Deficit de mão de obra é de quase 15 mil trabalhadores

Em: 29 de abril de 2011
Sintracomec aponta que, por conta da falta de qualificação, o Amazonas está importando profissionais de Estados que não sediarão a Copa
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Sintracomec aponta que, por conta da falta de qualificação, o Amazonas está importando profissionais de Estados que não sediarão a Copa

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e a necessidade do Amazonas em cumprir em tempo hábil o cronograma de obras para sediar os jogos do mundial, o setor de construção civil do Estado está esbarrando numa dificuldade para se expandir ainda mais: a falta de quase 15 mil trabalhadores qualificados para atender a oferta de vagas. A informação é do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil).
A notícia preocupa, quando se leva em conta a importância do setor em termos de geração de empregos. Os números mais recentes do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), referentes a março, indicam que a atividade ficou em terceiro lugar em geração de novos postos de trabalho no Estado, atrás apenas da indústria e do segmento de hotelaria.
Mas, essa característica não se restringe apenas ao mercado do Amazonas. Mas, segundo o presidente do Sintracomec, Roberto Bernardes de Andrade, a carência de quase 15 mil trabalhadores qualificados é também resultado do crescimento da construção civil nos últimos anos.
“Existe realmente essa carência. Não é que não tenhamos profissionais qualificados. Somos bons profissionais. Mas, é que a demanda cresceu e houve esse boom da construção civil nos últimos anos. Então, escassez de profissionais está relacionada também ao crescimento da demanda. Existe um engajamento de todos nós nesse processo de formação, inclusive das empresas. Estamos fazendo cursos de formação e colocando essa necessidade para o governo, por meio da Setrab [Secretaria Municipal de Trabalho]”, refletiu.

Trabalhadores ‘importados’

Roberto Andrade explicou ainda que a solução encontrada, à curto prazo, é realmente a ‘importar’ mão-de-obra qualificada de outros Estados, principalmente do Maranhão. “No curto prazo, essa é realmente a solução que algumas empresas estão tomando. Eles vem principalmente dos Estados que não vão sediar a Copa do Mundo. Também temos, através do Ministério do Trabalho, a alternativa dos haitianos. Cerca de 80 haitianos estão sendo absorvidos pelo setor, trabalhando como carpinteiros, serventes”, ressaltou Roberto.
O dirigente também explicou que para uma formação completa seriam necessários cerca de três anos, mas que com a característica desse setor em aproveitar os trabalhadores que já estão no canteiro de obra, aprendendo na prática, esse período pode ser menor.

Saída das construtoras é qualificar nos canteiros de obras, diz Sinduscon/AM

O presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Construção Civil do Estado do Amazonas), Eduardo Lopes, já é mais cauteloso quanto aos números que refletem a carência de profissionais qualificados para trabalharem no setor.
“Não posso precisar um número exato, mas realmente há deficiência nos postos de trabalho, como engenheiro, pedreiro de acabamento, carpinteiro. Mas, isso relacionado à qualidade. Na maioria dos casos, as empresas podem qualificar em seu próprio canteiro de obras. Quando o trabalhador precisa sair para se qualificar, causa muita evasão, por isso é melhor realizarmos essa qualificação no canteiro de obras, aproveitando até mesmo os profissionais que já estão lá e já têm conhecimento”, ressaltou.
O representante do Sinduscon aponta como principal causa dessa deficiência a falta de investimentos no setor, nos últimos anos. “Nós passamos muito tempo, de 25 a 30 anos, sem grandes investimentos nesse setor. Agora, precisamos correr atrás, temos condições de formar esses profissionais. Mas, não vejo como essa deficiência na qualificação profissional do setor possa trazer perigo para as obras da Copa do Mundo. Temos tempo suficiente para qualificar esses profissionais”, adiantou o presidente do Sinduscon.

Gargalo nacional

A dificuldade também é sentido no resto do país. De acordo com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), nove entre 10 construtoras encontram dificuldades para ocupar as vagas oferecidas pelo setor, como foi constatada na pesquisa realizada pela Sondagem Especial da Construção Civil, realizada entre 3 e 20 de janeiro junto a 385 empresas do setor. Um total de 89% delas apresentaram déficit de trabalhador qualificado.
Segundo a pesquisa, 61% das empresas enfrentam problemas com a ineficiência na prática do trabalho e com desperdício. Uma fatia de 56% aponta a alta rotatividade dos trabalhadores como causa principal para a falta de qualificação.Além disso, 94% têm dificuldades para encontrar profissionais básicos ligados à obra como pedreiros e serventes. Por esse motivo, 64% dessas empresas adotam a capacitação no próprio canteiro de obras para resolver o problema.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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