As atividades logísticas estão tendo uma tendência crescente de outsourcing. A terceirização de funções logísticas para as empresas, conhecidas como operadores de serviços logísticos (OSL) têm cada vez mais se tornado uma alternativa poderosa junto aos seus clientes, pois a terceirização corresponde à adoção de uma estratégia corporativa de redução que consiste na transferência de parte de seu processo ou atividades a terceiros, podendo-se demonstrar uma taxa de crescimento de no mínimo 15% ao ano. Um dos fatores que reforçam essa tendência é que a partir do momento que os OSL provêem serviços para múltiplos clientes, estes desempenham um significativo e crescente papel na busca pela otimização de toda a rede logística.
O atual crescimento da indústria de serviços logísticos não pode ser visto como resultado de um simples aumento do número de empresas que transferem atividades para terceiros. O escopo e o tipo de relacionamento entre cliente e fornecedor de atividades também tem evoluído. E, este novo relacionamento tem tornado mais complexa a decisão, a seleção do terceiro, o processo de negociação, a transferência das atividades e o monitoramento da terceirização.
É importante salientar que o próprio conceito dos OSL permite e o credencia a desenvolver processos e metodologias que agregam valor a operação logística convencional, como por exemplo, o 3PL (Third-partylogistics) fazendo com que se destaque a necessidade da integração da gama de serviços oferecida. A metodologia 3PL desenvolve atividades contratadas pelo cliente e o provêem com um gerenciamento de múltiplos serviços logísticos de toda sua cadeia de suprimentos, com uma coordenação sênior de forma integrada e sincronizada, oferecendo ao cliente a solução para os problemas naturais do seu fluxo logístico. Essa metodologia é apenas uma das que podem ser apresentadas.
Sem dúvida, há inúmeras outras metodologias que você pode considerar durante o processo de análise de terceirização, que deve ser desenvolvido e implantado em várias etapas. Dessa forma você consegue manter o domínio sobre sua operação e afasta o “fantasma” de uma terceirização equivocada, que é a razão mais temida nesse momento.
É necessário considerar a evolução das relações entre o cliente e seus fornecedores, não somente dos insumos e como também de serviços logísticos, pois as relações tradicionais de terceirização das atividades logísticas eram baseadas em transações unicamente comerciais, mas esta forma de relacionamento não é mais a única, e as parcerias vêm ganhando importância no atual contexto. As parcerias são caracterizadas por se estender por um longo período de tempo, envolver compartilhamento dos benefícios e obrigações, planejamento intensivo, troca de informações operacionais detalhadas e permitir controle das operações além dos limites da empresa.
O processo de terceirização das atividades logísticas, como realizado atualmente, é resultado de uma nova configuração das relações. A terceirização, ou outsourcing, tem conseqüências mais amplas para as organizações. E, esta evolução das relações logísticas tem resultados positivos, mas também tornou-se fonte de sérias falhas e desapontamentos para muitas organizações.
A atual relação que caracteriza a contratação de serviços logísticos, com uma maior integração entre as partes, é resultado do reconhecimento do papel estratégico desempenhado pela logística. Essa aderência e fundamental.
Pode-se classificar a evolução das formas de relacionamento entre cliente e fornecedor de serviços logísticos desde uma simples transação, caracterizada por relações onde há um baixo grau de comprometimento e pequena integração, até verdadeiras parcerias logísticas ou contratos de serviços logísticos integrados, que constituem a forma de cooperação mais extensiva, tanto em termos de formalidades como de obrigações mútuas. Neste tipo de relação, o prestador pode assumir todo ou parte do processo logístico. A solução logística é desenhada de acordo com os requisitos do cliente e, tipicamente, inclui inúmeras atividades que agregam valor.
Os riscos associados a esta forma de relacionamento também são maiores
As formas de relacionamento com maior grau de comprometimento e integração entre as partes, são consideradas estratégicas e constituem novos tipos de relações. A forma de relação caracterizada pela transação simples, ou mesmo repetida, pode ser comparada ao processo tradicional de compra de peças ou componente onde, em geral, a decisão é tomada com base no preço. Todas as demais formas têm um processo mais complexo.
A profunda transformação que está em evolução nesse ambiente nas estruturas empresariais, bem como na extensão e complexidade de suas atividades e processos, servem amplamente para confirmar uma necessidade de uma aproximação ainda maior entre logística e estratégia. E, esta visão da logística afetando a estratégia, faz com que os administradores optem pela terceirização após uma criteriosa análise do impacto desta decisão sobre a organização.
O insucesso em um processo de terceirização tem impacto significativo para a organização, diretamente e imediatamente nos custos, constituídos pelos custos diretos, envolvidos na implementação e no gerenciamento da parceria e nos custos de oportunidade – relativos à possibilidade de engajar-se em outra relação de maior sucesso. Isso tem que ser evitado.
Sem dúvidas, não são desprezíveis os riscos inerentes a um processo de aquisição de serviços, mas um planejamento adequado do processo pode reduzi-los significativamente. Este planejamento deve-se iniciar com a identificação da necessidade de mudança do sistema logístico da organização e a possibilidade de terceirização de algumas, ou todas, as atividades que o compõem. A análise do impacto da transferência destas para um terceiro é uma etapa importante no processo decisório. Além disso, se a empresa opta pela terceirização, há que se avaliar a forma como se dará a transferência destas atividades aos terceiros e como será monitorado o desempenho.
Nesse momento de análise, destacam-se quatro fases deste processo: análise de benchmarking interno, análise de benchmarking externo, negociação do contrato e gerenciamento da terceirização.
Um processo de análise se inicia com a questão de por quê terceirizar e quais as atividades que podem ser terceirizadas. Pode-se identificar diversas razões apontadas como motivadoras do processo de terceirização, tais como: necessidade de mudança, novas competências para o desenvolvimento eficiente das atividades logísticas, ou uma reconfiguração de sistemas logísticos existentes, redução de custos ou, pelo menos, transformar altos custos fixos em custos variáveis, e aumentar o nível de serviço oferecido aos clientes, e também concentrar-se em suas atividades principais e penetrar em novos mercados.
Em qualquer dos casos, a empresa deve acreditar que a terceirização seja uma alternativa viável para a obtenção de melhorias de seu sistema logístico ou adequação deste às atuais demandas do mercado.
Mas, há situações onde a terceirização não é possível ou não é indicada. Por exemplo: situações onde há operações que exigem investimentos muito específicos e difíceis de se tornarem rentáveis; operações que precisam de competências muito específicas, ou ainda, operações que demandam uma manipulação de informações julgadas estratégicas ou confidenciais. De qualquer forma, a decisão de terceirizar deve estar de acordo com o plano estratégico da organização.
Um aspecto bastante discutido está relacionado à centralidade da função logística para a organização, ou seja, a função logística deve ser terceirizada somente nos casos em que esta não constitui uma competência central da organização, mas pode gerar vantagens competitivas. A busca por um menor custo foi por muito tempo o aspecto principal da decisão de terceirizar.
Os projetos mais recentes mostram uma tendência à utilização de abordagens mais amplas, pois enquanto, inicialmente, as forças eram dirigidas para redução de custos e liberação de capital para investimentos em outras áreas, as forças atuais têm um caráter mais estratégico: aumentar a cobertura de mercado, melhorar o nível de serviço ou aumentar a flexibilidade para atender mudanças nos requisitos do consumidor. Esta mudança torna mais importante a análise dos custos e benefícios da terceirização já que pode-se avaliar o impacto da terceirização no nível estratégico, estrutural, funcional e operacional.







