Desde a tragédia no Japão, no dia 11 de março, há especulações de que a catástrofe pode causar reflexos nas fabricantes japonesas instaladas no Brasil, dentre as quais, as 32 que residem no PIM (Polo Industrial de Manaus), segundo dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus). Embora não supere a perda de mais de 10 mil habitantes, o mês termina e, pelo menos por enquanto, a crise ainda não afeta as indústrias locais.
De acordo com o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antônio Silva, grande parte do polo de empresas concentrado no Japão fica em regiões distintas dos lugares afetados pelo tsunami e pelas explosões nas usinas nucleares. “Não há correlação. Se houver algum impacto nos empreendimentos amazonenses será daqui a seis ou sete meses”, destacou.
Já o presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques, adianta o período de análise financeira. De acordo com sua avaliação, os reflexos da possível ‘colisão’ econômica no Estado devem aparecer em maio, daqui a um mês. “Mas, ainda não tem afetado a ZFM [Zona Franca de Manaus]”, analisou.
Marques comenta que os setores automotivos foram os que mais sofreram com a catástrofe. Neste caso, o polo não deve sentir tanta influência negativa, já que os únicos projetos aprovados no parque local que atendem o segmento de veículos automotores são da empresa Tecnologia Automotiva Catarinense S.A e da Bramont Montadora Industrial e Comercial de Veículos S/A, de origem indiana.
Já o comércio, por enquanto, possui avaliações divergentes. O presidente da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ralph Assayag, comenta que, entre as áreas atingidas, não há nenhum produto nas listas do comércio da região.
Entretanto, o vice-presidente da Fecomércio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, fala que o tsunami e a radiação paralisaram o sistema industrial, os portos do Japão e, consequentemente, a atividade dos revendedores de produtos japoneses.
Como eles obedecem a uma padronização de insumos, com configurações específicas, não podem trocar de fornecedor de uma hora para outra, o que retardará a elaboração das mercadorias demandadas pelo comércio nestas indústrias.
Arrecadação afetada
Sendo assim, se houver impacto na Zona Franca, a arrecadação de tributos deve ser completamente afetada já que, em 2010, os dados levantados pela Superintendência apontaram um faturamento de US$ 35.1 bilhões, o que impulsionou a arrecadação federal recorde de US$ 6.3 bilhões. De acordo com informações da autarquia, por conta da dinâmica econômica gerada pelo modelo ZFM, só o Amazonas responde por aproximadamente 60% da arrecadação federal da região Norte.
No caso da arrecadação estadual, também influenciada pelas indústrias amazonenses, o secretário titular da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), Isper Abrahim, explica que as possíveis variações na receita devem ser motivadas por circunstâncias do próprio mercado nacional e não pela tragédia japonesa.
Embora o Japão tenha sido o terceiro país mais requisitado para as importações no Estado em fevereiro, com recursos na ordem US$ 233.55 milhões do total de US$ 1.78 bilhão, Abrahim afirma, ao contrário do dirigente da Fecomércio/AM, que o país não é exclusivo e outros fornecedores devem assumir o papel de ‘estepe’.







