Um movimento que só cresce

Em: 17 de abril de 2026
Há alguns anos Manaus ganha novos quadrinistas, estúdios de HQs surgem e, junto, acompanha uma infinidade de fãs em busca de novidades.
Jucylande, Geovan e Stones, um movimento que só cresce.
Jucylande, Geovan e Stones, um movimento que só cresce.

Nos últimos anos a produção de HQs (Histórias em Quadrinhos) sofreu um ‘boom’ em Manaus, com quadrinistas cada vez mais profissionais, leitores fiéis e ávidos por novas histórias, e estúdios, onde as HQs ganham forma e vida. Um desses estúdios é o Stones Studio, criado em janeiro de 2022 por Stones Jr. que buscou parcerias com os artistas Jucylande Jr. e Geovan Motter para que sua ideia fosse colocada em prática.

“Nos eventos que participamos, contactamos outros estúdios e podemos ver que há cada vez mais produções amazonenses. Posso citar, além do Stones Stúdio, o C-4, o Hyper Comix e o Quadrinhos.Cão, todos caminhando a passos lentos, pela falta de apoio, mas caminhando”, revelou Stones.

“Uma das dificuldades que encontramos é a distribuição das nossas obras, sem falar que dependemos de editais, ou campanhas de financiamentos coletivos, para conseguir recursos a fim de publicar novos trabalhos”, completou.

Além da produção e publicação de HQs, outro dos objetivos do Stones Studio é difundir a arte do desenho. Recentemente, os sócios do estúdio realizaram uma ação com três oficinas para 22 crianças, em Parintins, como contrapartida de um projeto contemplado em edital da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), e ainda publicaram a HQ Stones Comix.

 Ação, com três oficinas para 22 crianças, foi realizada em Parintins.
Ação, com três oficinas para 22 crianças, foi realizada em Parintins.

 

“Essa ação foi realizada no Centro Educacional N. Sra. das Graças, organizada pelo Estúdio Buriti, de Parintins. A ação contou com oficina de Sketch Card, com o Jotta Taylor; oficina de como criar tirinhas, com o Geovan; e oficina de anatomia de desenho de cabeça, com o Jucylande. Ainda teve distribuição da HQ Stones Comix para as crianças e sessão de autógrafos com os quadrinistas”, contou.

Uma segunda oficina faz parte da contrapartida do projeto e será realizada em Manaus.

 

Teve distribuição da HQ Stones Comix para as crianças e sessão de autógrafos.
Teve distribuição da HQ Stones Comix para as crianças e sessão de autógrafos.

 

Movimento crescente

Jucylande afirmou que nunca se produziu tantas HQs, em Manaus, como nos últimos tempos. Os quadrinistas barés sempre estão produzindo novos quadrinhos, e aguardando oportunidades para publicá-los. Um exemplo disso é que este ano já foram realizados cinco lançamentos de HQs somando os estúdios: ‘Stones Comix’, do Stones Studio, em janeiro deste ano; ‘A Ajuri dos que não morrem’, do C-4; ‘Capitão Amazonas’, ‘Super Amarelo’ e ‘Turma do Malandrinho – um sapato muito grande’, do Quadrinhos.Cão, estes lançados em março”, informou.

“É um movimento que está crescendo não apenas em Manaus, mas no Norte. Todo o ano surgem novos lançamentos, indicados e mesmo ganhando prêmios nacionais. Têm trabalhos nossos chegando a outros países. A cena das HQs, em Manaus, tem crescido gradualmente, e o mercado vem se aquecendo nos últimos anos”, garantiu.

Outro fator importante para o crescimento do segmento é a colaboração entre os quadrinistas mesmo de estúdios diferentes. Uns são convidados ou indicam projetos para outros. Há uma parceria entre o C-4 Studio e o Hyper Comix, dos quais Jucylande e Geovan são sócios, assim como com o Quadrinhos.Cão, criado por Geovan.

“Os quadrinistas também desenvolvem projetos em qualquer um dos quatro estúdios, como é o caso do Jotta Taylor (com trabalhos no C-4 Studio, Hyper Comix e Quadrinhos.Cão) e o Emerson Medina (com trabalhos no C-4 Studio e no Quadrinhos.Cão)”, disse.

 

Dicas para os pais

Em busca de novos talentos nos quadrinhos, Geovan dá algumas dicas para os país saberem se seus filhos ‘têm queda’ para o desenho, e como estimulá-los.

“Devem observar o tempo que eles passam desenhando em relação a outras atividades e se o que entregam se diferencia dos trabalhos de crianças da mesma faixa etária, mas o grande diferencial é ver o quanto estão dispostos a aprender e aprimorar seus desenhos, pois talento é só um start. O que, de fato, forma um desenhista é estudo e prática”, ensinou.

Ao comprovar que os filhos realmente se interessam pelos desenhos, segundo Geovan, os pais devem sempre disponibilizar materiais de apoio e, quando possível, ‘desenhar’ junto com eles.

“Não precisa ser uma obra de arte, apenas ambos desenharem como se fosse uma brincadeira. Depois procurar uma escola ou um desenhista que dê aulas particulares. Ao notar que uma criança vive rabiscando histórias, o incentivo dos pais é primordial para que, logo, os frutos surjam. É fundamental matricular a criança em cursos adequados para que ela aprenda a aplicar sua arte, desenvolvendo técnica e encontrando o próprio estilo”, avisou.

E para os adultos, que desejam se tornar quadrinistas, Geovan também tem dicas.

“Fazer quadrinhos não é só desenhar. Tem bons ilustradores que não sabem compor uma página de HQs. É bom exercitar, desenhar páginas. O ideal, quando nos procurar, é trazer um projeto bem elaborado, mesmo sem estar totalmente pronto. Se for interessante, podemos montar uma equipe para trabalhar junto ao autor”, concluiu.

Informações: Instagram @stones.studiohq

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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