Inadimplência do varejo local avança 0,1%

Em: 9 de março de 2010
A inadimplência no comércio varejista de Manaus se manteve no patamar de 2,8% em janeiro e 2,9% em fevereiro
A inadimplência no comércio varejista de Manaus se manteve no patamar de 2,8% em janeiro e 2,9% em fevereiro

A inadimplência no comércio varejista de Manaus se manteve no patamar de 2,8% em janeiro e 2,9% em fevereiro. Os percentuais são baseados em tudo o que entrou e saiu do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), conforme estatísticas da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas).
Segundo o presidente da entidade, Ralph Assayag, esses percentuais estão dentro de uma performance considerada normal para o início do ano. Vale salientar que, no último trimestre de 2009 a quantidade de pessoas que regularizou o crédito foi maior do que o número de clientes que tiveram seus nomes inclusos no SPC. “O 13º salário é um motivador para as pessoas sanarem suas dívidas junto ao órgão e com isso limparem seu nome na praça de Manaus”, informou o dirigente.
O cenário do comércio varejista neste início de ano vem se mantendo num patamar considerado bom pelos representantes de entidades de classe do setor. O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, informou que as vendas de fevereiro, em alguns setores, girou na faixa de 3% a 5% ante igual período de 2009. “O mês do Carnaval puxou as vendas de produtos como adereços para fantasias, bebidas, alimentos e outros”, comentou.
Apesar de ainda não ter a estatística do segundo mês de 2010 fechada, Ralph Assayag calcula que a média de crescimento do setor como um todo foi de 1,5%. Ele avaliou que o resultado poderia ter sido melhor se a volume de chuvas na cidade não tivesse sido tão grande. “As chuvas ocorreram principalmente no horário de pico do comércio impedindo a ida do consumidor às compras”, salientou.
Para março, a expectativa dos dirigentes é positiva porque o setor trabalha de olho na Páscoa, que acontece no início de abril. Antonaccio observou que, apesar da alta anunciada nos ovos de chocolate, o consumidor finda comprando porque é estimulado pela data. “Ao adquirir o ovo de Páscoa, o consumidor finda comprando outras coisas mais”, frisou.
Ralph Assayag falou também da campanha “Liquida Manaus” que acontece no período de 26 de março à 9 de abril. Segundo o dirigente, depois do Natal, a campanha está sendo a segunda melhor data de vendas do comércio varejista de Manaus. “A campanha tem atraído uma gama de consumidores para o Centro de Manaus, por conta das promoções que chegam até a 70% em alguns produtos”, justificou.
Por outro lado, Antonaccio está de olho nas licitações previstas para serem abertas neste mês, a exemplo da construção do monotrilho, que ajudam a circular dinheiro na praça de Manaus. “Assim como os trabalhadores do PIM (Polo Industrial de Manaus), os da construção civil são potenciais compradores do setor”, assegurou.

Grande vilão

O comércio informal ainda é considerado um grande empecilho para os lojistas que findam perdendo vendas para os camelôs. Pelos cálculos do presidente da ACA a informalidade representa 60% em alguns pontos de vendas. A falta de fiscalização somada a burocracia para abrir uma microempresa ainda são considerados os maiores gargalos.

Calote dos consumidores recua 3,1% em todo o país

A inadimplência dos consumidores teve queda de 3,1% em fevereiro ante janeiro, segundo o indicador da Serasa Experian. A diminuição foi decorrente, principalmente, do recuo de 4,6% na inadimplência nos cartões de crédito e financeiras. Em seguida, ambas com contribuição negativa de 0,7 ponto percentual, estão as devoluções de cheques sem fundos e as dívidas não honradas junto aos bancos com quedas de 4,2% e 1,4%, respectivamente. Por último, os títulos protestados apresentaram recuo de 13%, o que representou contribuição de -0,3 ponto percentual na queda agregada do indicador.
No acumulado do ano – primeiro bimestre de 2010 em comparação com o mesmo período do ano anterior -, a inadimplência caiu 5,3%, representando o maior percentual de queda nessa relação, desde 2000. A comparação entre duas conjunturas econômicas distintas, a atual com forte crescimento da economia, aumento do emprego e evolução da renda, e a do início de 2009, com um dos momentos mais críticos da crise, com a inadimplência em alta (4,5%), possibilitou uma menor inadimplência do consumidor neste ano.

Crise econômica

No confronto com o mesmo mês no ano passado, houve redução de 2,2%, registrando o maior recuo, entre os meses de fevereiro, desde 2004. No primeiro bimestre, a inadimplência caiu 5,3% -a maior retração desde 2000. Vale lembrar, no entanto, os efeitos da crise econômica mundial no início de 2009, que distorcem a comparação.
Segundo os economistas da Serasa, o consumidor que ficou desempregado durante a crise e recuperou o emprego ficou mais cauteloso com os gastos. Além disso, o retorno do crédito e a renegociação de dívidas dão mais fôlego ao orçamento doméstico.
As pendências com bancos responderam pela maior parcela da inadimplência no acumulado do ano (48,1%). No mesmo período de 2009, este percentual era de 43,4%. Em seguida estão as dívidas com cartões de crédito e financeiras, representando 32,9% de janeiro a fevereiro deste ano. No acumulado de 2009, a participação da mesma modalidade era de 37%.
Em terceiro lugar, aparecem os cheques sem fundos, com 16,9% de representatividade nos primeiros dois meses de 2010. Na mesma comparação do ano anterior, a participação no indicador era de 17,7%.
A menor parcela é representada pelos títulos protestados que registraram 2,1%, no primeiro bimestre deste ano, contra 1,9% no primeiro bimestre do ano passado.
“Mesmo com as compras facilitadas do Natal e as pressões das despesas de início de ano, como IPVA e IPTU, o crescimento da economia está contribuindo para que os pagamentos dos consumidores sejam honrados”, avaliou a empresa, por meio de nota distribuída à imprensa.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar