Tarifa de ônibus causa novo colapso

Em: 29 de junho de 2010
Justiça manda baixar tarifa. Sinetram não aceita redução e desafia a prefeitura de Manaus, que publica decreto reduzindo o valor para R$ 2,10, mas quem paga é a população, mais uma vez
Justiça manda baixar tarifa. Sinetram não aceita redução e desafia a prefeitura de Manaus, que publica decreto reduzindo o valor para R$ 2,10, mas quem paga é a população, mais uma vez

Uma das cidades mais promissoras do Brasil, com atividade industrial vigorosa e que está posicionada em uma das regiões mais ricas em recursos naturais do Planeta, Manaus ainda é tratada como um município isolado, pobre e dependente, onde poucos mandam e a população sofre pelos serviços ruins. O sistema de transporte público da cidade é um exemplo de como a sociedade vem sendo desrespeitada, enquanto prefeitura municipal, Sinetram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas) e os trabalhadores rodoviários travam uma guerra sem fim. Este ano, a tarifa de ônibus já mudou 3 vezes e paralisações gerais já ocorreram 4 vezes. A expectativa da população é que a tarifa volte a custar R$ 2,10 (e será a 4ª mudança) e a prefeitura avisou que o problema será resolvido esta semana.
Segundo a Semcom (Secretaria Municipal de Comunicação) a publicação do decreto que determina a redução do valor da passagem (de R$ 2,25 para R$ 2,10), no DOM (Diário Oficial do Município), nesta segunda-feira, resolverá o problema, uma vez que o Sinetram se recusou a reduzir o valor da passagem com a justificativa de que não haveria decreto ou ordem judicial.
Na última sexta-feira, a redução foi ordenada pela juíza titular da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal, Ida Maria Costa de Andrade. Segundo a prefeitura, o município cumpriu a ordem judicial pela redução, mas o Sinetram recusou-se a repassar a nova tarifa à população.
Este sistema de transporte coletivo em colapso, com frota reduzida, ônibus velhos, serviço defeituoso e que não oferece segurança e conforto à população, demonstra como Manaus precisa se apressar para reconstruir a cidade, se ainda pretender ser subsede da Copa do Mundo 2014, que acontece no Brasil.
Enquanto se aproxima nova guerra declarada entre poderes relacionados ao setor de transporte, a população assiste aos políticos e parlamentares se esquivarem do problema e jogarem culpa em outras gestões, sem resolver a situação.

Vereadores saem de ‘férias’ e não devem interferir

Para o presidente da Comissão de Transporte, viação e Obras Públicas da CMM (Câmara Municipal de Manaus), vereador Jaildo dos Rodoviários, resta a população esperar que as empresas acatem a ordem judicial e a prefeitura pressione para que o valor seja reduzido. “O Ministério Público ordenou a redução da tarifa e a justiça acatou. Cabe ao órgão gestor do sistema de transporte – prefeitura da cidade, pressione as empresas. Se isso não acontecer, os parlamentares podem sim tentar algo, mas à princípio a justiça já fez o que tinha de fazer”, afirmou o vereador.
Parlamentar escolhido pela população para defender os direitos do povo, os vereadores tem atuado pouco acerca do estrangulamento do setor e, aparentemente, neste caso, ficarão observando de longe novamente. A CMM entrou em recesso por 15 dias, na ultima sexta-feira (23). “Se a Justiça, que tem maior poder, não for respeitada pelos empresários, a Câmara não pode fazer muito”, revelou.
Uma reunião na Câmara, entre vereadores ‘voluntários’ estaria marcada para esta segunda-feira, segundo o vereador, para discutir o problema, mas o resultado do encontro não foi revelado pelo parlamentar.
A ultima paralisação, em maio deste ano, em que o sistema de transporte público funcionou com apenas 30% da frota em dias de semana, afetou mais de 800 mil pessoas e o comércio de Manaus amargou prejuízos incalculáveis.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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