O prazo para registro de candidaturas à eleição indireta que definirá o próximo governador do Amazonas se encerra às 20h desta quinta-feira (16), conforme edital da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Até o momento, duas chapas foram protocolizadas, incluindo a do governador interino Roberto Cidade (União), que tenta se manter no cargo até o fim do mandato tampão, previsto para janeiro de 2026.
Mas tudo leva a entender que os deputados não terão muitas opções para o pleito. A segunda chapa protoclizada foi a do empresário William Bittar Santos (PSDB), do município de Novo Airão, que tem como vice João Ricardo de Melo e Lima (PL). O problema é que o senador Plínio Valério, líder da legenda, disse que o partido não autorizou ninguém a disputar essa eleição.
“O PSDB não autorizou e nem irá autorizar nenhum filiado a usar a sigla para disputar a eleição indireta para um mandato tampão a governador do Amazonas. Não podemos impedi-lo de exercitar o seu direito de cidadão, porém, como representante do PSDB podemos sim”, afirmou.
A eleição indireta está marcada para o dia 4 de maio e ocorre após a vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador, provocada pelas renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza no início de abril. A Constituição estadual determina que, nessa situação, nos dois últimos anos de mandato, a escolha do novo chefe do Executivo deve ser feita de forma indireta, pelos deputados estaduais.
Roberto Cidade oficializou sua candidatura na manhã de quarta-feira (15), tendo como vice o ex-deputado e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Serafim Corrêa (PSB). Durante coletiva na Aleam, Cidade destacou a experiência administrativa do companheiro de chapa. “Você tem que ter um vice que seja preparado. O Serafim é preparado. Você tem que ter um vice que vai ajudar muito na gestão de uma máquina tão complexa que é o governo do Estado do Amazonas”, afirmou.
Serafim Corrêa, por sua vez, enfatizou o caráter transitório da eventual gestão. “É uma responsabilidade muito grande que, tanto você quanto eu, se for da vontade de Deus, teremos de conduzir o Estado nesses tempos tão difíceis e complexos”, declarou.
Apesar do posicionamento do líder Plínio Valério, o empresário William Bittar Santos (PSDB) apresentou sua candidatura na quarta-feira. Em declarações à imprensa, William Santos afirmou que sua candidatura representa um posicionamento crítico em relação à condução recente do governo estadual. O empresário já havia protocolizado pedido de impeachment contra o ex-governador Wilson Lima durante a pandemia de Covid-19 e mantém atuação política alinhada a pautas conservadoras.
O processo de inscrição exige a apresentação de chapa única, composta por candidato a governador e vice, com requerimento direcionado à Mesa Diretora da Assembleia. Entre os documentos obrigatórios estão certidões eleitorais e criminais, comprovantes de filiação partidária, residência, escolaridade e regularidade junto a órgãos de controle. O edital prevê prazo de até 24 horas para correção de eventuais pendências após a notificação.
As inscrições podem ser realizadas presencialmente no setor de protocolo da Aleam ou por meio eletrônico, com envio da documentação exigida. A expectativa é de que novas candidaturas possam ser registradas até o encerramento do prazo, ampliando o número de concorrentes na disputa.
A eleição indireta será conduzida pelos 24 deputados estaduais, que votarão em sessão específica para definir o nome que comandará o Executivo estadual até 5 de janeiro de 2026. O formato segue rito semelhante ao adotado em outras unidades da federação em situações de vacância nos cargos majoritários, com regras definidas pelo regimento interno do Legislativo e pela legislação estadual.
O cientista político Carlos Santiago avalia que a eleição indireta para o mandato tampão expõe padrões históricos de atuação do parlamento estadual. Segundo ele, o atual cenário evidencia a convergência de interesses internos entre os deputados. “Essa eleição revela o que sempre foi o parlamento do Estado: extremamente governista. Os interesses convergem para a eleição do presidente da Assembleia, deputado Roberto Cidade, que será o governador dos deputados”, afirmou. Para Santiago, o desfecho do processo deve ser acompanhado com atenção pela sociedade.
Na análise do especialista, há uma dissociação entre o discurso ideológico e a prática legislativa. “Parlamentares expressam posições ideológicas diversas, mas, quando tratam de interesses dos legisladores, eles sempre convergem, independentemente de esquerda ou direita”, disse. Ele aponta que pautas como controle de cargos públicos e agendas econômicas comuns se sobrepõem às diferenças partidárias.
Santiago também ressalta que os efeitos desse alinhamento político não se encerram na eleição indireta. “Tudo isso não ficará distante do eleitorado. A última palavra será nas urnas no dia 4 de outubro. Quem dará a palavra final será o cidadão”, declarou, ao projetar impactos no próximo ciclo eleitoral.
Nos bastidores, a articulação política em torno das candidaturas envolve lideranças partidárias e parlamentares influentes no estado. Questionado sobre possíveis alianças, Roberto Cidade afirmou que o momento exige diálogo. “Não tenho problema de conversar com quem quer que seja. O momento é de união e construção”, disse.







