Omar cresce em Manaus puxado pela máquina do governo

Em: 27 de abril de 2010
O poder da máquina do governo já está fazendo efeito na provável candidatura do governador do Amazonas, Omar Aziz (PMN)
O poder da máquina do governo já está fazendo efeito na provável candidatura do governador do Amazonas, Omar Aziz (PMN)

O poder da máquina do governo já está fazendo efeito na provável candidatura do governador do Amazonas, Omar Aziz (PMN). Tendo a estrutura do executivo estadual, que lhe oferece um suporte moderno e poderoso de comunicação e ainda o apoio do ex-governador e provável campeão de votos, Eduardo Braga (PMDB), Omar Aziz já consegue, nos quatro primeiros meses do ano, o que não conseguiu durante toda a campanha de 2008 (quando concorreu à prefeitura de Manaus): liderar em votos na capital.
Pesquisas relativas à intenção de votos para as eleições deste ano, já dão conta de um crescimento surpreendente de Omar Aziz, tanto na capital quanto no interior do Estado. Na última pesquisa divulgada pela empresa Perspectiva, Omar Aziz aparecia em 2º lugar nas intenções de votos no Amazonas. Para o presidente da Action Pesquisas, Afrânio Soares, Omar é forte candidato a vencer o pleito de outubro, sendo o que mais cresce em intenções de votos.
Vice-governador por mais de sete anos, o atual chefe do executivo está começando a tomar gosto e prática pela governança. Está aprendendo a barganhar com os prefeitos do interior; está trabalhando a sua imagem com ajuda de diversos assessores e segue os passos de seu antecessor, cumprindo intensa agenda de inaugurações, lançamento de obras e promessas de nova infraestrutura para o Estado.
A extensa e infindável agenda de governador está tornando Omar Aziz conhecido e respeitado no Estado. Alem disso, o governador está sentindo a força do cargo que ocupa, tendo sua imagem associada a programas sociais de sucesso, como o Prosamin (Programa Social de Ambiental dos Igarapés de Manaus) e Zona Franca Verde e a obras populistas como a construção da Ponte sobre o Rio Negro e as relacionadas á preparação de Manaus para a Copa do Mundo de futebol de 2014. Assim como Eduardo Braga, além de se associar às ações do governo, Aziz está usando ferramentas poderosas a seu favor, como um programa de rádio e equipe numerosa voltada para promover seu nome, em primeiro lugar, à despeito das obras do Estado.
Para Afrânio Soares, analista de opinião, proprietário da empresa Action Pesquisas, o crescimento de Omar Aziz, principalmente na Capital, demonstra um percentual de transferência de votos. “Há uma proporção muito forte de transferência de eleitorado de 7% a 12% com relação a este candidato. O se caracteriza em Manaus é a tendência que Omar Aziz cresça, apoiado pelo interesse dos eleitores do ex-governador e daquele grupo de cidadãos indecisos, que podem ser influenciados pela constante presença de Omar em inaugurações e na mídia”, avaliou.
Com pouco mais de um mês à frente, oficialmente, da máquina governamental, Aziz já se articulou com a maioria dos prefeitos do interior do Amazonas, que já sinalizaram com o apoio à campanha do governo atual e deu um passo à frente dos adversários com o flerte ao eleitorado feminino, ao reunir, com a primeira-dama do Estado, as esposas de prefeitos do interior e lideranças femininas. Além disso, passou a pleitear, pessoalmente, apoio de outros partidos á sua candidatura, como é o caso de sua aproximação com o PSDB de Arthur Neto e José Serra; o PCdoB, de Vanessa Grazziotin e Eron Bezerra e o PT, do líder do governo na ALE (Assembléia Legislativa do Estado), Sinésio Campos, causando verdadeira crise interna.

Polarização reduz chances de dois turnos

Com a união de duas fortes candidaturas, como é o caso de Alfredo Nascimento (PR) e Serafim Corrêa (PSB), pode causar uma reviravolta intensa no cenário eleitoral atual. Segundo Afrânio Soares, uma possível união entre os candidatos não resulta, necessariamente, em uma fusão de votos. Para o proprietário da Action Pesquisas, há perdas. “É preciso esperar o começo da campanha para que o eleitor veja se a parceria Alfredo-Serafim dá certo. Se é atrativa. Se os dois realmente estarão afinados. Nem todos os que votam em Serafim podem confiar no nome que compõe a cabeça de chapa e vice-versa”, avaliou.
A polarização que se formaria com esse cenário, entre dois fortes candidatos (Omar Aziz e Alfredo), no entanto, é uma antecipação de um possível 2º turno de eleições. “A probabilidade de um destes candidatos alcançar 50% mais 1 voto, é muito grande. A polarização não atrapalha o desempenho eleitoral dos candidatos”.
Quanto a Omar, a indefinição não o atrapalha, mas também não beneficia, porque o tira do foco do tema ‘eleições’”, explicou
Para Afrânio, a mola de propulsão do governador Omar Aziz tem sido a comunicação e a associação com Braga. “Toda candidatura conta com os que simpatizam com um nome; os que aderem ao programa e ao candidato e os que são ‘transferidos’ pela coligação ou por um político específico. Por isso há uma oscilação tão forte entre uma eleição para outra”, explicou, lembrando que o ex-prefeito Serafim Corrêa perdeu as eleições em 2008 e agora aparece como um dos mais cotados para o cargo de governador e, da mesma forma, Omar Aziz também surge com mais força.
“Além de contar com a fidelidade de um grupo de eleitores que sempre votam em Serafim Corrêa, o ex-prefeito conta ainda com a aderência de eleitores que passaram a acreditar em seu nome e simpatizar com seu estilo. Já Omar Aziz que, mesmo com o apoio de Eduardo Braga não passou da 3ª colocação no último pleito, surge com mais força puxado pela sua aparição constante. Mas este é apenas o período pré-eleitoral. Tudo pode mudar”, comento Afrânio.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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