A quantidade de pessoas que procurou crédito recuou 1,2% em fevereiro, cravando o segundo recuo mensal consecutivo. Em janeiro de 2011, já havia sido registrada variação negativa de 6,7% em relação a dezembro de 2010, De acordo com Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito.
Em relação a fevereiro de 2010, a demanda dos consumidores por crédito avançou 19,9% em fevereiro de 2011. Porém este resultado foi impactado pelo feriado móvel do Carnaval que, neste ano, caiu em março, determinando dois dias úteis a mais em fevereiro de 2011 contra igual mês de 2010.
No acumulado do primeiro bimestre de 2011, a procura do consumidor por crédito cresceu 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado, taxa ligeiramente inferior ao crescimento acumulado em 2010 (16,4%).
“A demanda dos consumidores por crédito encontra-se em rota de suave desaceleração, determinada tanto pelas medidas macroprudenciais adotadas pelo Banco Central no início de dezembro do ano passado, quanto pelo atual ciclo de elevação das taxas de juros”, salientam os economistas da Serasa Experian, no texto da pesquisa.
A queda observada na demanda dos consumidores por crédito em fevereiro de 2011 concentrou-se nas camadas intermediárias de rendimento mensal, indo de 2% (consumidores com rendimento mensal entre R$ 500 a R$ 1.000 por mês) até 0,6% (consumidores com rendimento mensal entre R$ 5.000 e R$ 10.000 por mês).
Crescimento nos extremos
Apenas nos extremos da faixa de renda é que foram registrados aumentos na demanda por crédito: os consumidores de baixa renda (ganhos mensais até R$ 500) aumentaram sua demanda por crédito em 0,8% e os de alta renda (ganhos mensais acima de R$ 10.000) recuperaram-se do tombo de 13% verificado em janeiro e expandiram sua demanda por crédito em 9,3% em fevereiro.
No acumulado anual, isto é, durante o primeiro bimestre de 2011, o maior crescimento em termos de aumento da demanda por crédito encontra-se na faixa de menos renda (alta de 60,9% frente ao acumulado dos dois primeiros meses do ano passado.
Em fevereiro de 2011, com exceção da Região Norte que apresentou avanço de 0,4%, todas as demais regiões geográficas apresentaram recuos nas demandas do consumidor por crédito, indo de -1,9% (Sul) até -0,8% (Centro-Oeste e Nordeste).
No acumulado do primeiro bimestre, com alta de 23,8%, a Região Nordeste segue na liderança da procura de seus consumidores por crédito. Vale lembrar que esta região foi a que mais cresceu em termos deste indicador durante o ano de 2010 (17,7%).
Nível de inadimplência deve deixar lojistas mais exigentes, avalia CNDL
A inadimplência do consumidor brasileiro caiu 4,99% em fevereiro ante janeiro deste ano, de acordo com o indicador elaborado pela CNDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) e pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). Segundo o documento, a redução do número de devedores decorre da queda no desemprego no início do ano, além do fraco movimento das vendas no período. A CNDL também destaca que fevereiro possui menos dias úteis, o que contribuiu para o resultado.
Na comparação com fevereiro do ano passado, contudo, o número de registros no SPC aumentou 10,23% em fevereiro de 2011. De acordo com a pesquisa, o forte aumento se deve à fraca base de comparação, uma vez que o início de 2010 ainda era afetado pelos efeitos da crise econômica global, com baixo desempenho da economia.
Para o presidente da CNDL, Roque Pelizzaro Junior, esse aumento de 10,23% deve deixar os lojistas mais exigentes na hora de conceder crédito aos consumidores. “O índice nesse patamar sinaliza luz amarela, realmente. O varejo deve aumentar as exigências na hora de vender à prazo”, avaliou.
Segundo ele, porém, o aumento dos registros também está relacionado ao crescimento de mais de 11% nas vendas a prazo no natal do ano passado. “Se o crescimento da inadimplência fosse analisado de forma isolada seria muito mais preocupante, mas os registros em fevereiro se devem a compras realizadas em dezembro”, completou.
Menos registros
Diante desse cenário, Pelizzaro prevê que o registros no SPC Brasil em março devem ser menores do que foram em fevereiro. “Março também deve ter vendas maiores, porque tem mais dias. Por outro lado, há o efeito carnaval, que paralisa as vendas do país durante cinco dias”, ponderou.
Segundo o dirigente, o crescimento de 6,44% na consulatas ao SPC em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2010 indica um aumento nas vendas a prazo no período, parte delas relacionadas com a compra de materiais escolares.






