Mercado de aluguéis do AM cresce com medo do futuro

Em: 5 de agosto de 2010
Dados obtidos com corretoras mostram que o segmento de aluguéis de imóveis residenciais já está com crescimento de até 30% na comparação dos sete meses iniciais de 2010 com o mesmo intervalo do ano passado
Dados obtidos com corretoras mostram que o segmento de aluguéis de imóveis residenciais já está com crescimento de até 30% na comparação dos sete meses iniciais de 2010 com o mesmo intervalo do ano passado

Dados obtidos com corretoras mostram que o segmento de aluguéis de imóveis residenciais já está com crescimento de até 30% na comparação dos sete meses iniciais de 2010 com o mesmo intervalo do ano passado, segundo empresas consultadas pelo Jornal do Commercio. O bom resultado se deve ao número crescente de pessoas que vêm à cidade a trabalho, principalmente, como mão-de-obra para o PIM (Polo Industrial de Manaus).
Mas, as imobiliárias demonstram preocupação em relação a 2012. O motivo são as facilidades para o financiamento para aquisição da casa própria. O gerente de vendas da Porto Seguro Imóveis, Benedito Cavalcante, observa que muitas pessoas estão usando o financiamento para comprar casas e apartamentos com a finalidade de alugar.
Hoje, esse sistema é uma das principais válvulas de impulsão para o mercado imobiliário, atendendo à demanda aquecida do segmento. A continuar essa dinâmica, no entanto, a tendência é que a cidade sofra um choque de oferta no futuro, com excesso de prédios e casas à disposição de um cliente que pode não aparecer.
Nas palavras do corretor, Jorge Ayub, Manaus passará por uma bolha econômica, a exemplo do ocorrido no mercado imobiliário dos EUA, embora em menores proporções. “Em 2012, vamos ter uma oferta muito alta de empreendimentos, principalmente os verticais [prédios]. Isso [o financiamento dos bancos] é uma faca de dois cumes no momento”, alertou.
Quem discorda da previsão feita pelas imobiliárias é o presidente do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Ericvaldo Lopes. O economista afirma que é muito cedo para se traçar esse futuro. Para ele, a questão fundamental é como as empresas que alugam imóveis vão tabelar os valores. “No futuro, devido à alta da oferta, as empresas terão de deixar os preços mais acessíveis e não mais supervalorizar determinadas áreas só porque uma obra está sendo feita no local”, arriscou.
Em nota, e secretária geral do Creci/AM (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas), Paula Aragão, informa que essa especulação ainda está muito longe de ocorrer. “A procura ainda é maior que a oferta e o mercado deverá se manter estável”, garantiu.

Executivos em visita ao PIM respondem pela maior parte da demanda

Segundo o corretor da 3R imóveis, Celso Grana, o mercado local passa por um período de falta de imóveis e isto influencia diretamente no valor das propriedades, tornando o preço do aluguel mais salgado em comparação aos demais estados. “As pessoas estão acostumadas a pagar barato e aqui é um pouco mais caro. No parque 10, o aluguel de um imóvel de médio porte custa, em média, R$ 2.500”, comentou. Celso destaca que em torno de 80% dos negócios fechados pela empresa são para pessoas de outras regiões do Brasil.
O corretor da Nortmóveis, Edmar Rosas, diz que o público que vem para Manaus a trabalho e precisa alugar um imóvel está acostumado a morar em zonas nobres de sua cidade de origem. “Os meus clientes que vêm do Rio de Janeiro moram em bairros como Tijuca e Grajaú. Aqui, eles querem pagar R$ 1.500 em um apartamento no Vieiralves. Mas, por esse preço, não há imóvel disponível nesse bairro”. Edmar explica que em Manaus às áreas correspondentes ao bairro da Tijuca e Grajaú equivalem ao valor dos bairros Cachoeirinha e Parque 10 de Novembro.
Já o corretor da C & Castro, Jorge Ayub, lembra que o setor de aluguéis está aquecido desde 2008. A expectativa é que o aumento da demanda chegue a 50% até o fim de 2010. Para o corretor, a situação econômica estável do país contribui para que as empresas do polo transfiram seus funcionários do Estado de origem para Manaus. Jorge destaca ainda a construção de novos prédios na cidade como fator que impulsionou o ramo da locação. “Só para se ter uma idéia, de março a julho, foram inaugurados 11 empreendimentos na cidade. Isso ajuda o mercado, pois há uma carência de espaço”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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