Amazonas Energia promete investir R$ 4,2bilhões

Em: 21 de março de 2011
Problemas de distribuição de energia em Manaus e geradores obsoletos instalados nos municípios
Problemas de distribuição de energia em Manaus e geradores obsoletos instalados nos municípios

Problemas de distribuição de energia em Manaus e geradores obsoletos instalados nos municípios. Segundo a diretoria da Eletrobras Amazonas Energia, esses são os principais obstáculos para o pleno funcionamento dos sistemas energéticos da capital e do interior do Estado, que nos próximos cinco anos vão receber R$ 4,2 bilhões em investimentos da empresa. A informação foi apresentada na quinta-feira, 17, pelo presidente da distribuidora, Pedro Hosken, na audiência pública sobre geração e distribuição de energia, realizada na Aleam (Assembleia Legislativa).
De autoria do deputado estadual Sidney Leite (DEM), a audiência também colocou em pauta o programa Luz para Todos, o Linhão de Tucuruí e o gasoduto Urucu-Coari-Manaus. “O Amazonas possui 6.000 comunidades, mas apenas 1.600 foram alcançadas pelo ‘Luz para Todos’ até o momento, porque estão próximas de áreas urbanas, onde há matriz energética. Para solucionar a questão da energia no interior, é necessário priorizar as ações preventivas, a manutenção e padronização dos geradores e as soluções para as redes”, observou o parlamentar, durante a audiência pública da Aleam.
Sobre a geração de energia no interior do Amazonas, Pedro Hosken afirmou que a oferta é suficiente para atender à demanda, mas admitiu que a existência de geradores velhos prejudica o fornecimento. Já o diretor de geração e transmissão da Eletrobras Amazonas Energia, Tarcísio Rosa, destacou que a empresa possui um saldo de quase 50% na geração de energia para os 61 municípios. Ele informou que, no total, há 495 grupos geradores instalados, com uma potência de 327 megawatts.
“A demanda máxima no interior é de 215 megawatts. Os municípios e as empresas não devem deixar de investir nos municípios por causa da questão energética. Isso não é justificativa. Basta que os interessados nos informem qual sua necessidade, que nós faremos as adequações necessárias em tempo hábil”, frisou o o diretor de geração e transmissão da Eletrobras Amazonas Energia.

Dados incompatíveis

Para Sidney Leite, os dados apresentados pela diretoria da empresa são incompatíveis com a realidade de municípios como Tabatinga (a 1.105 km de Manaus), Manacapuru (a 68 km), Iranduba (a 34 km) e Parintins (a 325 km), que sofrem prejuízos econômicos e sociais com as constantes quedas de energia. “Em Manacapuru há olarias funcionando com 50% da capacidade e movelarias fechadas. Já Tabatinga tem racionamento de energia diário, porque a quantidade de energia gerada não atende à demanda da cidade”, apontou.
A Amazonas Energia informou que novos grupos geradores estão sendo instalados no interior do Estado neste primeiro trimestre de 2011. A estatal se comprometeu também em investir em tanques para armazenagem de combustível nos próximos dois anos.

Obras complementares para o Linhão

De acordo com o presidente da distribuidora, Pedro Hosken, parte dos R$ 4,2 bilhões será aplicada em obras complementares no sistema local, a fim de prepará-lo para a chegada do Linhão de Tucuruí, que vai interligar Manaus ao sistema nacional. O investimento servirá para elevar a capacidade da rede, que hoje é de 69 mil kilovolts, para 238 mil kilovolts.
“Com esses recursos, vamos melhorar a distribuição de energia, ampliar as subestações e acabar com a insegurança energética. Estamos atrasados (na execução dos investimentos), mas isso acontece porque o consumo de energia em Manaus cresce 14% ao ano, ou seja, acima da média nacional”, justificou o executivo.

Cronograma de execução

Para o deputado Sidney Leite, o debate motivado pela audiência pública precisa ter continuidade, com novos esclarecimentos e medidas efetivas. “Ainda não sabemos com detalhes qual o cronograma de execução física e financeira do Linhão. Além disso, os municípios perguntam se a obra vai gerar ISS (Imposto Sobre Serviço) para a população. Precisamos de respostas e de decisões rápidas, mas isso se torna inviável se a direção da Amazonas Energia continuar residindo no Rio de Janeiro”, encerrou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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