Alta da inflação é o maior medo do consumidor

Em: 31 de maio de 2011
O medo de um crescimento da inflação, apontado por 71% dos consumidores entrevistados na pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada ontem, também parece estar presente em Manaus
O medo de um crescimento da inflação, apontado por 71% dos consumidores entrevistados na pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada ontem, também parece estar presente em Manaus

O medo de um crescimento da inflação, apontado por 71% dos consumidores entrevistados na pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada ontem, também parece estar presente em Manaus. O levantamento da entidade aponta como principais vilões por trás desse temor os preços do aluguel, dos combustíveis e dos alimentos.
Para a assistente administrativa Sheila Passos, um dos itens que mais tem pesado no bolso é o preço da gasolina. “Eu gastava R$ 50 por semana. Agora, já não é suficiente. Semana passada, fiquei quatro horas na fila de um posto porque o litro da gasolina estava sendo vendido a R$ 1,90, enquanto nos outros dias custa, em média, R$2,72”, destacou.
Os produtos que compõem a cesta básica também merecem destaque. Segundo ela, o preço do feijão e do leite disparou nos últimos meses. “Há pouco tempo, uma caixa de leite custava menos de R$ 2 e agora está sendo comercializada por, no mínimo, R$ 3”, lamentou.
A consumidora Marina Souza também se diz apreensiva. “O preço dos produtos, especialmente para quem compra em grande quantidade, está impraticável”, desabafou.
Na avaliação do presidente da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ralph Assayag, a preocupação do consumidor é compreensível, mas excessiva. “Se o perigo de um alto índice de inflação fosse real, as datas comemorativas como o Dia das Mães, por exemplo, não teriam movimentado tanto o comércio, porque seria impossível para o bolso do consumidor”, argumentou.
O dirigente considera que o aumento de preços se deve a fatores sazonais, como chuvas e período de entressafra de produtos, comuns ao primeiro semestre. No caso de artigos industrializados, haveria também o retorno da incidência de PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que havia sido suspensa no ano anterior.
Já para o economista e consultor empresarial, José Alberto Machado, a alta dos preços é, sim, um grave problema. “Sobretudo por que o Brasil é o que eu chamo de um país viciado em inflação. Então, o aumento de preço em um setor como o de combustíveis provoca alta em todo o resto. O risco de um descontrole é constante”, alertou.

Mecanismos de combate

No entanto, de acordo com o economista, é preciso ressaltar que as medidas macroprudenciais tomadas pelo governo federal já começam a surtir efeito. “A restrição de crédito e o aumento dos juros foram medidas arriscadas para o movimento da economia, mas necessárias para segurar o índice”, apontou.
José Alberto Machado explica ainda que a facilidade de crédito para estimular as vendas em 2010 foi o principal fator para a situação de inflação atual.
Segundo a pesquisa da CNI, que mediu o Inec (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor), o índice que mede a expectativa de inflação do consumidor ficou em 100,1 em maio contra 100,8 do mês anterior. A base do índice é 100, e números mais próximos da base representam maior preocupação.
Em contrapartida, os outros indicadores medidos pelo Inec foram positivos.
O indicador que mede a expectativa de desemprego passou de 129,4 em abril para 132,1 em maio, representando otimismo do brasileiro. A maior confiança das famílias também foi verificada com relação aos salários. O índice de expectativa de crescimento da renda pessoal aumentou 1,1% sobre abril e está 0,4% acima do pontuado no mesmo período de 2010.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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