O ritmo carnavalesco ainda rende comentários. Em março, segundo a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), do IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística), o incremento de 4,3% no volume de vendas do comércio amazonense quando comparado a igual período de 2010, só não alçou ‘voos maiores’ em virtude do Carnaval. O terceiro mês do ano registrou o menor crescimento do trimestre em volume comercializado pelo setor.
De acordo com o coordenador de informações do Instituto no Amazonas, Adjalma Nogueira, a festividade não possui grande influência sobre a demanda do comércio varejista, embora atraia consumidores para os setores de alimentos e armarinho, devido à procura por produtos como adereços e fantasias.
O representante do IBGE esclarece que o mês, por si só, não tem tanta tradição no comércio local. Porém, ainda assim, Nogueira salienta que o valor foi expressivo, pois permaneceu com uma média levemente acima da tendência nacional (4,1%).
O consultor empresarial e professor de economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Francisco Assis de Mourão, esclarece que o fato de ter havido uma elevação nos valores apresentados, mesmo quando descontada a inflação do período, já representa um motivo de comemoração.
O economista argumenta que a mudança de vencimento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), solicitada para junho ao invés de março, de acordo com a Semef (Secretaria Municipal de Economia e Finanças), favoreceu o uso do capital nas compras. “Não houve ‘vazamento de renda’. Ou seja, o que seria do consumo não foi retirado para o governo”, avaliou.
Depois de ter crescido 14,7% e 12% nos meses de janeiro e fevereiro, respectivamente, a receita nominal de vendas conseguiu um acréscimo de apenas 7% em confronto ao mesmo período de 2010.
Desta forma, o comércio amazonense apontou uma alta de 12,7% nos últimos 12 meses e de 11,2% no ano. Contudo, ainda é um valor inferior ao que foi conquistado pelo varejo do país –13,5% e 11,6%, respectivamente.
No caso do comércio varejista ampliado, que conta ainda com os segmentos de venda de veículos e peças, assim como o de material de construção, o índice de volume sofreu uma diminuição de 5,2%, o primeiro número negativo para o indicador em 2011.
Como era de se esperar, após apresentar alta de 10,3% em janeiro e de 12,3% em fevereiro, a receita nominal de vendas do referente seguiu o mesmo caminho de redução, anotando perda de 2,8%.
Inflação e gastos
O presidente da Fecomércio/AM (Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, contextualiza que no início do ano é comum este recuo nos gastos. Em janeiro, devido à exaustão dos recursos com as festas de fim de ano e, em fevereiro, devido à priorização com a compra de materiais escolares. Mas, segundo ele, as medidas do governo para conter a inflação, como aumento na taxa de juros, foram os grandes fatores impactantes na retração da procura.
Entretanto, o presidente da Fecomércio/AM afirma que, com a inflação em espiral ascendente, esta performance deve apresentar uma melhora nas próximas pesquisas sobre o setor.
Enquanto isso, o coordenador de informações do IBGE explica que em abril, devido à Semana Santa, os algarismos também não são tão elevados, porque o feriado forçou o comércio a reduzir suas atividades. Quanto ao mês das mães, assim como Tadros, Adjalma Nogueira avalia que deva haver um certo crescimento local.
Setor avança 4,1% em todo o país
As vendas do varejo nacional aumentaram 1,2% em março, na comparação com o mês anterior, quando houve leve alta, após revisão do dado, de 0,3%. A receita nominal do setor apresentou elevação de 1,4% na mesma comparação.
Na comparação com março de 2010, o volume de vendas do comércio varejista nacional cresceu 4,1%, contra variação de 8,5% nessa mesma base de comparação no mês anterior. No ano, o setor acumula alta de 6,9% e, nos últimos 12 meses, de 9,5%.
Em relação a março do ano passado, a pesquisa do IBGE mostra que todas as atividades investigadas apresentaram resultado positivo. O destaque ficou com o setor de móveis e eletrodomésticos, que registrou alta de 11,1%, mas apresentou redução no ritmo de crescimento em relação aos meses anteriores.
Política macroprudencial
“Esse resultado, ainda que reflita as condições favoráveis da economia, teve crescimento inferior às taxas dos últimos meses, o que pode indicar efeitos da política macroprudencial do governo”, diz o comunicado do IBGE.
De fevereiro para março, oito das dez atividades pesquisadas tiveram expansão. Os segmentos com os principais desempenhos positivos foram de equipamento de material para escritório, informática e comunicação (3,5%) e material de construção (2,7%). Apenas artigos farmacêuticos e de perfumaria (-0,1%) e combustíveis e lubrificantes (-0,1%) sofreram queda.







