Dois anos depois do anúncio da união, o negócio entre Perdigão e Sadia está previsto para ser julgado na próxima quarta-feira pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A informação consta da pauta da sessão 492 divulgada hoje pelo órgão antitruste. Os advogados das empresas estiveram hoje reunidos com representantes da autarquia, mas o teor da conversa entre as partes é confidencial.
O Cade trabalha com efetividade do julgamento na próxima semana, mas as empresas ainda tentam uma negociação para evitar restrições que devem ser impostas pelo órgão antitruste, a julgar pelos pareceres da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda e da Procuradoria do Cade (Procade).
Sadia e Perdigão mostraram recentemente dispostas a fazer o que for necessário para manter suas duas principais marcas no mercado. Esse posicionamento começou a surgir após os sinais emitidos pelo governo de que teriam de desfazer o negócio ou de que veriam parte dele vetado. Os representantes das empresas chegaram a dizer que iriam propor um acordo à autarquia. “Vamos ceder”, resumiu à Agência Estado o vice-presidente de Assuntos Corporativos da BRF Brasil Foods, Wilson Mello, há duas semanas. Se isso for confirmado, levará o processo a se arrastar por pelo menos mais três ou quatro meses.
As empresas não abrem mão de manter suas marcas, conforme uma das alternativas expressas em parecer da Seae divulgado em junho do ano passado. Pela indicação da Seae, o Cade deveria determinar o repasse a um concorrente, por pelo menos cinco anos, do direito de uso da marca Sadia ou Perdigão. Além disso, as empresas teriam de vender ativos, como unidades industriais, de abate de animais e até carteira de fornecedores. A empresa não deseja, no entanto, “matar a essência da fusão”, que são as marcas.
O que a BRF Brasil Foods se disse disposta a fazer é começar uma negociação a partir da alternativa “B” do parecer da Seae. Essa sugestão leva em conta a venda das marcas Batavo, Doriana, Claybom, Delicata, Rezende, Confiança, Wilson, Escolha Saudável e de ativos relacionados à produção de laticínios e congelados, entre outros. A disposição de usar essa possibilidade para um acordo não significa que a empresa aceite todos os termos do documento. Esse será apenas um ponto de partida para a negociação.
Cade julgará fusão entre Perdigão e Sadia na próxima semana
Em: 3 de junho de 2011
Dois anos depois do anúncio da união, o negócio entre Perdigão e Sadia está previsto para ser julgado na próxima quarta-feira pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Redação
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