PIM pratica assistencialismo, aponta especialista em 3º setor

Em: 22 de março de 2010
Dirigentes do setor industrial local discordam da opinião do consultor do Siai (Sistema de Apoio Institucional), Takashi Yamauchi, de que as atividades de responsabilidade social e ambiental das empresas do PIM ainda estão voltadas para o assistencialismo
Dirigentes do setor industrial local discordam da opinião do consultor do Siai (Sistema de Apoio Institucional), Takashi Yamauchi, de que as atividades de responsabilidade social e ambiental das empresas do PIM ainda estão voltadas para o assistencialismo

Dirigentes do setor industrial local discordam da opinião do consultor do Siai (Sistema de Apoio Institucional), Takashi Yamauchi, de que as atividades de responsabilidade social e ambiental das empresas do PIM (Polo Industrial de Manaus) ainda estão voltadas para o assistencialismo. O conferencista disse que, apesar de existirem algumas ações exitosas no país neste sentido, a realidade nacional não difere muito do que ele viu no panorama local.
Takashi Yamauchi é consultor empresarial e especialista em terceiro setor -ONGs (Organizações Não-Governamentais), entidades filantrópicas, Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), organizações sem fins lucrativos e outras formas de associações civis sem fins lucrativos-, há mais de 30 anos. Na semana passada, participou de uma reunião na ALE (Assembleia Legislativa Estado) para tratar sobre a Lei de Responsabilidade Social e Ambiental, que vai instituir a obrigatoriedade do cumprimento da resolução número 1003/2004 do Conselho Federal de Contabilidade, a qual estabelece como data base do início do balanço o dia 1º de janeiro de 2006, mas que praticamente não é cumprida. A proposta consiste em criar uma referência legal para retenção e aplicação de recursos disponibilizados pela legislação federal e estadual em favor das ações sociais e ambientais junto à comunidade.
Takashi Yamauchi disse conhecer as ações de algumas empresas do PIM nesse sentido, inclusive visitou várias empresas, conheceu seus projetos e detectou que ainda são atividades assistencialistas. “De responsabilidade social e ambiental não tem nada. Posso te afirmar isso”, garantiu.
Ao ser questionado sobre o que falta para as empresas se adequarem, ele respondeu que falta profissionalizar os profissionais de contabilidade e de administração dessas empresas dentro das normas de contabilidade que é a T 15, e da ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas) para entender todo o processo. “Tem muita coisa deslocada”, frisou.
No Brasil, apesar da legislação ser de 2004, Yamauchi disse que as empresas estão começando a ter essa preocupação. Os que entenderam a mensagem estão tentando corrigir, mas ainda há muito assistencialismo.“Tá todo mundo desesperado tentando fazer essa correção”, ressaltou, acrescentando que em linhas gerais há muita confusão. “Tem muita gente fazendo assistencialismo confundindo com responsabilidade social e a legislação aponta o contrário. Agora vai ser o cheque mate deles em relação a isso. Daí a necessidade dos profissionais se capacitarem, ler a norma, resoluções e procurar se adequar para entender esse mecanismo”, completou.

Sinaees defende o polo e destaca conquistas

Segundo Yamauchi, não se pode fazer uma ação de responsabilidade social de qualquer jeito. Uma empresa não pode decidir que vai cuidar de crianças ou de meio ambiente e fazer de qualquer jeito. “Isso é anarquizar o sistema democrático, o que é crime. Se está dentro de uma sociedade, um município, onde existem os conselhos municipais, é preciso discutir quais as prioridades para melhorar a qualidade de vida daquela comunidade”, justificou.

Serviços realizados

Na opinião do presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos e Eletrônicos de Manaus), Wilson Périco, Takashi Yamauchi não visitou todas as empresas, apesar de afirmar ter conhecido várias. Na questão social, o dirigente garantiu que existem organizações que compartilham suas práticas, como coleta seletiva, atividade esportiva e higiene com a comunidade onde está inserida através de escolas, oferecendo a área da empresa para algumas atividades.
Segundo Périco, as empresas custeiam a formação de seus colaboradores, hoje aproximadamente 27% dos trabalhadores do PIM têm ou estão cursando o nível superior. “Na década de 1980, tínhamos apenas cinco instituições de nível superior em Manaus e a grande maioria dos funcionários nas linhas de produção não tinham sequer o antigo primeiro grau. Hoje, temos 27 entidades de ensino superior”, comparou.
Conforme Périco, esse crescimento e melhoria do nível de ensino é responsabilidade social. Ele defende que as empresas oferecem assistência médica diferenciada. “Um benefício que pode ser encarado pelo senhor Takashi como assistencialismo, mas também orienta seus funcionários quanto aos bons hábitos e costumes com ginástica laboral, reaproveitamento de alimentos, noções de balanceamento alimentar. Isso não é assistencialismo, isso é responsabilidade social”, garantiu.
Wilson Périco informou que muitas empresas do PIM têm estações de tratamento de efluentes, controle de emissão de gases, coleta seletiva e reaproveitamento de material. “Existem empresas que já iniciaram a elaboração de seus mapas de geração de emissão carbono. Isso não é assistencialismo, é responsabilidade ambiental. Sem dúvida, podemos fazer sempre mais, mas dizer que não esta sendo feito não é pura verdade”, sentenciou.

Obrigatoriedade é prevista por lei federal

Na opinião do especialista, o poder público vai poder forçar um pouco a barra porque a lei 2.187 obriga que o governo autarquise concessões de serviço público e seja também avaliada essa questão. “Como não pode aplicar multas em quem não quiser ter responsabilidade social, o governo pode restringir que essas empresas sejam fornecedoras de órgãos públicos”, apontou, ressaltando que, com isso, as perdas serão muitas porque essas empresas não conseguirão mais vender seus produtos.
Segundo Yamauchi, é fácil saber quem faz uma ação social e ambiental, porque não sai soltando gases pela chaminé e não polui rios. “As duas coisas estão integradas, tanto que o balanço define o que é o social e o ambiental. Tem um capitulo especial para o social e o meio ambiente”, informou.

Envolver setores

Em dezembro do ano passado, a deputada Therezinha Ruiz (DEM) deu entrada no Projeto de Lei de Responsabilidade Social e Ambiental, que obriga as empresas a divulgarem seu balanço social e ambiental. A deputada já conversou com vários setores da sociedade, inclusive do terceiro setor, pedindo apoio para aprovação da lei. Ela disse ter consciência de que esta lei é importante para o Amazonas, porque vai gerar recursos que vão ser utilizados pelas próprias instituições do Estado, não precisará ir para fora fazer parte do dinheiro federal.
Segundo a parlamentar todos os setores terão que se adequar a lei, tanto as empresas como o terceiro setor e o governo. “Todas as secretarias estaduais terão que ter no seu balanço seus empreendimentos na área social, a indústria como um todo, instituições privadas, escolas particulares. Terão que ter um percentual e todos serão envolvidos e gerarão recursos para ser utilizado no Estado pelas instituições que atuam na área social”, salientou a deputada.
Segundo Therezinha, o PIM ainda está devagar nesta questão, mas já há uma lei nacional o que significa que todos terão que se adequar. Na reunião, da qual Takashi Yamauchi participou na ALE, juntamente representantes da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), do Iteam Instituto de Terras do Amazonas) e do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), ficou definida a criação de uma Frente Parlamentar objetivando a aprovação da referida lei.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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