Pesquisa nacional da FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta alta de 0,70% na inflação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), na primeira prévia de maio em relação a igual levantamento de abril (+0,55%).
Em Manaus, apesar de não haver um estudo específico sobre o comportamento dos preços, especialistas e representantes de vários setores da economia apontam equilíbrio nos índices, pautados principalmente pelas variações nos alimentos e combustíveis.
Na semana passada, pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Manaus apontou queda de 1,38% no valor da cesta básica de abril em relação ao mês anterior, fechando em R$ 247,92. Mas, na última semana, com os olhos voltados no preço dos combustíveis, que acabam por influenciar na alimentação, a expectativa do consumidor foi de aumento de preços.
A dona de casa Sara Pereira de Araújo percebeu um aumento no valor de alguns artigos nos supermercados da cidade. “Vi aumento, sim, no preço da carne e da verdura. Nos últimos 15 dias, os preços vêm aumentando muito. Alguns produtos aumentaram alguns centavos, mas outros chegaram a passar de R$ 1 de acréscimo. Foi o caso dos materiais de limpeza, que estou usando bastante porque tenho um bebê novo em casa. No sabão, foi pouca coisa que aumentou. Mas, da semana passada para cá, o amaciante, que custava R$ 7 subiu para R$ 9,50”, destacou.
A jornalista Érika Lima também percebeu alta nos preços nos supermercados. “Opto por fazer as compras em dias de promoção ou no fim de semana para aproveitar os preços. Tive dificuldades para encontrar alguns produtos, como o leite que minha filha toma, e tive de optar por outro. Com relação à alimentação houve aumento, sim. Mas, depois eu percebi uma queda, pelo menos na ultima semana de abril”, relatou, salientando que se mantém sempre atenta aos preços dos produtos em Manaus.
O gerente de operações da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Tomás Antônio Peres, disse que a Inflação ainda não afetou os preços para aquisição de alimentos. “Não registramos alterações. Até porque não trabalhamos com os valores de mercado. Só usamos estes como parâmetros, mas não para aplicar valores competitivos. Mas, acredito que se a inflação persistir, é bem provável que semana que vem tenhamos alguma influência desses valores”, ressaltou.
Gasolina e etanol
No âmbito dos combustíveis, a ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural) apontou queda no preço do etanol no Amazonas, na última semana. Em relação à média do preço da gasolina no país (R$ 2,914) e em Manaus (R$ 3,07), o etanol saiu a R$ 2,04 por litro. De 1º a 7 de maio, o preço médio do etanol foi de R$ 2,495, com mínima de R$ 2,36 e máxima de R$ 2,69, finalizando nesta semana em R$ 2,13.
O valor do etanol caiu em virtude da entrada da nova safra de cana-de-açúcar, como havia anunciado o vice-presidente executivo do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes), Alísio Vaz. De acordo com o dirigente, o preço do derivado de cana-de-açúcar deve cair R$ 1 nas bombas e vai influenciar na variação dos preços.
Quanto a gasolina, Vaz observou que houve um certo mal-entendido em relação ao aumento. “O que houve foi que os preços do etanol atingiram patamares inéditos e o repasse deles para a gasolina afetou os preços nas bombas. A alta foi consequência do efeito da entressafra”, avaliou.
O etanol anidro -misturado na proporção de 25% à gasolina- saiu de um patamar de R$ 1,24, no início de janeiro, para R$ 2,70, no fim de abril, alta de 120%. O aumento acabou levando a uma elevação de R$ 0,30 a R$ 0,40 no preço final da gasolina, que saltou de R$ 2,60 para R$ 2,91 entre janeiro e a última semana.
O presidente do Sindicam, Luis Felipe Moura Pinto, voltou a responsabilizar as distribuidoras pelo aumento no valor da gasolina, que teve influência do etanol. “É só você entrar no site da bolsa da Esalq que você vai ver a evolução e o comportamento dos preços. Acredito que apenas uma empresa praticou esse preço de R$ 3,07. Para verem essa variação tem que passar por pelo menos sete ou oito postos. Estes só repassam os preços praticados pelas distribuidoras”, frisou.
Corecon/AM aponta falta de indicadores para a região
Para o economista e conselheiro do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Edson Nogueira Fernandes Junior, é difícil evidenciar os efeitos da inflação em Manaus, uma vez que não há pesquisas específicas para a cidade. “A única referência que a gente tem é a pesquisa da cesta básica, só que não é uma pesquisa que abrange todos os itens. A alimentação e as commodities têm sido os grandes vilões desse aumento de preços nacional”, destacou.
O economista considera também que a realidade dos preços de Manaus não pode ser avaliada apenas pelos números nacionais, embora sofra influência destes.
“O que tem ocorrido em Manaus não é um problema só do Brasil. As commodities vêm influenciando bastante, principalmente nos alimentos. O café, por exemplo, subiu 50% no mercado internacional, influenciando a inflação do Brasil. O petróleo foi lá para cima em virtude da situação atual dos países exportadores, fazendo com que o preço do litro da gasolina suba cada vez mais.
Então, apesar de não termos um estudo local para avaliar o mercado, através de um órgão confiável, posso avaliar que houve apenas uma ligeira redução na inflação apenas do que diz respeito à cesta básica”, concluiu.






