Nesta quinta-feira, 12 de agosto, ocorrerá mais um debate. Desta vez entre os candidatos ao governo do Estado. Diferente do primeiro debate entre os presidenciáveis em que faltou democracia, uma vez que só apenas quatro dos nove candidatos foram convidados pela TV Bandeirantes, todos os candidatos ao governo estadual têm assegurados os seus direitos de expor seus planos, ideias e programas.
Espera-se um debate rico, de alto nível, de confronto de ideias e programas. Um debate sem ataques pessoais, o que não quer dizer que não se aflorem as contradições, as diferenças essenciais, de fundo programático e de classes. Um debate diferente do realizado com os presidenciáveis em que, com exceção de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), o que se viu foi uma incomoda afinidade entre as outras três candidaturas.
A propósito, embora já tenha se passado uma semana, o debate entre os presidenciáveis merece uma breve consideração. Aqui mesmo nessa coluna, as analises já indicavam muitas candidaturas, mas apenas dois blocos fundamentais em disputa. O debate, ainda que insuficiente por não contemplar todas as candidaturas, demonstrou exatamente isso.
Em que pese o estilo, a maneira de se colocar e a trajetória individual de cada candidato, percebeu-se claramente uma afinidade eletiva entre Dilma Roussef (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Entre estes, em nenhum momento, apareceu divergência programática fundamental. Os três se detiveram em escaramuças secundárias quanto à forma de gerenciar o estado e em como dar continuidade ao legado de FHC e Lula. Marina Silva, que tanto tem reivindicado o debate, apareceu como uma espécie de assessora dos dois candidatos, cujas pesquisas os apontam como favoritos.
Nesse cenário, coube a Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), o único representante da esquerda, o papel de levantar as questões fundamentais, que de fato representam o divisor de águas nessas eleições – reforma agrária e redução da jornada de trabalho. E, mesmo assim, embora represente um partido, cuja sigla traz a palavra “socialismo”, em nenhum momento trouxe a tona esse debate. Ficou, nos marcos do regime, como fazia o PT em outras épocas. Talvez isso explique a existência das candidaturas de José Maria de Almeida (PSTU) e de Ivan Pinheiro (PCB).
A ausência das outras candidaturas contribuiu para a realização de um debate morno e, em alguns momentos, até cansativo, salvo pelas tiradas irônicas de Plínio. De qualquer forma é uma experiência que deve servir para os próximos, quando se deve primar pela contemplação de todas as candidaturas que estão presentes no jogo eleitoral. Daí a expectativa de que no âmbito estadual, as contradições programáticas apareçam.
No debate de hoje estarão frente a frente às candidaturas que representam os dois blocos. Por um lado, Omar Aziz (PMN), Alfredo Nascimento (PR) e, sua oposição interna, Hissa Abrahão (PPS). Do outro lado, Herbert Amazonas (PSTU), Luis Carlos Sena (PSOL) e Luis Navarro (PCB). Cabe aos mesmos a difícil tarefa de saberem conduzir as questões e as respostas para esclarecer as reais contradições que estão em jogo.
Mais um debate: que seja democrático!
Em: 11 de agosto de 2010
Nesta quinta-feira, 12 de agosto, ocorrerá mais um debate. Desta vez entre os candidatos ao governo do Estado
Redação
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