Parlamentares entram no combate à alta dos combustíveis

Em: 6 de maio de 2011
Diante do cenário de escalada dos preços de combustíveis no Amazonas, parlamentares se esforçam para combater os aumentos e entender o problema. O atual valor do litro da gasolina tem sido tema de discussões nas Casas Legislativas do Estado
Diante do cenário de escalada dos preços de combustíveis no Amazonas, parlamentares se esforçam para combater os aumentos e entender o problema. O atual valor do litro da gasolina tem sido tema de discussões nas Casas Legislativas do Estado

Diante do cenário de escalada dos preços de combustíveis no Amazonas, parlamentares se esforçam para combater os aumentos e entender o problema. O atual valor do litro da gasolina tem sido tema de discussões nas Casas Legislativas do Estado. Os parlamentares da CMM (Câmara Municipal de Manaus) e da ALE/AM (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) têm dedicado seus discursos ao debate da polêmica. O vereador Wilton Lira (PTB) disse que não vê motivos para o aumento, já que a própria Petrobras negou qualquer alteração nos preços do álcool e da gasolina. Lira alerta que os valores podem chegar a R$ 4,00 nos postos de Manaus.
O vereador lembrou ainda que a CPI dos combustíveis instalada na CMM em agosto de 2010 detectou a prática de cartel nos postos de combustíveis na cidade, mas que nada foi feito para o combate ao crime. O parlamentar informou que protocolou um requerimento convocando o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Álcool e Gás Natural do Amazonas, o empresário Luiz Felipe Moura Pinto, para comparecer ao Legislativo e prestar esclarecimentos sobre esse aumento nos preços dos combustíveis.
Já na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Marcos Rotta (PMDB), em discurso esta semana, mostrou-se indignado com o novo aumento no preço da gasolina no Estado e com o anúncio de que o Brasil agora deve importar gasolina. Rotta apresentou um requerimento para que o Procon apresente um estudo justificando se há necessidade real de aumentar os preços.
Enquanto as discussões continuam, a população segue realizando manifestações contra o aumento dos preços dos combustíveis em Manaus.

Vereador Wilton Lira (PTB)

“Minha indignação não é só a de um parlamentar membro da CPI dos combustíveis, mas também é a de um cidadão que não entende o que está acontecendo em Manaus. Esse aumento é um crime inaceitável. Como disse o vereador Homero de Miranda Leão, é como se todos os dias fôssemos assaltados, e o bom dia dos frentistas representasse: “mãos ao alto, me dê sua carteira!” Estou assustado com toda essa situação, ainda mais porque os empresários assinaram perante membros do Ministério Público e da Casa um documento onde se comprometeram que a gasolina não passaria de R$ 2,70 nos meses iniciais de 2011. A Petrobras, por sua vez, divulgou em nota que desde 2009 não altera o valor do combustível vendido aos postos. Eles estão agindo de acordo ou não estão? Nós não podemos fechar os olhos para esse cartel, essa imoralidade que hoje é a questão dos combustíveis na nossa cidade. Acredito que seja necessária uma força tarefa entre a Polícia Federal e o Ministério Público. Dessa formaa, será possível descobrir a real situação do setor no Estado. O requerimento que fiz convocando o senhor Luiz Felipe Moura, já foi aprovado e estamos estudando a melhor data para recebê-lo. Além disso, eu, como corregedor da Casa, farei uma denúncia por escrito junto a Polícia Federal”.

Deputado estadual Marcos Rotta (PMDB)

“Diante da informação de que o Brasil está importando petróleo dos EUA, o governo federal tem a necessidade, o dever e a obrigação de chamar para a si a responsabilidade, criar alternativas, subdividindo a Petrobras, se for o caso, mas o país não pode mais ficar nas mãos de uma empresa que monopoliza o petróleo. Estou me sentindo ludibriado, enganado, porque por diversas vezes a presidente Dilma disse que o país, depois de dez anos, depois de fortalecer a Petrobras, finalmente seria autossuficiente na produção do petróleo. E agora, o Brasil se vê em ‘decúbito dorsal’, tendo de importar petróleo dos Estados Unidos. Nós sofremos a pressão, a população não consegue entender esse aumento. E agora vem o ministro Guido Mantega afirmar que a situação, que já era ruim, tende a piorar. Essa é uma questão de Estado, e a União precisa dar explicação sobre o assunto. A Petrobras é um monopólio estatal que fatura R$ 27 bilhões ao ano, uma das maiores empresas do mundo, e continua detendo o monopólio do petróleo. E este é ruim em qualquer segmento. Há 60 dias fiz um requerimento ao Procon solicitando um estudo técnico sobre o aumento dos preços dos combustíveis no Amazonas. E se for detectado que o aumento não se justifica, o Procon, com a garantia legal que tem, precisa tomar um posicionamento”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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