A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, resultado de exportações de US$ 33,2 bilhões e importações de US$ 25,8 bilhões, informou nesta sexta-feira (4/9) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações cresceram 12,2% em relação a agosto de 2025, enquanto as importações avançaram 9,2%. A corrente de comércio alcançou US$ 58,9 bilhões, correspondendo a uma alta de 10,9%.
O desempenho das exportações foi sustentado principalmente pela elevação dos preços, que subiram 9,3%, mas também houve aumento de 2,2% no volume embarcado. Já nas importações, o crescimento de 9,2% foi resultado exclusivamente da alta dos preços, de 11%, enquanto o volume caiu 2%.
Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, a diferença entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações explica a expansão do saldo comercial. “O crescimento das exportações acima do aumento das importações propiciou um aumento de 23,8% no saldo comercial, que somou 7,4 bilhões [de dólares] nesse mês, contra 6 bilhões [de dólares] em agosto de 2025”, disse Brandão.
Tarifaço
Um dos principais pontos abordados durante a coletiva foi o impacto das novas tarifas norte-americanas sobre as exportações brasileiras. As vendas para os Estados Unidos (EUA) cresceram 12,1% em agosto, mas o volume embarcado recuou 3,1%, enquanto os preços aumentaram 8,6%.
Brandão afirmou que é esperado algum efeito das tarifas, que passaram a vigorar no fim de julho, mas ressaltou que o comportamento do comércio bilateral também é influenciado por contratos, preços e condições de oferta e demanda.
“Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo. É esperado que tenham essas oscilações por conta dessas interferências, não só pelos produtos diretamente afetados, mas também pelas incertezas que elas geram nos agentes da economia”, avalia o diretor.
Segundo Saulo Castro, coordenador-geral de Estatísticas, entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das exportações aos EUA em agosto estão aeronaves, carne bovina, produtos semiacabados de aço, materiais de construção, celulose e café.
Para os técnicos do MDIC, ainda é cedo para mensurar integralmente os efeitos das tarifas sobre o comércio brasileiro, porém cerca de 20% do comércio do Brasil com os EUA foi afetado pelas medidas em agosto. Além disso, a pauta de produtos atingidos é bastante diversificada.
“É bastante difícil isolar um efeito num período relativamente curto de tempo”, afirmou Brandão, ao explicar que o comércio internacional sofre simultaneamente influência de tarifas, conflitos geopolíticos e mudanças nos preços das commodities.
Redirecionamento
As exportações brasileiras para os EUA caíram US$ 2,6 bilhões no acumulado dos oito primeiros meses do ano, enquanto as vendas para China, Índia e Europa avançaram. Apesar disso, o MDIC ainda não identifica evidências suficientes para afirmar que produtos que perderam espaço no mercado americano estejam sendo redirecionados para outros destinos.
“Esse comportamento é esperado, mas é difícil observar nos dados e fazer essa avaliação nesse período de tempo. Precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento”, afirma Brandão.
União Europeia
Em sentido contrário ao movimento observado nos EUA, as exportações brasileiras para a União Europeia (UE) cresceram 46,4% em agosto, para US$ 5,8 bilhões. Entre os produtos que mais contribuíram para o resultado estão minério de cobre, petróleo bruto, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina.
Para Brandão, o avanço pode ter relação com a entrada em vigor, em maio, de reduções tarifárias previstas no acordo entre Mercosul e UE, embora ainda não seja possível mensurar exatamente o efeito da medida. “Provavelmente, tivemos um efeito do acordo. Temos relatos de exportadores que estão se beneficiando já da redução tarifária”.
O diretor ponderou, entretanto, que o resultado também reflete as condições internacionais de mercado. O minério de cobre, por exemplo, vem sendo favorecido pelo aumento da demanda associado à expansão de tecnologias como inteligência artificial e data centers. Petróleo, soja e café também apresentam condições favoráveis de demanda e competitividade brasileira.
Carne bovina para a China
Outro ponto abordado foi a redução dos embarques de carne bovina para a China. Segundo Brandão, o Ministério do Comércio chinês informou em agosto que 90% da cota brasileira já havia sido atingida, o que pode ter levado exportadores a antecipar uma redução dos embarques para evitar a incidência da tarifa sobre o volume excedente.
No caso do açúcar, cujas exportações recuaram 27,5% em volume em agosto, Brandão evitou atribuir o resultado diretamente a um único fator. Segundo ele, é necessário considerar as condições de oferta e demanda, inclusive o aumento da demanda por etanol e seus possíveis efeitos sobre a disponibilidade de açúcar.
Superávit no ano
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações brasileiras alcançaram US$ 250,9 bilhões, alta de 10,3%, enquanto as importações somaram US$ 195,5 bilhões, crescimento de 6,1%. O superávit chegou a US$ 55,3 bilhões, avanço de aproximadamente 28%, e a corrente de comércio atingiu US$ 446,4 bilhões, alta de 8,4%.
A China permanece como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 77 bilhões no acumulado do ano, alta de 15% e participação de 30,7% nas vendas externas. Para a UE, as exportações também cresceram 15%. Já as vendas para os EUA recuaram 9,7% e para a Argentina, 17,5%.
Na avaliação de Brandão, o resultado acumulado confirma uma trajetória de crescimento das exportações brasileiras ao longo de 2026, mas a leitura dos efeitos específicos de tarifas e mudanças nos fluxos comerciais exige tempo.
Entre janeiro e agosto deste ano, os principais produtos exportados foram soja, petróleo bruto, minério de ferro, carne bovina e óleos combustíveis. A soja gerou US$ 39,4 bilhões, alta de 15,2%, enquanto o petróleo alcançou US$ 36,9 bilhões, crescimento de 24%.







