Os lancheiros que levam em torno de 1.500 pessoas por dia de Manaus à outra margem do Rio Negro em pequenas embarcações consideram que, depois de inaugurada a ponte entre a capital e Iranduba (a 34 km), vão enfrentar dificuldades para manter a média de serviço de transporte de ida e vinda do Porto de São Raimundo, Zona Oeste, ao Porto de Cacau Pirêra.
Acostumados a fazer a viagem todos os dias da semana, os lancheiros já preveem ter de se dedicar ainda mais a outras atividades, como o turismo informal, para manter a renda.
De acordo com os representantes da Associação de Táxi Marítimo e Frete do Porto de São Raimundo, os profissionais estão em busca de alternativas para minimizar os efeitos da concorrência com outras formas de deslocamento entre as cidades, ainda que acreditem que parte dos seus clientes deva continuar optando pela travessia por via fluvial.
“Quem não tem veículo, vai depender de nós para fazer a travessia”, considerou o vice-secretário da Associação de Táxi Marítimo e Frete do Porto de São Raimundo, Gilmar dos Santos.
A associação não estima em quanto possa ser o abalo no serviço que demanda oito –podendo chegar a dez– viagens diárias em cada uma das 18 lanchas com transporte de dez passageiros. A média maior de passageiros acontece nos fins de semana, quando cerca de 2.000 pessoas vão de um município a outro.
Retorno financeiro
De acordo com o presidente da associação, Jarlnison Azevedo, embora o retorno financeiro pareça alto, o custo de combustível (algo como R$ 200 diários) é proporcionalmente alto, correspondendo à metade do orçamento, sem contar os outros gastos com a lancha.
Com a redução na quantidade de pessoas procurando a travessia fluvial, a alternativa até então apontada pelos lancheiros para manter a renda está na esperança de conseguir mais ‘bicos’ com passeio turístico informal, procurado no porto por pessoas interessadas em passeios para ilhas, (como Anavilhanas) ou até o ‘Encontro das Àguas’. O serviço acontece baseado na negociação do próprio lancheiro, sem intermédio ou convênio com agência de turismo. Atualmente, eles realizam apenas dois passeios por mês, contou Azevedo.
Uma medida tomada pelos 36 associados é a de deixar de ser uma associação para virar cooperativa. “A associação não tem respaldo para nada. Por isso, estamos virando cooperativa. Daí, vamos nos preparar para mudanças, ter escritório e fazer parcerias. Queremos, por exemplo, investir em lanchas maiores, coisa boa para o turismo”, disse o presidente.
A preocupação maior é para os períodos de seca, quando encontram dificuldade para parar em Cacau Pirêra. “Estamos sem respostas de autoridades. Estamos com medo de acabar o transporte e, ainda mais no tempo de seca, porque não temos onde encostar”, disse, aflito, Azevedo. Ele alega que os políticos prometem, há anos, dragar o Porto de Iranduba para facilitar a parada das pequenas embarcações.
“Assim que a ponte sair, nossa situação fica complicada. Agora, vamos continuar trabalhando com fé em Deus que a ponte não vai atrapalhar tanto”, asseverou Gilmar dos Santos.
Palestra de empreendedorismo
Segundo resposta enviada por e-mail pelo departamento de comunicação da SNPH (Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas), “os lancheiros estão sem perspectiva direta”. Mas, o órgão diz que providenciou “uma palestra sobre empreendedorismo” para os lancheiros e informou aos coordenadores de turismo no Amazonas sobre os problemas com a travessia entre Iranduba e a capital amazonense.






