Os investimentos de estrangeiros no mercado financeiro -em ações e títulos de renda fixa, por exemplo- foram de US$ 1.38 bilhão em março e US$ 5.86 bilhões nos três primeiros meses do ano.
Nos dois casos, o montante ficou abaixo do registrado no ano passado, quando os investimentos em carteira chegaram a US$ 3.64 bilhões no ano e US$ 9.32 bilhões no trimestre.
Em fevereiro deste ano, esses investimentos tinham sido de US$ 2.84 bilhões.
No dia 29 de março, o governo aumentou para 6% a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrada de empréstimos feitos no exterior por bancos e empresas com prazo de até um ano. No início de abril, a cobrança foi estendida para empréstimos de até dois anos.
A medida foi tomada para inibir a entrada de dólares no Brasil para investimentos de curto prazo e conter a desvalorização da moeda norte americana.
Os investimentos estrangeiros no setor produtivo brasileiro somaram US$ 6.79 bilhões em março e já chega a US$ 17.47 bilhões no primeiro trimestre, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.
O valor está bem acima do registrado no primeiro trimestre de 2010, quando ingressaram no país R$ 5,51 bilhões em recursos de investimento direto. Em março de 2010, o montante foi de US$ 2.08 bilhões.
Em março, as transações correntes (que computam as compras e vendas de bens e serviços entre o Brasil e os demais países) registraram deficit de US$ 5.67 bilhões. No trimestre, o deficit acumulado é de US$ 14.63 bilhões.
O deficit, porém, foi financiado com folga pelos recursos que entraram na chamada conta financeira, (que registra entrada e saída de capital no país). Nessa conta, o resultado foi positivo em US$ 15.02 bilhões em março e em US$ 42.6 bilhões no trimestre. Com isso, o balanço de pagamentos (onde são contabilizadas todas as transações do Brasil com o exterior) foi superavitário em US$ 9.53 bilhões em março e em US$ 27.64 bilhões no ano.
Empréstimo externo de curto prazo começa a ser alongado
O Banco Central já percebeu em abril um processo de migração dos empréstimos de curto prazo, tomados no exterior, para operações de longo prazo. Isso é uma indicação de que a decisão do governo de cobrar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações com prazo de até dois anos começa a surtir efeito.
Tulio Maciel, chefe do Depec (Departamento Econômico) do BC, não quis adiantar números, atendo-se apenas a comentar o que foi percebido pelos técnicos ao avaliarem os dados preliminares de abril. Em março, os empréstimos tomados no exterior somaram US$ 9.585 bilhões. Deste total, praticamente dois terços – US$ 6.285 bilhões – foram operações de curto prazo, ou seja, inferiores a 360 dias. “As prévias de abril indicam uma queda do curto prazo”, afirmou o chefe do Depec.
O aumento da dívida externa de curto prazo chama atenção no relatório divulgado ontem pelo BC.







