Entre gritos e anseios a democracia votada

Em: 16 de outubro de 2026

Com magoas, anseios, frustrações, gritos e saturação o povo brasileiro eleitor compareceu às urnas para o escrutínio geral de 1º Turno. E as urnas falaram, para uns positivamente, para outros negativamente e frustrante, mas a democracia se faz merecer a vontade popular, pois o povo é seu senhor. A partir desse momento, sua a escolha está posta e nada mais é capaz de mudá-la. Resta aos descontentes e os pseudos ganhadores encarrar uma jornada de quatro anos de mandato, bons ou ruins, seja feita tua vontade e não adianta reclamar ou chorar, nada irá mudar tua situação. Vamos ao 2º Turno frente aos dois factíveis projetos de governo, um já testado exaustivamente sem nenhum resultado positivo, outro ainda não testado,  mas, com fatores positivos, conforme alguns resultados de mercado financeiro, Bolsa e câmbio (dólar).

Trago comigo a maior expressão do sistema de governo – a democracia, que as eleições com seu máximo instrumento na mão do eleitor brasileiro – o voto – pois todo o poder emana da vontade do povo eleitor, responsável por suas escolhas sobre quem os representará.

Nesses tempos atuais, a democracia tem sido testada por diversos meios, não somente nas urnas, também institucionais e outros movimentos diversos. Contudo, ela sempre prevalecerá na vontade popular do povo brasileiro.

No atual pleito, se assistiu que campanhas deram pistas de algum confronto mais grave, mas com cautela se contornou essas manifestações, mesmo com ataques de corrupção, tráfico de influências, falta de transparência institucionais, edição de mecanismos de controle alterando regras no decurso final de campanha, daqueles que se acham acima do bem e do mal.

Entretanto, se chegou até aqui em respeito a democracia, mas nesse período final de campanha que antecedeu o pleito desse domingo (04 de outubro) Associações científicas e profissionais da Ciência Política e de áreas correlatas divulgaram um manifesto expressando preocupação com os riscos ao processo eleitoral e à democracia no Brasil (que pode ser real até o final do 2º turno).

Segundo o manifesto, a democracia exige eleições livres, respeito aos resultados e proteção dos direitos. Nenhum mandato, afirmam os cientistas, autoriza o desmonte das garantias que tornam possível a soberania popular. Nesse sentido, o documento aponta a persistência de iniciativas que buscam deslegitimar as instituições eleitorais. Há riscos de fato.

Haja vista os últimos acontecimentos, a responsabilidade das autoridades é outra exigência. Denúncias de irregularidades ou conflitos de interesse devem ser apuradas com rigor, transparência e respeito à lei, independentemente da posição ideológica dos envolvidos.

A credibilidade das investigações, segundo o manifesto, não deve ser subordinada a conveniências da competição política. As associações pedem que lideranças políticas e meios de comunicação distingam fatos comprovados de indícios e acusações. As entidades conclamam autoridades e forças políticas a assumirem compromissos com a integridade do debate público, a tranquilidade das eleições, o respeito aos resultados e a soberania nacional.

Assistimos a sucessivas crises institucionais e políticas em que as autoridades escolhem, entre gritos e sussurros, o que deve ser levantado e o que deve ser abafado. Fica extremamente difícil ao eleitor escolher seus candidatos quando a informação é surrupiada ou revelada a conta-gotas, em nome de interesses privados ou de ideologias políticas.

Após o 1º turno das eleições de 2026, o cenário político brasileiro aponta para a manutenção e o acirramento da polarização entre a esquerda (representada por Lula) e a extrema direita (representada por Flávio Bolsonaro), com forte divisão do eleitorado e enfraquecimento relativo do Centrão tradicional.

As principais expectativas e dinâmicas para o período pós-1º turno incluem:

Disputa voto a voto e alta rejeição: Com uma margem estreita entre os dois principais concorrentes no pleito inicial, a campanha do segundo turno foca no desgaste da imagem do adversário e na mobilização de eleitores indecisos.

Transferência de votos e apoios do campo conservador: O tabuleiro político pressiona lideranças e partidos de centro-direita e centro a se posicionarem ou tentarem construir uma via de independência (como demonstram debates sobre o papel de governadores e siglas), embora a migração de eleitores tenda a reforçar a lógica binária.

Avanço da direita no Congresso e realinhamento partidário: Os resultados indicam o fortalecimento de identidades ligadas à direita e à “extrema” direita em várias regiões, moldando um parlamento bastante fragmentado e ideologicamente tensionado, o que dificulta a governabilidade futura, seja qual for o vencedor.

Clima de hostilidade e radicalismo: Analistas apontam que o tom da campanha e a divisão profunda da sociedade geram desafios severos para a transição de governo e para a busca de conciliação institucional após o pleito.

Democracias não colapsam apenas por golpes, mas também pelo desgaste cotidiano de seus valores. Recuperar o espírito republicano, com menos corporativismo e mais virtude cívica, deixou de ser uma escolha.

É inegável que, até aqui, as instituições republicanas resistiram aos ataques mais diretos à ordem democrática. Não houve ruptura institucional nem desmonte formal das garantias constitucionais. O sistema de pesos e contrapesos funcionou precariamente, pendendo para o lado de interesses dos membros do judiciário militante. A “democracia brasileira demonstrou resiliência”, e esse dado merece reconhecimento.

O problema, contudo, desloca-se do plano jurídico para o plano ético. As instituições podem funcionar formalmente e, ainda assim, sofrerem desgaste profundo perante a opinião pública. É isso que vem ocorrendo. O comportamento contraditório de autoridades dos Poderes tem corroído a liderança moral que sustenta a legitimidade republicana. Decisões tecnicamente corretas não bastam quando acompanhadas de sinais de corporativismo, casuísmo ou conveniência política. Em vez de fortalecerem a autoridade institucional, fragilizaram-na.

Quando a confiança pública é abalada no plano ético, instala-se um problema grave. A democracia não se sustenta apenas em regras, mas também em valores compartilhados entre instituições e sociedade. Nesse sentido, a reflexão clássica sobre a ética permanece atual. Para Aristóteles, a ética é um saber prático, voltado à ação orientada pelo bem comum. A virtude, governada pela razão, é o caminho para a realização humana, entendida não como interesse individual, mas como compromisso com a vida pública. Assim, é o status quo que se encontram as Instituições públicas para enfrentar o 2º Turno da Eleição 2026. O cenário apresenta grande risco democrático que algo grave aconteça.

A crise ética da política brasileira não é recente. Ela está associada ao financiamento da política, à confusão entre interesses públicos e privados e à captura do Estado por grupos organizados militantes de interesses privados. Observem o caso do Banco Master envolvendo ministros do STF. Esse ambiente alimenta a desconfiança generalizada e transforma cada movimento institucional em suspeita de manobra ou autoproteção.

Contudo, o Povo Brasileiro irá à luta e às urnas no 2º Turno acreditando na democracia brasileira.

 

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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