Chuvas afetam comércio em Manaus

Em: 26 de março de 2026
Alagamentos recorrentes expõem fragilidades da infraestrutura urbana e provocam prejuízos em áreas comerciais estratégicas da capital.
Divulgação
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As fortes chuvas registradas nos últimos dias em Manaus voltaram a evidenciar um problema recorrente da capital amazonense: a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de precipitações cada vez mais intensas. Desde o início da semana, a cidade enfrenta alagamentos em diferentes zonas, transtornos no trânsito e impactos diretos no funcionamento do comércio, especialmente em áreas tradicionais de atividade econômica.

O cenário mais crítico tem sido observado na região central, onde pontos históricos de alagação voltaram a comprometer a mobilidade e a rotina de lojistas e consumidores. Ruas estratégicas para o comércio, como a avenida Getúlio Vargas, a rua Joaquim Sarmento e cruzamentos com a rua Lobo da Almada, registraram acúmulo de água em diferentes momentos entre segunda-feira (23) e esta quarta-feira (25).

Na rua Saldanha Marinho, esquina com a Lobo da Almada, comerciantes relataram novos episódios de alagamento em menos de 24 horas, com registros na noite de terça-feira e novamente na tarde desta quarta. A situação afetou diretamente o acesso às lojas e provocou prejuízos materiais. Na zona Oeste, o mini shopping da Compensa também sofreu impactos, com perdas envolvendo móveis e mercadorias após a entrada de água nos estabelecimentos.

Para o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro Pinheiro, o agravamento das chuvas tem ampliado problemas estruturais antigos da cidade. “Acompanhando essas últimas chuvas, percebemos que elas estão mais intensas. E, ao tratarmos do Centro da cidade, fica evidente a existência de desafios históricos, alguns com mais de 30 anos”, afirmou.

Segundo ele, parte da rede de drenagem da área central ainda é baseada em estruturas antigas, que não acompanham o crescimento urbano e o aumento do volume de precipitações. “Sabemos que essa infraestrutura é antiga, oriunda ainda da época dos ingleses, e que precisa ser atualizada para acompanhar o crescimento da cidade e o aumento do volume de chuvas”, destacou.

Os impactos econômicos são imediatos. Com ruas alagadas, o fluxo de consumidores diminui e muitos estabelecimentos são obrigados a suspender temporariamente as atividades. “Do ponto de vista do comércio, o impacto é significativo. As alagações geram prejuízos aos comerciantes, comprometem o funcionamento das lojas e acabam afastando o fluxo de clientes do Centro”, ressaltou o dirigente.

A entidade mantém diálogo permanente com a Prefeitura de Manaus e equipes técnicas da área de infraestrutura, buscando encaminhar demandas apresentadas por lojistas. De acordo com Bruno Loureiro, ações de manutenção vêm sendo realizadas, mas ainda há expectativa por intervenções estruturais mais amplas. “Há uma expectativa por intervenções estruturais capazes de oferecer uma solução definitiva para esses pontos críticos”, afirmou.

O alerta para chuvas intensas foi emitido ainda na segunda-feira, quando Manaus entrou em estado de atenção após aviso de risco severo da Defesa Civil. Desde então, equipes municipais permanecem monitorando áreas consideradas vulneráveis e orientando a população a evitar deslocamentos em vias alagadas.

Dados divulgados pela Prefeitura de Manaus apontam que, até as 17h dessa quarta-feira (25), o Centro de Cooperação da Cidade (CCC) registrou 77 ocorrências relacionadas às chuvas, atendidas por meio do Disque 199. Entre os casos contabilizados estão 42 alagamentos, 10 desabamentos, 10 deslizamentos, três riscos de desabamento, além de erosões, rachaduras e bueiros obstruídos.

O volume de chuva acumulado também chama atenção. Apenas nas últimas horas, bairros como Compensa registraram 127 milímetros de precipitação, enquanto Lago Azul alcançou 121 milímetros. Ponta Negra somou 68 milímetros e o Parque 10 de Novembro, 50 milímetros. Como comparação, a média prevista para todo o mês de março é de 320,9 milímetros, indicando concentração significativa de chuva em poucos dias.

As ocorrências foram encaminhadas às equipes da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec), que seguem atuando nas áreas afetadas. A prefeitura orienta a população a evitar contato com água de enchente, reduzir a velocidade ao dirigir em vias alagadas e buscar rotas alternativas sempre que necessário.

Enquanto o período chuvoso avança, comerciantes e moradores convivem com prejuízos recorrentes e reforçam a cobrança por soluções estruturais capazes de preparar Manaus para um novo padrão climático, no qual eventos extremos deixam de ser exceção e passam a integrar a rotina da cidade.

 

Fred Novaes

É jornalista
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