Quando vejo os números mais recentes da nossa Zona Franca de Manaus, sinto um orgulho misturado com uma urgência ainda maior de defender o que é nosso. Bater a marca histórica de R$ 165,2 bilhões em faturamento em agosto, com um crescimento expressivo de quase 15%, não é apenas uma estatística fria em uma planilha. É a prova viva da força, do suor e do talento de mais de 135 mil trabalhadores que vestem a camisa diariamente nas indústrias do nosso polo. Recentemente, o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, começou um pronunciamento chamando o nosso modelo de “Zona Franca do Brasil”. Essa frase sintetizou com perfeição o que venho defendendo ao longo de toda a minha trajetória como economista, empresário e representante da indústria de alimentação. Muitas vezes, ouvimos críticas e ataques vindos do Sul e do Sudeste. Tratam a Zona Franca como se fosse um privilégio isolado ou um “favor” fiscal do governo para o Norte. Isso é um equívoco profundo. A Zona Franca de Manaus não beneficia apenas quem mora no Amazonas. Ela gera riqueza e demandas para o país inteiro. Para que uma fábrica funcione aqui em Manaus, ela compra insumos, embalagens, tecnologia e serviços produzidos justamente em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. O dinheiro que circula aqui irriga a economia de todo o Brasil. Um polo industrial forte gera renda, consumo e impostos que sustentam serviços essenciais e ajudam a manter a estabilidade econômica nacional. Ao dar alternativas reais de trabalho e renda na indústria para a nossa população, impedimos que milhares de famílias precisem recorrer ao desmatamento ou à exploração predatória para sobreviver. A Zona Franca é o maior e mais bem-sucedido programa de preservação ambiental do planeta. Como presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus vejo de perto como a força do nosso polo garante segurança alimentar, gera oportunidades e movimenta uma cadeia gigantesca que vai do pequeno produtor rural ao grande fornecedor. Ataques ao nosso modelo nascem do desconhecimento da nossa realidade geopolítica e social. A Zona Franca não tira nada de ninguém; ela soma, integra e protege. Estes R$ 165,2 bilhões provam que, quando o Amazonas avança, o Brasil inteiro cresce junto. Está na hora de olharmos para Manaus não como uma exceção distante, mas como o motor de desenvolvimento e sustentabilidade que o Brasil tanto precisa.















