Manaus voltou a amanhecer encoberta por fumaça nesta sexta-feira (9), agravando uma situação que já vinha preocupando os moradores nos últimos dias. O cenário se intensificou entre quinta-feira (8) e as primeiras horas desta sexta, quando a poluição atingiu níveis extremos e levou a Defesa Civil a emitir um alerta severo para a população. A recomendação é usar máscaras ao sair de casa e evitar a exposição direta à fumaça.
Na noite de quinta-feira, a capital amazonense registrou, pela segunda vez no mesmo dia, o pior nível da escala de qualidade do ar e figurou entre as cidades com a maior concentração de poluentes do país. Em alguns pontos, os índices chegaram a 305,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Na manhã desta sexta, porém, os sensores voltaram a apontar números ainda mais elevados, indicando que o problema persistia.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), registrados às 5h56, mostraram concentrações de partículas finas PM2,5 de 252,7 µg/m³, 260,1 µg/m³ e um pico de 348,2 µg/m³ em diferentes pontos de Manaus. Na escala utilizada pelo sistema, valores acima de 160 µg/m³ ultrapassam o limite superior da faixa considerada péssima.
Para efeito de comparação, a qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas permanece entre zero e 25 µg/m³. Os níveis observados na capital, portanto, representam uma exposição preocupante à poluição atmosférica, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
O alerta enviado aos celulares dos moradores reforçou a necessidade de reduzir o contato com a fumaça. A orientação é evitar atividades físicas intensas ao ar livre e utilizar máscaras adequadas para filtrar partículas finas, preferencialmente do tipo PFF2, quando for necessário sair de casa.

Queimadas atingem a capital e o interior
A fumaça que encobre Manaus está associada ao avanço das queimadas na Região Metropolitana e em outras áreas do Amazonas. A Prefeitura de Manaus atribuiu o problema, principalmente, a incêndios na região de Itacoatiara. O município enfrenta dois focos de grandes proporções: um registrado na quarta-feira (7), nas proximidades do bairro Jacarezinho, e outro na região do Lago do Canaçari, que já se aproximava de três semanas de duração.
Na capital, um incêndio em um terreno no Distrito Industrial 2, na Zona Leste, também chama a atenção. As chamas permaneciam no local havia mais de 48 horas, segundo as informações divulgadas. O incêndio não foi citado pela prefeitura ao comentar as possíveis origens da fumaça que atingiu a cidade.
O Governo do Amazonas, por sua vez, relacionou o cenário à intensificação das queimadas e às condições climáticas. Na quinta-feira, o governador Roberto Cidade comandou uma reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais para discutir medidas de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios no estado.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Miqueias Santos, mencionou a influência das condições climáticas associadas ao El Niño. A combinação de vegetação seca, calor e focos de incêndio favorece a propagação das chamas e agrava os efeitos da fumaça sobre as áreas urbanas.
O problema também alcança o interior. Além da capital, nove municípios tiveram a qualidade do ar classificada como péssima pelo SELVA. Entre os registros divulgados estão Novo Aripuanã, com 370,5 µg/m³; Autazes, com 282,7 µg/m³; Urucurituba, com 285,4 µg/m³; e Parintins, onde a concentração chegou a 402,6 µg/m³.
Em Parintins, 20 focos de incêndio foram registrados na quinta-feira, tanto na área urbana quanto na zona rural. As equipes de bombeiros atuaram no combate às ocorrências com o apoio de moradores. Em Careiro da Várzea, outro incêndio atingiu uma área de vegetação nas proximidades do ramal do Bom Futuro.

Avião reforça combate aos incêndios
Diante do avanço das queimadas, o Governo Federal enviou ao Amazonas um avião agrícola Thrush S2R-510 para reforçar as operações de combate aos incêndios florestais. A aeronave tem capacidade para lançar até 1.930 litros de água por operação e já foi utilizada em ações em Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Manaus.
No âmbito estadual, a Operação Amazonas+Verde mobiliza cerca de mil bombeiros e brigadistas em 33 municípios. O trabalho envolve o combate direto aos focos de incêndio e ações destinadas a conter a propagação das chamas.
Apesar do reforço nas operações, a persistência da fumaça sobre Manaus evidencia a dimensão do desafio. Além de controlar os incêndios, as autoridades precisam acompanhar a evolução da qualidade do ar e orientar a população sobre os riscos da exposição aos poluentes.
Risco à saúde exige cuidados
As partículas finas presentes na fumaça podem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar problemas de saúde. Em períodos de poluição elevada, pessoas com asma, bronquite e outras doenças respiratórias podem apresentar piora dos sintomas. Crianças e idosos também estão entre os grupos que exigem maior atenção.
A recomendação é manter os ambientes internos protegidos da entrada de fumaça sempre que possível, reduzir a exposição ao ar livre e manter a hidratação. Pessoas que precisarem sair devem considerar o uso de máscara PFF2, que oferece maior capacidade de filtragem de partículas finas do que máscaras de tecido comuns.
Em caso de falta de ar, dor no peito ou agravamento importante de sintomas respiratórios, a orientação é procurar atendimento médico.
Com os índices de poluição em patamares extremos e sem previsão de chuva para os próximos dias, a perspectiva é de que os moradores continuem enfrentando condições desfavoráveis. Até que os focos de incêndio sejam controlados e a qualidade do ar melhore, a recomendação das autoridades é acompanhar os alertas oficiais e limitar ao máximo a exposição à fumaça.















