Inadimplência volta a subir em Manaus

Em: 12 de maio de 2011
A inadimplência no varejo fechou abril em alta de 3,4%, com 3.082 pessoas na lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), de acordo com a FCDL/AM
A inadimplência no varejo fechou abril em alta de 3,4%, com 3.082 pessoas na lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), de acordo com a FCDL/AM

A inadimplência no varejo fechou abril em alta de 3,4%, com 3.082 pessoas na lista do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), de acordo com a FCDL/AM, (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas). O percentual permaneceu praticamente o mesmo na comparação com o mês anterior, quando o número registrado foi de 3,3%, representando um crescimento de apenas 0,1%.
Apesar da pequena oscilação do comércio, os índices dos dois meses foram praticamente iguais, pois representam um reflexo do período de festividades, de acordo com avaliação do presidente da entidade, Ralph Assayag.
“Os números dos meses de março e abril são resultado de uma desorganização financeira do consumidor para pagar as últimas parcelas ainda referentes ao Natal. Além disso, as festividades este ano, foram ‘apertadas’. Carnaval, Páscoa e Dia das Mães caíram em datas muito próximas umas das outras, o que dificultou o planejamento”, explicou.
A expectativa inicial dos lojistas era de redução da inadimplência em maio. “Mesmo com o Dia das Mães, como o consumidor já havia assumido dívidas anteriores, o esperado era que ele pisasse no freio na hora de parcelar as compras”, comentou o dirigente.
Mas, com o balanço das vendas da data apontando que apenas 20% das compras foram pagas em dinheiro, a preocupação volta à tona. Mas, segundo a FCDL/AM, o resultado só poderá ser acompanhado nos próximos meses.
O índice nacional de inadimplência divulgado pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) registrou queda de 1,55% em comparação a março. No entanto, no confronto com o mesmo período do ano anterior, a alta foi de 3,5%. Até abril, o Brasil já acumula alta de 2,24%.
Já para os indicadores do Serasa Experian, a alta foi de 1,5% em relação a março. Essa diferença nos números nacionais se deve, de acordo com o economista da empresa, Carlos Henrique Almeida, a uma diferença do que é analisado. “Enquanto a CNDL observa apenas o comércio, o Serasa analisa o comércio, a parte financeira e os serviços”, esclareceu.

Endividamento e inflação

Para Almeida, o aumento contínuo da inadimplência se deve ao endividamento crescente do consumidor, por falta de educação financeira, e pela alta inflação que afeta os salários. “Esse consumidor já havia contraído dívidas anteriormente. Com a alta da inflação, tudo fica mais caro: alimentação, transporte e combustível, por exemplo. Com os gastos adicionais, ele acaba não conseguindo honrar suas dívidas”, contou.
Outro ponto, conforme o economista, é a própria política de elevação de juros para tentar conter a inflação. A alta dos juros tem relação direta com a inadimplência, pois corresponde às taxas pagas pelo consumidor quando este se utiliza de cheques especiais ou efetua o pagamento mínimo do cartão de crédito. “A taxa do mínimo do cartão de crédito é de 12% ao mês. Não conseguindo pagar o valor total da fatura, ele prorroga a dívida para o mês seguinte, acumulando o saldo devedor. Até chegar a um momento em que se torna inadimplente”, exemplificou.
Para os próximos meses, a previsão do Serasa Experian é de que a inadimplência continue alta até o fim do primeiro semestre, por ocasião do Dia das Mães e do Dia dos Namorados.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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