Apesar de a inadimplência média das operações de crédito com recursos livres se manter em 5% em julho, os juros continuam em alta embalados pela disparada do spread, que é a diferença da taxa paga pelos bancos na captação e aquela cobrado pelos mesmos ao emprestar a seus clientes. É o que revelou nota de crédito do BC (Banco Central). Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a elevação do spread para as empresas pode ser explicado por um movimento de migração das pessoas jurídicas para o financiamento com o BNDES (anco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo ele, as grandes companhias, que têm um menor nível de risco, estão tomando crédito com o banco estatal (cujo crescimento em 12 meses já chega a 45%), enquanto a carteira de crédito que permanece com os bancos privados teria um nível de risco maior, provocando um custo maior de financiamento.
A taxa de juros média das operações de crédito livre subiram de 34,6% em junho para 35,4% em julho, a maior taxa desde agosto de 2009. Para as pessoas físicas, o juro teve discreta elevação saindo de 40,4% ao ano em junho para 40,5% em julho. Já para as pessoas jurídicas, a taxa pulou de 27,3% ao ano em junho para 28,7% no mês passado. O spread para pessoa jurídica passou de 16,9 pontos porcentuais na taxa anula em junho para 18,1 pontos porcentuais em julho. Para a pessoa física, o spread passou de 28,6 pontos porcentuais na taxa anual em junho para 28,9 pp em julho. O spread médio do crédito livre subiu 0,8 pp em julho ante junho, atingindo 24,3 pp ao ano.
E os juros continuam subindo em agosto, segundo Lopes. Nos 12 primeiros dias de agosto, a evolução continua sendo de alta, já que a média praticada no crédito livre subiu 0,1 ponto, para 35,5% ao ano, nos 12 primeiros dias de agosto. A elevação é liderada pelos segmento de empresas, cuja taxa avançou 0,2 ponto, para 28,9%. Para as famílias, o juro médio recuou 0,1 ponto, para 40,4% ao ano.
A elevação do juro médio é explicada pelo aumento da margem que bancos cobram nas operações, o chamado spread bancário. Na média, o spread subiu 0,1 ponto no período inicial de agosto na comparação com julho, para 24,5 pontos porcentuais. A elevação, mais uma vez foi liderada pelas operações para empresas, cuja taxa subiu 0,2 ponto, para 18,3 pontos. Já para as famílias, o spread subiu 0,1 ponto, para 29 pontos.
Lopes considerou como “improvável” a hipótese de que as instituições financeiras simplesmente estariam elevando suas margens de lucros ao subir os spreads. Lopes disse que a elevação da taxa média de juros para pessoa jurídica ocorreu principalmente por causa de duas modalidades: desconto de duplicatas e conta garantida. A primeira teve juros de 41,1% ao ano no mês passado, ante 38,4% em julho. A conta garantida subiu 6,8 pontos porcentuais de um mês para o outro, atingindo a taxa de 91,8% ao ano, a mais alta desde abril de 1999.
Bancos elevam spreads e juros ficam altos
Em: 25 de agosto de 2010
Segundo o BC alta migração de financiamentos para o BNDES causou o aumento do spread
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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