O processo de terceirização das atividades logísticas

Em: 5 de agosto de 2010
As atividades logísticas estão tendo uma tendência crescente de outsourcing
As atividades logísticas estão tendo uma tendência crescente de outsourcing

As atividades logísticas estão tendo uma tendência crescente de outsourcing. A terceirização de funções logísticas para as empresas, conhecidas como operadores de serviços logísticos (OSL) têm cada vez mais se tornado uma alternativa poderosa junto aos seus clientes, pois a terceirização corresponde à adoção de uma estratégia corporativa de redução que consiste na transferência de parte de seu processo ou atividades a terceiros, podendo-se demonstrar uma taxa de crescimento de no mínimo 15% ao ano. Um dos fatores que reforçam essa tendência é que a partir do momento que os OSL provêem serviços para múltiplos clientes, estes desempenham um significativo e crescente papel na busca pela otimização de toda a rede logística.
O atual crescimento da indústria de serviços logísticos não pode ser visto como resultado de um simples aumento do número de empresas que transferem atividades para terceiros. O escopo e o tipo de relacionamento entre cliente e fornecedor de atividades também tem evoluído. E, este novo relacionamento tem tornado mais complexa a decisão, a seleção do terceiro, o processo de negociação, a transferência das atividades e o monitoramento da terceirização.
É importante salientar que o próprio conceito dos OSL permite e o credencia a desenvolver processos e metodologias que agregam valor a operação logística convencional, como por exemplo, o 3PL (Third-partylogistics) fazendo com que se destaque a necessidade da integração da gama de serviços oferecida. A metodologia 3PL desenvolve atividades contratadas pelo cliente e o provêem com um gerenciamento de múltiplos serviços logísticos de toda sua cadeia de suprimentos, com uma coordenação sênior de forma integrada e sincronizada, oferecendo ao cliente a solução para os problemas naturais do seu fluxo logístico. Essa metodologia é apenas uma das que podem ser apresentadas.
Sem dúvida, há inúmeras outras metodologias que você pode considerar durante o processo de análise de terceirização, que deve ser desenvolvido e implantado em várias etapas. Dessa forma você consegue manter o domínio sobre sua operação e afasta o “fantasma” de uma terceirização equivocada, que é a razão mais temida nesse momento.
É necessário considerar a evolução das relações entre o cliente e seus fornecedores, não somente dos insumos e como também de serviços logísticos, pois as relações tradicionais de terceirização das atividades logísticas eram baseadas em transações unicamente comerciais, mas esta forma de relacionamento não é mais a única, e as parcerias vêm ganhando importância no atual contexto. As parcerias são caracterizadas por se estender por um longo período de tempo, envolver compartilhamento dos benefícios e obrigações, planejamento intensivo, troca de informações operacionais detalhadas e permitir controle das operações além dos limites da empresa.
O processo de terceirização das atividades logísticas, como realizado atualmente, é resultado de uma nova configuração das relações. A terceirização, ou outsourcing, tem conseqüências mais amplas para as organizações. E, esta evolução das relações logísticas tem resultados positivos, mas também tornou-se fonte de sérias falhas e desapontamentos para muitas organizações.
A atual relação que caracteriza a contratação de serviços logísticos, com uma maior integração entre as partes, é resultado do reconhecimento do papel estratégico desempenhado pela logística. Essa aderência e fundamental.
Pode-se classificar a evolução das formas de relacionamento entre cliente e fornecedor de serviços logísticos desde uma simples transação, caracterizada por relações onde há um baixo grau de comprometimento e pequena integração, até verdadeiras parcerias logísticas ou contratos de serviços logísticos integrados, que constituem a forma de cooperação mais extensiva, tanto em termos de formalidades como de obrigações mútuas. Neste tipo de relação, o prestador pode assumir todo ou parte do processo logístico. A solução logística é desenhada de acordo com os requisitos do cliente e, tipicamente, inclui inúmeras atividades que agregam valor.

Os riscos associados a esta forma de relacionamento também são maiores
As formas de relacionamento com maior grau de comprometimento e integração entre as partes, são consideradas estratégicas e constituem novos tipos de relações. A forma de relação caracterizada pela transação simples, ou mesmo repetida, pode ser comparada ao processo tradicional de compra de peças ou componente onde, em geral, a decisão é tomada com base no preço. Todas as demais formas têm um processo mais complexo.
A profunda transformação que está em evolução nesse ambiente nas estruturas empresariais, bem como na extensão e complexidade de suas atividades e processos, servem amplamente para confirmar uma necessidade de uma aproximação ainda maior entre logística e estratégia. E, esta visão da logística afetando a estratégia, faz com que os administradores optem pela terceirização após uma criteriosa análise do impacto desta decisão sobre a organização.
O insucesso em um processo de terceirização tem impacto significativo para a organização, diretamente e imediatamente nos custos, constituídos pelos custos diretos, envolvidos na implementação e no gerenciamento da parceria e nos custos de oportunidade – relativos à possibilidade de engajar-se em outra relação de maior sucesso. Isso tem que ser evitado.
Sem dúvidas, não são desprezíveis os riscos inerentes a um processo de aquisição de serviços, mas um planejamento adequado do processo pode reduzi-los significativamente. Este planejamento deve-se iniciar com a identificação da necessidade de mudança do sistema logístico da organização e a possibilidade de terceirização de algumas, ou todas, as atividades que o compõem. A análise do impacto da transferência destas para um terceiro é uma etapa importante no processo decisório. Além disso, se a empresa opta pela terceirização, há que se avaliar a forma como se dará a transferência destas atividades aos terceiros e como será monitorado o desempenho.
Nesse momento de análise, destacam-se quatro fases deste processo: análise de benchmarking interno, análise de benchmarking externo, negociação do contrato e gerenciamento da terceirização.
Um processo de análise se inicia com a questão de por quê terceirizar e quais as atividades que podem ser terceirizadas. Pode-se identificar diversas razões apontadas como motivadoras do processo de terceirização, tais como: necessidade de mudança, novas competências para o desenvolvimento eficiente das atividades logísticas, ou uma reconfiguração de sistemas logísticos existentes, redução de custos ou, pelo menos, transformar altos custos fixos em custos variáveis, e aumentar o nível de serviço oferecido aos clientes, e também concentrar-se em suas atividades principais e penetrar em novos mercados.
Em qualquer dos casos, a empresa deve acreditar que a terceirização seja uma alternativa viável para a obtenção de melhorias de seu sistema logístico ou adequação deste às atuais demandas do mercado.
Mas, há situações onde a terceirização não é possível ou não é indicada. Por exemplo: situações onde há operações que exigem investimentos muito específicos e difíceis de se tornarem rentáveis; operações que precisam de competências muito específicas, ou ainda, operações que demandam uma manipulação de informações julgadas estratégicas ou confidenciais. De qualquer forma, a decisão de terceirizar deve estar de acordo com o plano estratégico da organização.
Um aspecto bastante discutido está relacionado à centralidade da função logística para a organização, ou seja, a função logística deve ser terceirizada somente nos casos em que esta não constitui uma competência central da organização, mas pode gerar vantagens competitivas. A busca por um menor custo foi por muito tempo o aspecto principal da decisão de terceirizar.
Os projetos mais recentes mostram uma tendência à utilização de abordagens mais amplas, pois enquanto, inicialmente, as forças eram dirigidas para redução de custos e liberação de capital para investimentos em outras áreas, as forças atuais têm um caráter mais estratégico: aumentar a cobertura de mercado, melhorar o nível de serviço ou aumentar a flexibilidade para atender mudanças nos requisitos do consumidor. Esta mudança torna mais importante a análise dos custos e benefícios da terceirização já que pode-se avaliar o impacto da terceirização no nível estratégico, estrutural, funcional e operacional.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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