tem que aproveitar o que o mundo inteiro está falando de biofilia de madeira e obras arquitetônicas tropicais para fazer a sua própria arquitetura amazônica”, disse o jornalista.

Convidado especialmente pela Engeco, Raul Juste foi o grande destaque como palestrante da terceira edição do Engeco Summit, promovido pela construtora, que debateu o futuro das cidades em um evento exclusivo para corretores em Manaus.

O encontro aconteceu na noite de segunda-feira (9), no Teatro Manauara do Manauara Shopping, em Adrianópolis, zona centro-sul da capital.

Praticamente lotado, o local também serviu de palco para a premiação de corretores do mercado imobiliário que se destacaram em vendas de empreendimentos da Construtora Engeco, em 2025, com 40 anos de atuação na região, especializada em lançamentos de alto padrão, entre eles o Ara Mirá, Salvador 550 e o Botânica Office, campeões de vendas no segmento na região.

Ao abrir o evento, a empresa fez uma reflexão sobre a atuação da Engeco no Amazonas, fazendo um balanço de suas atividades. “Mais um ano juntos. Mais uma edição do Summit. Todos os dias milhares de pessoas passam em frente a terrenos vazios na cidade. Para a maioria delas, é apenas um terreno. Mas para nós, não. Existe um projeto que ainda não nasceu. Ali há uma família que ainda vai morar, uma história que ainda vai acontecer. É exatamente isso que nos move. A capacidade de olhar para o espaço vazio e enxergar o extraordinário”, destacou o gerente comercial da construtora, Elias Ayres. “Realizamos sonhos com muita paixão, dedicação e responsabilidade”, completou.

Maury Guerreiro, um dos diretores da Engeco, ressaltou o objetivo do Sammit. “É um ponto máximo de nossa empresa. Pode vir, que faremos acontecer.  A nossa empresa promete há 40 anos. A nova edição do evento (a terceira) é pra dizer o que vem por aí e o que sonhamos. Vieram boas ideias e realizamos. Geramos produtos de qualidade, com valorização e boa velocidade de venda. E todos ganham. Estamos no ponto máximo de desenvolvimento para consolidar o mercado imobiliário no Amazonas. Vamos continuar”, afirmou.

Porfírio Saldanha, também diretor da empresa, adiantou novos projetos e metas, sendo ovacionados pela plateia de corretores. E compartilhou do mesmo sentimento.

“Queremos aqui declarar nossa paixão. Faz muitos anos que nos apaixonamos. Nosso ilustre convidado Raul (Juste) deve ter percebido que Manaus é uma cidade grande, dinâmica, porém mal organizada. A aceitamos muito bem suas críticas, que nos fazem crescer e aprimorar nossos projetos. Quando se vê os imóveis da Engeco, aparentemente vemos prédios diferentes. Há uma característica muito forte da empresa. Fazemos tudo aquilo que é melhor ao nosso alcance, reunindo pessoas que nos ajudaram a construir essa história de muita dedicação e responsabilidade. O que norteia o DNA da Engeco é saber que não são apenas prédios construídos, são lugares onde haverá famílias, com histórias a contar, e um lugar de profissionais que trabalham e ajudam a economia de nosso Estado”, afirmou.

Grande legado

Como principal legado do apogeu da borracha, Manaus possui um centro histórico de fazer inveja a países do primeiro mundo. Porém, o jovem de hoje exige espaços modernizados que aliam praticidade às necessidades de zonas urbanas cada vez mais impactadas pelas transformações de áreas urbanas, ressalta Raul Juste.

Aos poucos, shoppings e outros grandes centros comerciais dão lugar a locais a céu aberto, sinalizando que as gerações mais novas priorizam um contato maior com a natureza, tendo como palco principalmente o meio ambiente, sem estar cercado por estruturas de concreto, desfrutando o que a natureza mais proporciona – livre e antenado com a biodiversidade sustentável.

 

" Raul Juste foi o grande destaque como palestrante no evento da Engeco."Divulgação
” Raul Juste foi o grande destaque como palestrante no evento da Engeco.”
Divulgação

 

“Vemos a Áustria, a Escandinávia e os Estados Unidos falando de arquitetura em madeira. E aqui temos as melhores madeiras do mundo. Então, se vê obras na China com madeira amazônica. Mas ainda há muitos prédios amazônicos espelhados em shoppings na cidade, muito dependentes de ar-condicionado”, afirma. “Está na hora dessa mudança de consciência, especialmente entre os mais jovens, de fazer uma arquitetura sustentável de qualidade”, acrescenta o jornalista.

Segundo Juste, a juventude já começa a internalizar essas novas necessidades. “É impressionante ver o Centro Histórico de Manaus. O Largo São Sebastião fica cheio no domingo à noite. Não há capitais no Brasil em que praças em centros históricos sejam seguras e ocupadas, cheias de barzinhos. E o jovem está querendo essa vida mais fora do shopping, de lugares fechados, e aproveitar a cidade”, acrescenta. “O Centro Histórico de Manaus é belíssimo. Pra valorizar, tem que conhecer o jovem manauara”, sugere.

De acordo com o jornalista, o importante é a exclusividade na arquitetura, aproveitando os talentos locais. E o principal papel do mercado imobiliário é detectar essas novas tendências. “Ver valor, reformar bem e restaurar bem os prédios históricos, sabendo ocupar (com talento e sensibilidade) as áreas vazias no centro. Tem muito estacionamento, muitos galpões abandonados, muita área vazia em Manaus”, disse.

 O jornalista frisa que é contrário a essas construções que copiam prédios históricos. “É o que os americanos chamam de ‘fake buildings’ (prédios falsos), em Las Vegas (EUA)”, afirma ele.

E acrescenta. “Então, tem que ter uma boa arquitetura. E há bons profissionais na praça. Boa parte da cidade cresceu a partir dos anos 1960. Há prédios históricos para se espelhar e construir a melhor arquitetura possível. É o que a gente vê hoje na China, em cidades do Oriente Médio, no Sudeste Asiático”, diz.

Para ele, já não há mais espaço para reproduzir arquiteturas do passado. “É você querer o novo. Entendo o certo conservadorismo na Europa. É muito difícil competir com o Coliseu e a Catedral de Notre Dame. Mas quando você está em Manaus, em diversos bairros, dá pra construir praticamente do zero, muitas áreas podem ser aproveitadas. Tem que pensar na clientela do amanhã, que vai ser mais viajada e disposta a mais obras de qualidade pelo mundo. A exclusividade impulsiona a arquitetura moderna”, argumenta.

 

Realizando sonhos

A Engeco projeta um crescimento de pelo menos 30% em seu faturamento em 2025, algo na casa ou superior a R$ 300 milhões, só no ano passado, pagando quase R$ 5 milhões em comissões a seus corretores nas vendas de empreendimentos de luxo, de alto padrão, voltados para consumidores de maior poder aquisitivo, tendência que se expande substancialmente na capital.

No ano passado, a construtora conquistou o quarto lugar entre as empresas do segmento mais lembradas na pesquisa ‘Top Of Mind 2025’ em Manaus, destacando sua atuação no mercado de luxo.

Um dos premiados nas vendas da Engeco em 2025, Zacarias Neto falou sobre sua satisfação em trabalhar na empresa, que investe no padrão de luxo.

“Comecei na corretagem em 2010 e sempre gostei muito de trabalhar com a empresa. Tenho certeza que o cliente vai voltar ao receber o seu imóvel de alto padrão. A Engeco sempre valoriza seus profissionais, lançando produtos diferenciados e trazendo coisas novas para o mercado. Tenho muito prazer em trabalhar e vender esses produtos”, disse.

Em 2025, a corretora Raquel Falber, outra premiada pela Engeco, vendeu R$ 5,64 milhões em imóveis do empreendimento Botânica Office. “Sinto-me muito honrada. A Engeco sempre traz o melhor para os corretores. O principal diferencial para se ter foco nas vendas é ter muito trabalho, muito foco e sempre colocando Deus à frente de tudo”, afirmou.

Marcelo Peres

Pesquisar