A primeira reunião do CAS deste ano foi protagonizada pelo anúncio de reforços na infraestrutura do PIM e projeções otimistas para a indústria incentivada, e de pleitos empresariais, apesar dos impactos econômicos que já se fazem sentir, a partir da guerra na escalada da guerra no Oriente Médio. Ocorrido nessa segunda (30), o encontro do Conselho de Administração da Suframa também foi marcado também por um tom de despedida e boas-vindas. Foi a último presidido pelo vice-presidente e titular do Mdic, Geraldo Alckmin, que se desvincula do cargo em abril, em razão das eleições. E também foi a primeira reunião ciceroneada pelo novo titular da Suframa, Leopoldo Montenegro.
Os conselheiros deram seu aval a uma pauta com 83 projetos industriais, de serviços e agropecuários, que somam R$ 1,17 bilhão em investimentos (ou US$ 223.70 milhões). Entre as propostas listadas para a 322ª Reunião Ordinária do CAS, 38 eram de implantação de novos empreendimentos industriais e de serviços, e 45 eram de diversificação e atualização de empresas já atuantes na ZFM. O destaque vem do polo eletrônico. Caso implementadas, as iniciativas devem gerar 2.880 empregos na área de atuação da Superintendência da Zona Franca de Manaus, e um faturamento estimado de R$ 7,29 bilhões (US$ 1.39 bilhão), em até três anos.
O CAS aprovou também a concessão de Direito Real de Uso de um lote com área estimada em 23.283 metros quadrados, na avenida Governador Danilo de Matos Areosa, Distrito Industrial I, em favor da Amazonas Energia S.A. A medida permitirá a ampliação da capacidade de fornecimento elétrico, essencial para atender à crescente demanda do PIM, reduzindo oscilações no abastecimento. Na pauta administrativa, foram aprovados o Plano Anual de Auditoria Interna 2026 e a nomeação do auditor-chefe da Suframa, Ricardo Juan de Oliveira Zurra. Foi ainda comunicada a conclusão da análise de 523 Relatórios Demonstrativos de Acompanhamento de Projetos, referentes ao ano-base de 2023.
“Passos importantes”
O encontro foi presidido pelo vice-presidente e titular do Mdic, Geraldo Alckmin, em sua sexta vinda a Manaus. O tom foi de despedida e gratidão, já que o político deve se desvincular do ministério em abril, para se dedicar às eleições de 2026. “Esta é a última reunião que presido e é sempre uma alegria quando participo. Quero agradecer pela boa parceria de todo o time de craques da Suframa, e também todos os parceiros dos governos federal, estaduais e municipais, além do setor produtivo e trabalhadores”, ressaltou, acrescentando que o período também foi de “passos importantes” no projeto NIB (Nova Indústria Brasil), que visa uma indústria mais verde, inovadora, produtiva e exportadora.
Alckmin destacou o desempenho recorde das exportações brasileiras em 2025, com US$ 348,7 milhões, apesar do ‘tarifaço’. Também citou o acordo de livre comércio entre Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio, que conta com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, e prevê a eliminação de tarifas em até 99% do comércio e impacto de R$ 2,69 bilhões no PIB até 2044. Outro destaque foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que prevê a eliminação de tarifas sobre 91% dos bens europeus e de 95% dos produtos do Mercosul, com vigência provisória a partir de 1º de maio de 2026.
O ministro também citou avanços em outras frentes. “Temos o Plano Nacional de Bioeconomia, que vamos consolidar na quarta [1º], em Brasília. O Fundo da Amazônia está batendo recorde de financiamento, com R$ 3,70 bilhões, em valores não reembolsáveis. O Fundo do Clima, gerido pelo BNDES, tem R$ 33 bilhões, com financiamentos a 7% por ano. Fizemos um novo contrato de gestão para o CBA [Centro de Bionegócios da Amazônia] e estamos com dez startups instaladas e quatro patentes já registradas no INPI e captação de R$ 80 milhões no setor privado”, listou, mencionando também novidades nos programas Brasil Soberano, entre outros.
O superintendente da Suframa ofereceu a Alckmin uma placa em homenagem ao trabalho do ministro em prol da ZFM e sua contribuição para os “resultados históricos” registrados no último ano. No encerramento, Montenegro ressaltou os desafios e prioridades de sua gestão. “Entre os nossos principais pilares de atuação estão a modernização dos sistemas internos, a atração de novos negócios, o avanço nas questões fundiárias e o acompanhamento da reforma tributária, incluindo a necessária atualização do Plano Diretor de Manaus para viabilizar a instalação de novas indústrias”, salientou.
“Condução assertiva”
O vice-governador Tadeus de Souza, agradeceu ao vice-presidente pela atenção dedicada ao Estado, incluindo as ações de infraestrutura em razão da estiagem de 2023, e desejou uma “gestão profícua” ao novo superintendente da Suframa. O representante do governo estadual destacou que o Amazonas se consolida com o terceiro maior polo industrial do Brasil, com “alta governança, indústria fina e recursos humanos altamente qualificados”.
“Temos a perspectiva de construirmos a infraestrutura capaz de suportar o Amazonas de amanhã. Vamos inaugurar o Campo de Azulão, em Silves, que vai gerar energia suficiente para 4 milhões de residências, com possibilidade de nos tornarmos exportadores de energia. O futuro do país será de transição energética e descarbonização, com novos segmentos surgindo e inteligência artificial. E o Estado também tem potencial com sua cadeia de minerais estratégicos, com terras raras, fosfato fertilizantes”, asseverou.
O presidente da Eletros, Jorge Nascimento Júnior, deu boas-vindas ao novo superintendente, citando sua própria trajetória de 13 anos como funcionário da autarquia, e destacando a relevância do trabalho dos servidores. Também agradeceu ao ministro pelo “diálogo constante” e a “condução assertiva” nas ações do Mdic em favor do PIM. “Falamos de todos os PPBs, com destaque para o de ar-condicionado. O Brasil é o segundo maior polo produtor mundial, com quase 20 empresas, e mais quatro até o final do ano. E o caminho, agora, vai ser a exportação”, afiançou, agradecendo também pela ajuda do governo federal nas crises das vazantes e no encaminhamento da reforma Tributária.
O dirigente citou outros avanços e reforçou pleitos. “Na economia verde, a indústria eletrônica investiu R$ 1 bilhão e recolheu 500 mil toneladas de lixo no Brasil, nos últimos cinco anos. Abrimos diálogo com o Ministério do Meio Ambiente, para que os recursos fossem destinados a investimentos, para o país gerar empregos. Para potencializar a exportação, temos de modernizar PPBs e trazer a legislação na mesma velocidade e modernidade do setor produtivo. Há também necessidade de terrenos para ampliarmos a área para projetos industriais”, frisou.
Representando a bancada federal do Amazonas, o deputado federal Átila Lins (PSD-AM) prestou homenagens ao ministro. “Quero parabenizá-lo pelo trabalho fecundo. Já tenho alguns mandatos e nunca a ZFM experimentou momentos tão tranquilos e sem sobressaltos com projetos, decretos, portarias, atos normativos. Destaco também a reforma Tributária, que foi possível ser feita no governo Lula. Ouso imaginar que, em janeiro, vossa excelência volte a ser ministro e presidir reuniões do Conselho da Suframa”, encerrou.
Também se manifestaram durante a reunião o presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Barreto Rocha, e o titular da Sedecti, Serafim Correa, entre outros.







