Invasão dos importados deixa 40 fábricas perto da falência

Em: 19 de outubro de 2010
O mercado amazonense, bem como as demais regiões brasileiras, já está se tornando um bom negócio para a economia chinesa
O mercado amazonense, bem como as demais regiões brasileiras, já está se tornando um bom negócio para a economia chinesa

O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques Pinto, faz um alerta: se a concorrência com os componentes produzidos na China continuar, em torno de 40 fábricas de componentes instaladas no PIM (Polo Industrial de Manaus) podem quebrar.
O mercado amazonense, bem como as demais regiões brasileiras, já está se tornando um bom negócio para a economia chinesa. Dados da balança comercial apurados pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) revelam que 33% dos produtos importados pelo Estado até agosto vêm de lá. Isso representa um volume superior a US$ 17 bilhões em insumos.
A crescente investida dos chineses em cima do mercado nacional está sendo vista com precaução pelos dirigentes das indústrias no Amazonas. Os industriais alegam que se o governo não tomar providências para proteger a produção regional, as fábricas poderão ter seu fim muito em breve. “O polo está em crise, principalmente, no setor de componentes eletrônicos”, afirmou o diretor adjunto da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra.
Já o presidente da Aficam explica que das quatro empresas de estamparia no Amazonas, duas já tiveram falência decretada no Estado. “As que ainda estão funcionando reduziram a produção em 50% devido à concorrência”, lamentou.

Problema cambial

Por enquanto, o problema do setor de componentes do PIM não conta ainda com posicionamento favorável. O titular da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico), José Marcelo Lima Filho, diz que o problema é cambial –em função da queda da cotação do dólar– e dependerá do governo federal a decisão de intervir ou não a favor dos indústrias. “O Amazonas já possui as menores taxas tributárias e dá isenção paras as empresas do PIM. Não há, por parte do governo do Estado a decisão de intervir ainda mais nessa questão”, contrapôs.
Lima Filho avalia que a indústria tomará medidas para tentar se adequar à nova realidade nacional. “O que acontecerá inevitavelmente é a redução na criação de postos de trabalho e na mão de obra”, pontuou.
O secretário da Seplan também revelou que durante reunião entre os representantes do segmento, o governo pediu que as empresas propusessem medidas que beneficiassem o ramo de componentes. Porém, até o momento, nenhuma sugestão foi apresentada.

Produtos chineses fazem sucesso no comércio

O presidente da Fecomercio/AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, argumenta que, apesar de não ter a mesma qualidade dos fabricados no Brasil, os produtos chineses tornaram-se atrativos, principalmente para o comércio, pois são mais baratos em relação aos similares nacionais. “Apesar dos incentivos no Amazonas, a carga tributária é o que dificulta a indústria. O perigo vai ser se entrarmos em um processo de desindustrialização”, alertou Tadros.
Segundo o dirigente, o comércio deverá manter as importações da China aquecidas até o fim do ano. Os principais produtos que vêm do outro lado do planeta são camisas, brinquedos e bens de informática. O dirigente diz que a federação está recebendo críticas por causa do atual nível de trocas com o comércio chinês.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar