JC acompanha operação do Chibatão em Itacoatiara para aliviar cargas durante estiagem

Em: 6 de outubro de 2026
Foto: Divulgação Chibatão

O Jornal do Commercio acompanhou, em Itacoatiara, a primeira operação do píer provisório do Grupo Chibatão em 2026, em uma estrutura criada para reduzir os impactos da estiagem sobre a navegação e manter o fluxo de cargas para Manaus. A convite da empresa, a equipe do JC esteve no município junto com profissionais de monitoramento, fiscalização da Receita Federal, Marinha do Brasil e representantes da cadeia de indústria, navegação, comércio exterior e logística.

A operação ocorreu na noite deste domingo (4), quando o navio Fernão de Magalhães, da Aliança Navegação e Logística, atracou na estrutura instalada na região do Tabocal, no Rio Amazonas.

Com 1.111 contêineres a bordo, o navio teve 290 unidades retiradas e transferidas para três balsas. O procedimento reduz o peso e o calado da embarcação, permitindo que ela continue a viagem até Manaus, enquanto a carga retirada segue por balsas.

A estratégia, conhecida como alívio de carga, é utilizada à medida que a redução do nível dos rios cria restrições para a navegação de grandes embarcações.

“Estamos na terceira fase da operação em Itacoatiara. A primeira foi o deslocamento do píer, a segunda foi a ancoragem de toda essa infraestrutura no Rio Amazonas e agora chegamos à atracação e à operação do navio”, explicou o diretor-executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis.

Segundo ele, a quantidade de carga retirada pode aumentar caso as condições de navegabilidade piorem.

“É basicamente uma operação de alívio de carga. Se houver uma necessidade realmente da passagem, caso haja um trecho mais crítico de navegação, poderá ser feito o transbordo de 100%. Enquanto isso não acontece, estamos garantindo o alívio de carga para que as cargas continuem chegando a Manaus e abastecendo o Estado”, afirmou.

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Empresa coloca em ação estratégia para manter logística do Amazonas durante a estiagem Grupo Chibatão realiza primeira operação em Itacoatiara (Foto: Divulgação/Chibatão)

Quando o navio precisa ficar mais leve

A lógica do píer provisório é fazer com que a carga continue avançando mesmo quando o nível do Rio Amazonas começa a dificultar a navegação de grandes navios.

Segundo o Chibatão, na prática, o processo funciona em três etapas: o navio chega a Itacoatiara, parte dos contêineres é retirada e colocada em balsas e a embarcação segue mais leve em direção a Manaus. As balsas fazem o mesmo percurso com a carga transbordada.

No primeiro teste de 2026, o Fernão de Magalhães chegou com 1.111 contêineres e teve 290 retirados para três balsas.

O modelo poderá ser ampliado conforme as condições do rio.

“Se houver uma necessidade realmente da passagem, caso haja um trecho mais crítico de navegação, poderá ser feito o transbordo de 100%”, explicou Jhony Fidelis.

De olho em cada contêiner

Outra frente da operação está no monitoramento. Um sistema de line-up permitirá acompanhar em qual balsa cada contêiner foi colocado e onde será descarregado em Manaus.

A medida busca corrigir uma dificuldade registrada durante a operação de 2024, quando o grande volume de cargas movimentadas tornou mais complexa a previsibilidade para os clientes.

“A gente sabe que nós sofremos muito em 2024 por causa dessa previsibilidade, mas, no sistema hoje, já vai aparecer em qual balsa aquele contêiner foi carregado e descarregado lá em Manaus”, explicou Jhony.

A operação também conta com o acompanhamento da Receita Federal, por meio da Aduana Flutuante, com câmeras, monitoramento em tempo real e GPS nas balsas.

Itacoatiara ganha papel estratégico

Segunda cidade mais populosa do Amazonas, Itacoatiara está localizada a cerca de 270 quilômetros de Manaus e ocupa uma posição estratégica na logística estadual. Conhecida como Velha Serpa e Cidade da Pedra Pintada, a cidade tem importância histórica e econômica e volta a desempenhar uma função relevante durante o período de vazante.

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“Estamos na terceira fase da operação em Itacoatiara”, explicou o diretor-executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis. (Foto: Reprodução Redes Sociais JC)

A escolha do município permite criar um ponto de transição entre a navegação de grandes embarcações e o transporte por balsas. O navio chega a Itacoatiara, reduz o peso da carga e continua em direção à capital, enquanto os contêineres retirados seguem por outra embarcação.

A experiência já havia sido utilizada em 2024. Durante uma das estiagens mais severas registradas na região, a estrutura montada pelo Grupo Chibatão no município movimentou quase 59 mil contêineres, contribuindo para a continuidade do transporte de matérias-primas, produtos e insumos destinados à indústria e ao comércio do Amazonas.

Para 2026, o píer retorna ao município depois de meses de planejamento e deslocamento desde Manaus.

Estrutura preparada para trabalhar 24 horas

A estrutura foi montada para funcionar 24 horas por dia, com três guindastes e um equipamento de apoio. Aproximadamente 150 profissionais estão envolvidos na operação, sendo 50 contratados em Itacoatiara.

A meta operacional é chegar a 22 movimentos por hora, permitindo que o sistema acompanhe a chegada dos navios durante a estiagem.

“Assim como foi em 2024, nós operamos mais de mil contêineres por mês. Agora, a linha será muito mais rápida e, na sequência, vem o próximo navio”, afirmou Jhony.

Além da velocidade, uma das principais mudanças está na possibilidade de acompanhar melhor o caminho percorrido pelos contêineres depois do transbordo.

O sistema de line-up das balsas deverá informar quais contêineres foram colocados em cada embarcação e acompanhar a descarga em Manaus. As informações também deverão ser compartilhadas com os clientes a cada operação, conforme os procedimentos definidos pelos armadores.

Receita Federal acompanha transbordo

A primeira atracação também marcou o início da Operação Aduana Flutuante, da Receita Federal. A delegada-adjunta da Alfândega da Receita Federal em Manaus, Fernanda Printes, acompanhou a chegada do navio e a inspeção da estrutura.

“Hoje estamos dando início à Operação Aduana Flutuante. Nossa equipe acompanhou a saída do píer de Manaus e agora está em Itacoatiara para realizar a inspeção da estrutura e acompanhar a atracação do primeiro navio”, afirmou.

O controle aduaneiro conta com câmeras de monitoramento, acompanhamento em tempo real e GPS nas balsas envolvidas na movimentação das cargas.

“A Receita Federal será responsável pelo controle aduaneiro dessas operações, com acompanhamento por câmeras, monitoramento em tempo real e GPS nas balsas. A partir da próxima semana, teremos equipes se revezando aqui até dezembro para acompanhar as operações no píer”, explicou Fernanda.

Segurança começa antes da atracação

A Marinha do Brasil participou das avaliações necessárias para a instalação e funcionamento da estrutura. O capitão dos Portos da Amazônia Ocidental, André Carvalhaes, explicou que o trabalho começou antes mesmo de o píer chegar a Itacoatiara.

“O trabalho que começa com essa primeira operação, na verdade, começou muito antes, com as análises da estrutura, a movimentação do píer até Itacoatiara e todas as avaliações de segurança realizadas pela Marinha”, afirmou.

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A delegada-adjunta da Alfândega da Receita Federal em Manaus, Fernanda Printes, acompanhou a chegada do navio (Foto: Reprodução Redes Sociais/JC)

Na primeira atracação, foram acompanhados o posicionamento do píer e as condições de manobra.

“Agora estamos verificando o posicionamento do píer, as condições de manobra e acompanhando a primeira atracação. É uma solução muito importante para garantir a logística do nosso Estado, sempre com eficiência e, principalmente, segurança para o navio, as balsas e todos os profissionais envolvidos na operação”, destacou.

Trabalho local

A instalação da estrutura também movimenta mão de obra no município. Dos cerca de 150 profissionais envolvidos na operação, 50 foram contratados em Itacoatiara.

O píer permanecerá instalado no Rio Amazonas enquanto as condições de navegabilidade exigirem a operação de transbordo. A estrutura poderá ser utilizada para retirar apenas a quantidade de carga necessária para permitir a passagem dos navios ou, em um cenário mais crítico de vazante, ampliar a operação.

Para Jhony Fidelis, a estrutura também representa a continuidade da atuação iniciada pelo fundador do grupo, José Ferreira de Oliveira, o Sr. Passarão.

“O Grupo Chibatão se sente muito honrado e muito feliz em poder, através da sua infraestrutura, contribuir com a logística do Amazonas, assim como o nosso fundador, o Sr. Passarão, fazia. O DNA dele está vivo em cada um de nós e temos a responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho”, afirmou.

A primeira operação coloca novamente Itacoatiara no centro da estratégia de contingência logística do Amazonas, com uma estrutura capaz de adaptar a movimentação de cargas às condições do rio e reduzir os efeitos da estiagem sobre o abastecimento, o comércio e o Polo Industrial de Manaus (PIM).

Leia mais: Píer provisório do Chibatão segue para Itacoatiara e reforça logística durante vazante

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
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