Se você tem facilidades em escrever histórias, porque não transformar isso em roteiros para a televisão, para o cinema ou para os canais de streaming, que agora produzem série atrás de série e sempre estão em busca de boas histórias? Para facilitar a sua vida e lhe mostrar o caminho das pedras’, o roteirista amazonense Haroldo Mourão prepara o lançamento de nova turma para a oficina on-line ‘O roteiro contemporâneo’, com início programado para maio. Mas quem desejar pegar ‘o barco andando’, ele já está realizando uma oficina e os interessados podem entrar a qualquer momento e ir se inteirando dos fatos.
Haroldo Mourão é natural de Manaus, mas mora no Rio de Janeiro. Possui mais de 20 anos de trajetória no audiovisual brasileiro, com vasta experiência na TV e no cinema. Assinou o roteiro do longa ‘Chá-Revelação’ e do premiado curta ‘Tiro Curto’, ambos de 2025. Sua carreira inclui passagens pela TV Globo, onde escreveu esquetes para o Casseta & Planeta, integrou a equipe de redação do Zorra, e colaborou em quadros para Paulo Vieira (Isso é muito a minha vida), Dani Calabresa, além dos programas Estrelas e Amor & Sexo.
Na entrevista, a seguir, ao Jornal do Commercio, Haroldo explicou melhor como é a profissão de roteirista.
Jornal do Commercio: Essa sua oficina é somente para quem tem experiência com roteiros, ou pode ser, também, para quem não sabe nada sobre o assunto?
Haroldo Mourão: A oficina também é um grupo de estudos e é direcionada para quem já atua na área, ou para qualquer pessoa que tenha interesse na escrita de roteiros para cinema, TV ou streaming.
JC: Quando começará a oficina, serão quantas horas e em quantos dias?
HM: A próxima turma vai começar em maio. Serão quatro encontros online de uma hora e meia de duração, com data ainda a confirmar. Mas quem quiser pode se inscrever na oficina que está em andamento e já terá acesso a todo o conteúdo, além de participar do grupo de estudos via whatsapp.
JC: Quais serão os conteúdos da oficina?
HM: A partir do estudo do roteiro do filme ‘O agente secreto’, de Kleber Mendonça Filho, vamos analisar o roteiro contemporâneo dentro da estrutura, progressão dramática e personagens, além das referências a outros filmes, diretores e as múltiplas camadas que o filme sugere.
JC: Por que escolheu realizar a oficina focada no filme ‘O agente secreto’? Os conhecimentos adquiridos com essa oficina podem ser aplicados a qualquer outro filme?
HM: ‘O agente secreto’ eu considero um estudo de caso. Além de ter sido consagrado em mais de 70 festivais internacionais, é um filme que mistura vários gêneros (thriller político, suspense, comédia e cinema absurdo), possui uma estrutura fragmentada e mesmo sendo um filme de época, é muito atual quando mostra o Brasil na política e no social.

JC: Como você, saído de Manaus, conseguiu um ‘lugar à sombra’, no Rio, num segmento tão restrito e competitivo?
HM: Sou formado em cinema e posso dizer que, no começo da carreira, foi um pouco de sorte e muita vontade de trabalhar com roteiro e aprender tudo sobre TV e depois cinema. Primeiro trabalhei como estagiário na TV Educativa e depois na TV Globo por 23 anos, com pessoas que me ensinaram muito. Uso o que aprendi para passar os conhecimentos. O mercado, realmente é muito competitivo e vai sempre exigir profissionais que sejam interessados em trazer boas ideias.
JC: O que teria a dizer para quem deseja ser um roteirista profissional?
HM: Escreva e reescreva seus roteiros. Leia roteiros de filmes que você gostou. Procure parcerias. Cinema e TV são ‘esportes coletivos’. Entre para uma equipe interessada em realizar produções e que estas circulem por festivais ou crie um perfil em plataformas que permitam que você divulgue seu trabalho, suas produções. Mantenha-se informado com os últimos lançamentos, leia tudo relativo a escrita de roteiro. Assista aos clássicos. Basicamente é isso.
JC: Como está o mercado para roteiristas, no Brasil? Onde se pode conseguir trabalhos?
HM: O mercado está em alta, com muitas opções, principalmente se você tem ideias inovadoras. Para conseguir trabalhos é importante ficar ligado nas produtoras, no que está sendo feito. Mas, principalmente, tentar produzir conteúdo autoral e assim chamar atenção nas redes ou em festivais.
JC: Com sua experiência em programas de humor, na TV, o que aconteceu com a atual situação no humor, no Brasil? Perdeu a graça devido ao politicamente correto?
HM: Como diria Chico Anysio, sou a favor do humor engraçado. Porém, o humor, assim como a sociedade, evolui. A piada, a graça, varia de tempos em tempos. Coisas que achávamos graça há 20 anos, podem soar obsoletas ou sem graça nenhuma hoje em dia. Eu acredito que o politicamente correto veio para proteger as minorias. E isso é o certo. O que não dá é cair no exagero e qualquer piada virar caso de polícia. Dependendo da piada, alguém sempre vai se sentir ofendido. O caso é saber separar o que é piada e o que é humilhação ou discurso de ódio.
JC: Como proceder para se inscrever nas suas oficinas?
HM: Basta entrar no perfil do Instagram @tudosobreroteiro e preencher o formulário de inscrição que fica na bio.







