“O mercado está em alta”

Em: 15 de abril de 2026
Uma oficina para ensinar a escrever roteiros para a TV, o cinema e canais de streaming será realizada pelo roteirista amazonense Haroldo Mourão.
Haroldo Mourão é natural de Manaus, mas mora no Rio de Janeiro. Possui mais de 20 anos de trajetória no audiovisual brasileiro.
Haroldo Mourão é natural de Manaus, mas mora no Rio de Janeiro. Possui mais de 20 anos de trajetória no audiovisual brasileiro

Se você tem facilidades em escrever histórias, porque não transformar isso em roteiros para a televisão, para o cinema ou para os canais de streaming, que agora produzem série atrás de série e sempre estão em busca de boas histórias? Para facilitar a sua vida e lhe mostrar o caminho das pedras’, o roteirista amazonense Haroldo Mourão prepara o lançamento de nova turma para a oficina on-line ‘O roteiro contemporâneo’, com início programado para maio. Mas quem desejar pegar ‘o barco andando’, ele já está realizando uma oficina e os interessados podem entrar a qualquer momento e ir se inteirando dos fatos.

Haroldo Mourão é natural de Manaus, mas mora no Rio de Janeiro. Possui mais de 20 anos de trajetória no audiovisual brasileiro, com vasta experiência na TV e no cinema. Assinou o roteiro do longa ‘Chá-Revelação’ e do premiado curta ‘Tiro Curto’, ambos de 2025. Sua carreira inclui passagens pela TV Globo, onde escreveu esquetes para o Casseta & Planeta, integrou a equipe de redação do Zorra, e colaborou em quadros para Paulo Vieira (Isso é muito a minha vida), Dani Calabresa, além dos programas Estrelas e Amor & Sexo.

Na entrevista, a seguir, ao Jornal do Commercio, Haroldo explicou melhor como é a profissão de roteirista.

 

Jornal do Commercio: Essa sua oficina é somente para quem tem experiência com roteiros, ou pode ser, também, para quem não sabe nada sobre o assunto?

Haroldo Mourão: A oficina também é um grupo de estudos e é direcionada para quem já atua na área, ou para qualquer pessoa que tenha interesse na escrita de roteiros para cinema, TV ou streaming.

 

JC: Quando começará a oficina, serão quantas horas e em quantos dias?

HM: A próxima turma vai começar em maio. Serão quatro encontros online de uma hora e meia de duração, com data ainda a confirmar. Mas quem quiser pode se inscrever na oficina que está em andamento e já terá acesso a todo o conteúdo, além de participar do grupo de estudos via whatsapp. 

 

JC: Quais serão os conteúdos da oficina?

HM: A partir do estudo do roteiro do filme ‘O agente secreto’, de Kleber Mendonça Filho, vamos analisar o roteiro contemporâneo dentro da estrutura, progressão dramática e personagens, além das referências a outros filmes, diretores e as múltiplas camadas que o filme sugere. 

 

JC: Por que escolheu realizar a oficina focada no filme ‘O agente secreto’? Os conhecimentos adquiridos com essa oficina podem ser aplicados a qualquer outro filme?

HM: ‘O agente secreto’ eu considero um estudo de caso. Além de ter sido consagrado em mais de 70 festivais internacionais, é um filme que mistura vários gêneros (thriller político, suspense, comédia e cinema absurdo), possui uma estrutura fragmentada e mesmo sendo um filme de época, é muito atual quando mostra o Brasil na política e no social.

"Leia roteiros de filmes que você gostou"
“Leia roteiros de filmes que você gostou”

JC: Como você, saído de Manaus, conseguiu um ‘lugar à sombra’, no Rio, num segmento tão restrito e competitivo?

HM: Sou formado em cinema e posso dizer que, no começo da carreira, foi um pouco de sorte e muita vontade de trabalhar com roteiro e aprender tudo sobre TV e depois cinema. Primeiro trabalhei como estagiário na TV Educativa e depois na TV Globo por 23 anos, com pessoas que me ensinaram muito. Uso o que aprendi para passar os conhecimentos. O mercado, realmente é muito competitivo e vai sempre exigir profissionais que sejam interessados em trazer boas ideias. 

 

JC: O que teria a dizer para quem deseja ser um roteirista profissional?

HM: Escreva e reescreva seus roteiros. Leia roteiros de filmes que você gostou. Procure parcerias. Cinema e TV são ‘esportes coletivos’. Entre para uma equipe interessada em realizar produções e que estas circulem por festivais ou crie um perfil em plataformas que permitam que você divulgue seu trabalho, suas produções. Mantenha-se informado com os últimos lançamentos, leia tudo relativo a escrita de roteiro. Assista aos clássicos. Basicamente é isso.

 

JC: Como está o mercado para roteiristas, no Brasil? Onde se pode conseguir trabalhos?

HM: O mercado está em alta, com muitas opções, principalmente se você tem ideias inovadoras. Para conseguir trabalhos é importante ficar ligado nas produtoras, no que está sendo feito. Mas, principalmente, tentar produzir conteúdo autoral e assim chamar atenção nas redes ou em festivais.

 

JC: Com sua experiência em programas de humor, na TV, o que aconteceu com a atual situação no humor, no Brasil? Perdeu a graça devido ao politicamente correto?

HM: Como diria Chico Anysio, sou a favor do humor engraçado. Porém, o humor, assim como a sociedade, evolui. A piada, a graça, varia de tempos em tempos. Coisas que achávamos graça há 20 anos, podem soar obsoletas ou sem graça nenhuma hoje em dia. Eu acredito que o politicamente correto veio para proteger as minorias. E isso é o certo. O que não dá é cair no exagero e qualquer piada virar caso de polícia. Dependendo da piada, alguém sempre vai se sentir ofendido. O caso é saber separar o que é piada e o que é humilhação ou discurso de ódio.

 

JC: Como proceder para se inscrever nas suas oficinas?

HM: Basta entrar no perfil do Instagram @tudosobreroteiro e preencher o formulário de inscrição que fica na bio.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar