Quando se fala em mobilidade urbana, a primeira coisa que vem à mente é a falta dela, causada pelos frequentes congestionamentos nas principais vias de escoamento da cidade. Mas, será que a população tem ideia do quanto pesa nos cofres públicos, nos bolsos do contribuinte e dos empresários e impacta no meio ambiente quando uma das principais vias de Manaus fica interditada? O valor estimado é de R$ 1,9 bilhão por ano, prévia de apenas um dos muitos estudos realizados pelo Dep (Departamento de Planejamento) da Seplan (Secretaria de Planejamento do Amazonas), que deve subsidiar a organização do Estado para a Copa 2014.
Os resultados da avaliação do impacto econômico da mobilidade urbana de Manaus também deverão contribuir para o impacto da construção do monotrilho. “Nesta altura do estudo, não podemos dizer exatamente, mas a certeza é de que estes custos com congestionamentos vêm sendo altíssimos”, afirmou o diretor do Dep, Ézio Lacerda Lopes. Segundo ele, há seis meses, o Dep iniciou o processo de avaliação e estudo empírico do “comportamento” do trânsito de Manaus. Entre muitos outros estudos, os técnicos do departamento consideraram que a cidade é formada por três ilhas (cortadas por igarapés), unidas por quatro principais vias de escoamento de veículos, as avenidas Maceió, Constantino Nery, Djalma Batista e Recife.
Impacto econômico
O custo do tempo perdido em congestionamento por automóvel é de R$ 2,89 (independente do porte). O valor de R$ 1,9 bilhão considerou a possibilidade de congestionamento de uma das quatro vias, bem como o impacto econômico, que leva em conta dois custos: o de oportunidade (tempo perdido parado no engarrafamento) e o pecuniário (despesas causadas pela lentidão com custos adicionais de combustíveis e de emissão de poluentes).
Obras do monotrilho na Constantino Nery somariam gastos de R$ 617 mi
O custo de oportunidade incide diretamente no bolso do empregador, levando em consideração o atraso do funcionário que ainda está se dirigindo ao local de trabalho e dos que, já na ativa, estão gerando lucro para a empresa. É considerada, entre outras variáveis: a renda média de R$1.658,84 do emprego formal em 2009 (fonte Ministério do Trabalho e Emprego); Encargos Sociais de R$1,95; e o número de 168 horas trabalhadas por mês, de acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Já o custo pecuniário vai se refletir no bolso do motorista comum. Apresenta os valores em gasto de combustível e perda de hora trabalhada, além do custo ao ambiente pela emissão de poluentes. Na tabela de custos de poluentes, que incluem o Monóxido de Carbono, Hidróxido de Carbono, Dióxido de Nitrogênio e partículas expelidos pelos automóveis, somente os carros a gasolina emitem R$ 2.986 por veículo em um congestionamento.
Trânsito fechado
Com os preparativos para a Copa 2014, de acordo com a estimativa do Dep, o custo gasto com tempo em congestionamento pela paralisação da avenida Constantino Nery para obra do monotrilho seria, hoje, de R$ 617 milhões anuais. “Nos baseamos no fato de que o monotrilho teria que correr pela Constantino Nery. Se fôssemos fechar o trânsito em algum ponto, qual seria a consequência?”, questionou Ézio Lopes.
Tomando a avenida como exemplo, os técnicos do Dep estimaram que seria necessário um total de 5.600 carros parados para encher a extensão dos 6.649 metros –do Terminal Rodoviário de Flores à rua Leonardo Malcher–, com os cálculos, verificaram que a avenida recebe um fluxo de 148 mil carros em horários de pico de trânsito. Nestas condições, um carro movido à gasolina, com velocidade média de 25km, considerando o valor do combustível a R$2,70, representaria um gasto anual de R$ 2.986,98 para o bolso de seu proprietário.
De acordo com Ézio Lopes, o projeto do monotrilho prevê a construção de estacionamentos nos pontos do transporte ao longo das vias onde deverá correr, que também serão opção para os motoristas. “Verificamos que em outras cidades que utilizam o meio de transporte (monotrilho), 10% dos usuários optam por deixar seus carros em casa”, explicou Lacerda Lopes. Segundo os cálculos, a economia proporcionada por 10% a menos de veículos seria de R$ 100 milhões para os cofres e bolsos dos contribuintes.
“Estamos utilizando metodologias adaptadas para Manaus, pois nossa realidade é diferente das outras. Esse tipo de planejamento é novo no Brasil e outras capitais estão começando a utilizar. Nosso trabalho é de planejamento e deve impactar positivamente na economia”, explicou o Lacerda, cuja equipe inicia a segunda fase do estudo com sobrevoos pela cidade. O estudo mostra que prevenir é o melhor remédio. “Por exemplo, se em São Paulo tivessem feito estudos antes não estariam na situação que se encontram com relação ao trânsito e poluição”, finalizou.






