Quase metade (48%) dos consumidores de eletrônicos usa assistentes de inteligência artificial (IA) em pelo menos uma etapa da jornada de compra, proporção que coloca a categoria à frente de todas as outras analisadas no Consumer Electronics Pulse 2026, estudo global da Criteo. Entre esses usuários, 61% afirmam que produtos recomendados ou destacados nas respostas da IA influenciariam suas decisões.
O levantamento combina dados de comércio de centenas de marcas e varejistas com uma pesquisa feita com mais de 6 mil consumidores em diferentes países. O retrato é o de uma compra de eletrônicos cada vez mais longa, distribuída entre vários canais e aberta a marcas que o consumidor ainda não conhecia.
“Eletrônicos lideram entre as categorias analisadas quando se trata do uso de IA nas compras. As marcas devem desenvolver uma estratégia específica para determinar como seus produtos serão apresentados e como irão se relacionar com os consumidores em ambientes de IA”, afirma Tiago Cardoso, diretor-geral da Criteo para a América Latina.
Decisão mais demorada
Na comparação com outras categorias, a compra de eletrônicos exige mais tempo de reflexão: 24% dos consumidores levam entre duas semanas e um mês para decidir, contra 14% em moda e vestuário e 11% em beleza e cuidados pessoais. Outros 15% demoram mais de um mês para fechar a compra.
Ao longo desse período, o consumidor também amplia as fontes de consulta. Segundo o estudo, 35% pesquisam em quatro ou mais sites ou outras fontes antes de comprar, e apenas 12% recorrem a uma única fonte. Para Cardoso, como a pesquisa pode começar muito antes da compra, essa janela abre espaço para que as marcas estejam presentes em diferentes pontos de contato, como TV conectada, redes sociais, ferramentas de IA e sites de varejistas.
Peso das promoções
Num momento em que o varejo se prepara para a Black Friday, o estudo mostra que o calendário promocional interfere diretamente na decisão. Dos consumidores ouvidos, 41% dizem esperar por promoções ou grandes eventos de vendas antes de comprar, e outros 45% afirmam que esses eventos às vezes influenciam o momento da compra.
“A demanda aumenta durante eventos sazonais e promocionais, mas os maiores picos variam de acordo com cada mercado. É importante manter uma estratégia always-on e, ao mesmo tempo, ajustar os investimentos de acordo com as ocasiões locais que geram os maiores níveis de atividade de compra”, diz Cardoso.
Espaço para marcas novas
A fragmentação da jornada também favorece quem ainda não está no repertório do consumidor: cerca de um terço (34%) dos compradores de eletrônicos no mundo adquiriu produtos de uma marca da qual não havia comprado nos 12 meses anteriores. Segundo o estudo, esse comportamento indica que estratégias voltadas à descoberta e à consideração podem ser tão importantes quanto as focadas diretamente na conversão.















