A pressão é grande para que a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 8,75%, aumente nesta reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que acontece hoje e amanhã. Os consultores econômicos locais torcem pela manutenção da taxa por entenderem não estar havendo prenúncio de que a inflação esteja acelerada. No entanto, a aposta do mercado financeiro é que a taxa Selic comece a aumentar o custo do dinheiro nesta reunião.
O consultor econômico, Rodemarck Castelo Branco, acredita que parte dos votos do comitê vai optar pelo aumento da taxa básica de juros, e que inclusive, estaria havendo uma pressão neste sentido. Por sua vez, o especialista torce para que isso não aconteça. “A pressão inflacionária que estão tentando criar não existe”, garantiu.
Na opinião de Rodemarck Castelo Branco, o país tem condições de crescer sem precisar aumentar os juros, que por sinal são altos, o que prejudica a economia brasileira. “A alta taxa de juros inviabiliza os investimentos privados no país”, destacou o consultor empresarial.
O economista José Laredo, sócio da Controle Consultoria, comunga da mesma opinião da corrente de economistas que defendem a manutenção da Selic em 8,75%, por entender que não há sinais consistentes na economia de que esteja havendo inflação acelerada ou em aceleração. O que existe, segundo ele, são sobrecargas de consumo em alguns segmentos que repercutiram numa pequena elevação do IGP (Índice de Preço ao Consumidor).
Prévia acumulada
Por outro lado, o especialista aponta que o IGPM (Índice Geral de Preços de Mercado), da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que é a base para o consumo dos contratos de prestação de serviços, tem se mantido negativo no acumulado dos 12 meses, ou seja, até janeiro de 2010. “Até março, sua prévia acumulada de 12 meses é de 1,95%, uma vez que a meta de inflação do Banco Central é de 4,5% ao ano”, justificou o economista.
Para alguns especialistas, taxa deveria aumentar até 0,5 ponto percentual
Há, contudo outra corrente de economistas que se diz favorável a uma elevação da taxa entre 0,25% e 0,50% pontos percentuais, talvez nessa ou na próxima reunião do Copom, podendo elevar a Selic dos atuais 8,75% para 9% ou 9,25% ao ano. Informações da imprensa nacional dão conta que essa tendência é defendida por alguns membros da diretoria do Banco Central.
Segundo Laredo, essa corrente acredita que está havendo um aprisionamento da inflação por causa do real valorizado frente ao dólar, a R$ 1,78 . “Eles acreditam que pode haver uma aceleração da inflação por causa da atual tendência do câmbio em permanecer valorizado, o que pode resultar em mais valorização do real frente ao dólar, principalmente nos produtos importados”, explicou o economista que também é consultor de empresas no PIM (Polo Industrial de Manaus).
Essa mesma corrente aponta que um aumento na taxa de juros poderá inibir a aceleração do consumo em alguns segmentos que estariam alimentando o processo inflacionário, aumentando os valores das parcelas financiadas dos eletrodomésticos e duas rodas, segmentos esses que ainda estão se beneficiando da redução da carga tributária dada pelo governo para combater a crise financeira internacional em 2009.
“A justificativa adicional para essa corrente de economistas é que a queda nas exportações do país está prejudicando vários setores altamente geradores de emprego e renda”, explicou o especialista.
Política cambial
A conclusão do economista Laredo é de que havendo ou não uma pequena elevação na Selic não muda em nada a atual política cambial brasileira, que opera sob a matriz de um sistema de câmbio flutuante e com metas de inflação pré-estabelecidas. “A não ser que o BC imponha novas regras cambiais e altere essa política que vem dando certo há mais de uma década”, enfatizou.
José Laredo explicou que essa alteração da política cambial seria por exemplo re-estabelecer uma banda cambial em que o valor do real deslisaria entre um determinado espaço de valor com limites de redução e de elevação (uma espécie de intra-banda). “Isso já foi usado e não ajudou o país a passar bem pela crise Russa e Asiática no final dos anos 90”, lembrou.
Como o Banco Central é chamado de conservador, o economista José Alberto Machado -que é favorável pela manutenção da taxa nos atuais 8,75%-, espera um leve aumento na taxa de juros Selic nesta reunião. “Não vejo cenário para queda de juros e nem que seja mantida, a tendência é um viés de alta”, finalizou.






