Vendas para Dia das Mães não decolam, apesar dos preços menores

Em: 6 de maio de 2011
Se o mês das mães é considerado o segundo Natal do ano pelos comerciantes de Manaus, então eles não devem ter sido muito ‘bonzinhos’
Se o mês das mães é considerado o segundo Natal do ano pelos comerciantes de Manaus, então eles não devem ter sido muito ‘bonzinhos’

Se o mês das mães é considerado o segundo Natal do ano pelos comerciantes de Manaus, então eles não devem ter sido muito ‘bonzinhos’. Embora a perspectiva da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), quanto à festividade, aponte um faturamento de cerca de R$ 134 milhões para o setor, os lojistas do Centro estão desanimados com o movimento.
A três dias do ‘evento materno’, o volume de vendas ainda não havia superado as projeções dos anos anteriores, principalmente dentre as preferências dos consumidores para presentes, como perfumes, vestuário e calçados, entre outros.
Na loja O Boticário, a gerente Miele Souza declara que a circulação estava fraca na quinta, 5, embora contem com o mesmo preço de 2010, entre kits de R$ 150 até mais de R$ 200.
A vendedora do estabelecimento, Gisele Vieira, afirma que este não é o ritmo natural para a festa do dia 8. Segundo ela, no mesmo período, em anos antecessores, a agitação iniciava logo no primeiro domingo. Além disso, cada funcionário chegava a vender R$ 10 mil em produtos por dia. Gisele comenta que, atualmente, essa quantia é de apenas R$ 2.000.
Na Granada Beach, a gerente Silvana Oliveira fala que a circunstância é igual. De acordo com ela, apesar de ser normal não vender muito para a data, em virtude da loja ser destinada ao público jovem, era esperado um crescimento de 30%, devido a itens como bolsa e sandália. Entretanto, até quinta, a média alcançada pelas vendas era de uma elevação de apenas 2%.
Transferida da loja da marca localizada no Amazonas Shopping, na última segunda-feira, 2, Silvana responde que a situação do empreendimento também não era ‘das melhores’. “Fizemos uma reunião e muitos lojistas disseram que as vendas não estavam boas”, ressaltou.
Na Utilar, os resultados de 2011 também têm desagradado. A gerente Paula Magalhães salienta que este tem sido um ano fraco para a loja. Anteriormente, a clientela já saía às ruas no final de abril. “Nesta última semana [o movimento] melhorou, mas ainda não atinge as expectativas”, avaliou.
Mesmo assim, o subgerente da Shop do Pé, Wenderson Carvalho, aposta que, na ‘rodada final’, as vendas devam avançar, permitindo a alta de 60% em comparação a mesma época de 2010.
O mais contraditório é que a possível lista de presentes para a data registrou uma variação inferior à inflação entre maio do ano anterior e abril de 2011, de acordo com pesquisa recente da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Na média, o preço dos 22 produtos analisados avançou 5,93% no período, enquanto o IPC-FGV (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas) dos últimos 12 meses ficou em 6,05%.
Além do mais, os próprios lojistas amazonenses realizaram promoções para baratear as mercadorias.
Francisco Alves, gerente da Ramsons, diz que alguns produtos tiveram preços 20% reduzidos em relação aos do ano passado. No caso da Di Santinni, destinada a calçados, o gerente Eduardo Lima explica que 50% dos itens foram comercializados a preços mais baixos. “Como é uma fábrica própria, com 120 lojas pelo Brasil, facilita a redução nos preços. E fazemos de tudo para os valores ficarem compatíveis ao da concorrência”, analisou o lojista.
O gerente da City Lar, Danilo Rocha, fala que toda linha de som e imagem, alvo para o Dia das Mães, tem sofrido quedas no preço. Por sinal, segundo a FGV, os televisores ficaram 11,68% mais baratos, enquanto o aparelho celular teve redução de 9,53% e a máquina de lavar roupas, de 4,33%.

Sinais favoráveis

Os próprios consumidores pensam desta forma. Suzana Nascimento, 23 anos, a procura de presentes para a sua mãe, exclama que os preços este ano estão mais acessíveis para o bolso do manauense.
A secretária Jane Barroncas, 29 anos, e sua irmã, Gely Barroncas, 26, também foram às compras. Jane esclarece que, depois de muitas pesquisas, o preço acaba saindo em conta. Porém, ela destaca que, mesmo na primeira loja, o custo dos produtos já apresentava sinais favoráveis para o consumidor.
Rocha, representante da City Lar, argumenta que o barateamento é uma estratégia de vendas da empresa, tendo em vista que, com 800 lojas da mesma marca, há condições para vender a um preço menor. Entretanto, ele ressalta que ainda há possibilidades de que haja um aumento nos meses subsequentes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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