A Margherita, original de Nápoles, é preparada com massa fina simples de trigo, molho de tomate, muçarela de búfala e manjericão, mas nos Estados Unidos, por exemplo, as fatias são grandes e flexíveis, de pepperoni; na Suécia levam banana e frango; no Japão, lula grelhada; na Finlândia, carne de rena; na Tailândia, manga e pimenta. E em Manaus? Bem, a capital da Amazônia não poderia ficar de fora desse clube, e quem se destaca no meio é a Loppiano Pizza (rua Major Gabriel, 1859 – Praça 14 de Janeiro).
Fundada em 6 de abril de 1994, a Loppiano não surgiu por acaso, afinal de contas, Rogério Cunha, o empreendedor que abriu a pizzaria, era filho de Antônio Nuno Sobreira de Faria e Cunha, que em 1972 inaugurou a lanchonete Ziza’s. Por mais de 20 anos a Ziza’s fez história em Manaus, com cardápio inovador e destaque para o mate gelado, até hoje servido na Loppiano.
Com a experiência do pai e o apoio da esposa Maria de Lourdes Cunha, que na juventude vivera na cidade italiana de Loppiano, Rogério montou o cardápio do novo empreendimento, depois de fazer estágio numa pizzaria em São Paulo.
“Para você se manter em evidência, precisa apresentar diferenciais em relação aos concorrentes. Como no Brasil, cada estado e cada cidade, regionalizam suas pizzas, resolvi fazer o mesmo na Loppiano. E o que é que o manauara mais ama, na gastronomia? Alguns exemplos são o X-Caboquinho, o tacacá, o tucumã”, contou.
Surgiram assim a Caboquinha, a Pizza de Tacacá e a Caboca Pávula, com os mesmos ingredientes dos itens tão apreciados pelos manauaras.
“Eu criei essas pizzas há uns 20 anos, e até hoje elas estão entre as mais solicitadas pelos clientes”, revelou.
Homenagem às cabocas
As caboclas, ou cabocas no nosso linguajar, são homenageadas nessas duas pizzas: a Caboquinha e a Caboca Pávula (de pavulagem, de gostar de se exibir).
Caboca é a mulher do interior da Amazônia, resultante da mistura do branco colonizador com as indígenas. É quem, junto com os cabocos, perpetua a raça nos mais diversos rios da região.
Na Loppiano, a Caboquinha é uma pizza básica, que leva apenas muçarela, queijo coalho e tucumã, porém, os dois últimos ingredientes é que dão um toque marcante no sabor como resultado da mistura do salgado do queijo coalho com o adocicado do tucumã.
A Caboca Pávula, com muçarela, tucumã em fatias, queijo coalho e banana pacovã frita é o sanduíche X-Caboquinho apresentado numa massa redonda. Surgido há alguns anos nos cafés regionais, que se tornaram um hábito dos manauaras, o X-Caboquinho se transformou numa referência gastronômica amazonense, fazendo sucesso não só entre os barés, mas também entre quem vem a Manaus de outras terras.
Quanto à Pizza de Tacacá, Rogério conseguiu colocar essa sopa amazônica numa pizza. Os ingredientes básicos são mantidos: muçarela, molho de tomate e orégano, acrescidos do jambu, camarão e, para quem desejar, o tucupi à parte. Só não tem a goma.
“Com esses sabores bem nossos, homenageamos não só os manauaras, mas principalmente Manaus”, concluiu Rogério.

Da Antiguidade a Manaus
Os italianos tornaram a pizza famosa, mas seu conceito começou bem antes, na Antiguidade, quando povos do Mediterrâneo, egípcios, gregos e fenícios (estes viviam onde atualmente é o Líbano e partes da Síria e Israel) já faziam pães achatados, no formato de discos e assados, com ingredientes usados até os dias de hoje como ervas (orégano e manjericão), azeite e queijos.
Nápoles, na Itália, foi onde a pizza se popularizou, entre os séculos 16 e 18, como um alimento barato, preparado pela população pobre. Detalhe: o tomate só chegou à Europa após a colonização das Américas, após 1500, pois o fruto é nativo do continente americano tendo sido domesticado pelos maias e astecas, porém, demorou mais de 200 anos para ser utilizado na culinária europeia por ser considerado venenoso.
Ao Brasil, a pizza chegou entre os séculos 19 e 20 trazida pelos imigrantes italianos. Interessante é os italianos, que vieram para Manaus neste mesmo período, terem enriquecido a gastronomia local com pães, massas, embutidos, queijos e vinhos, mas não acrescentaram a pizza em seu cardápio, mesmo tendo vindo de regiões do sul da Itália, das proximidades de Nápoles.
Foram necessárias décadas para que os manauaras soubessem o sabor de uma pizza. Credita-se à Splash Pizza, fundada em 1983, no Dom Pedro, por Rodolfo Braga, o pioneirismo de produzir pizzas na cidade e apresentando outra novidade para a população manauara: a entrega em domicílio, o hoje famoso delivery (para quem não sabe, delivery é entrega, em inglês). Hoje são cinco Splash Pizza espalhadas pela cidade, e a do Dom Pedro continua na ativa.














