Manaus enfrentou, nesta sexta-feira (9), mais um dia de fumaça intensa, com níveis críticos de poluição, suspensão das aulas da rede municipal e reforço nas operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas. A situação se agravou desde quinta-feira (8), levando a Defesa Civil a emitir um alerta severo e recomendar o uso de máscaras.
Sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram concentrações de partículas finas PM2,5 de até 348,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em pontos da capital na manhã de sexta-feira. Na noite anterior, as medições chegaram a 305,3 µg/m³.
A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração dessas partículas fica entre zero e 25 µg/m³. No sistema Selva, valores acima de 160 µg/m³ ultrapassam o limite superior da faixa classificada como péssima.
Aulas suspensas e alerta à população
Diante do cenário, a Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas da rede municipal nesta sexta-feira. A decisão, anunciada pelo prefeito Renato Júnior, também abrange centros de atendimento especializados, Centros Municipais de Arte-Educação (CMAEs) e o Parque Cidade da Criança.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed), a concentração média de partículas poluentes chegou a 196,4 µg/m³. A medida preventiva busca reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça. Até a divulgação do comunicado, não havia previsão para a retomada das atividades.
A Defesa Civil recomendou evitar atividades físicas intensas ao ar livre, manter a hidratação e utilizar máscaras PFF2 ao sair de casa. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares exigem atenção especial. Em caso de falta de ar, dor no peito ou agravamento dos sintomas, a orientação é procurar atendimento médico.
Queimadas atingem capital e interior
A fumaça está associada à intensificação das queimadas na Região Metropolitana e em outras áreas do Amazonas. A Prefeitura de Manaus apontou incêndios em Itacoatiara como uma das principais origens da fumaça que chega à capital.
O município enfrenta dois incêndios de grandes proporções: um próximo ao bairro Jacarezinho, registrado na quarta-feira (7), e outro na região do Lago do Canaçari, que já se aproximava de três semanas de duração. Em Manaus, um incêndio em um terreno no Distrito Industrial 2, na Zona Leste, também permanecia ativo havia mais de 48 horas, conforme informações divulgadas.
No interior, nove municípios registraram qualidade do ar péssima pelo Selva. Entre os índices divulgados estão 370,5 µg/m³ em Novo Aripuanã, 285,4 µg/m³ em Urucurituba e 402,6 µg/m³ em Parintins. Neste último município, foram registrados 20 focos de incêndio na quinta-feira, em áreas urbanas e rurais.
O Governo do Amazonas relacionou o cenário à intensificação das queimadas e às condições climáticas, incluindo fatores associados ao El Niño.
Ibama reforça combate aos incêndios
Segundo o governo federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atua no combate a 20 incêndios florestais no Amazonas, enquanto outros 211 já foram extintos.
O reforço prevê o deslocamento de 40 brigadistas de outras regiões, que se juntarão aos 250 profissionais do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que atuam permanentemente no estado. A operação contará ainda com três aeronaves: dois aviões e um helicóptero.
O governo federal também enviou ao Amazonas um avião agrícola Thrush S2R-510, com capacidade para lançar até 1.930 litros de água por operação. A aeronave já foi utilizada em ações em Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Manaus. No âmbito estadual, a Operação Amazonas+Verde mobiliza cerca de mil bombeiros e brigadistas em 33 municípios.
Além do combate às chamas, o Ibama notificou 421 propriedades rurais para que adotem medidas preventivas e intensificou a fiscalização contra o uso irregular do fogo.
Recursos para prevenção
O Fundo Amazônia aprovou o projeto ProAmazon, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, no valor de R$ 45 milhões. Os recursos serão destinados ao fortalecimento da estrutura operacional da corporação, incluindo aquisição de equipamentos, ampliação da frota e construção de bases.
Enquanto as equipes trabalham para controlar os incêndios, Manaus continua enfrentando os efeitos da fumaça. A orientação das autoridades é acompanhar os alertas oficiais, reduzir a exposição aos poluentes e redobrar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde.















