Alta provoca corrida para compra de ouro no Brasil

Em: 15 de agosto de 2011
A cotação elevada do ouro provoca uma corrida das mineradoras ao metal no Brasil
A cotação elevada do ouro provoca uma corrida das mineradoras ao metal no Brasil

A cotação elevada do ouro provoca uma corrida das mineradoras ao metal no Brasil. O número de requerimentos de pesquisa, etapa inicial da exploração do metal, já é recorde em 2011. No primeiro semestre, empresas de mineração fizeram 892 solicitações desse tipo. No ano passado inteiro, foram 1.162 pedidos.
Nesta semana, a cotação do ouro passou de US$ 1.700 (R$ 2.770) a onça-troy (o equivalente a 31,1 gramas). O interesse é tanto que a pilha de pedidos para pesquisa de ouro já é a maior no DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), entre todos os minérios.Há mais fluxo de pedidos para ouro do que para ferro.
“O ouro é a substância mais procurada no Brasil hoje”, afirma Antonio Lannes, gerente de dados econômicos do Ibram (Instituto Brasileiro de Mi­neração).Consequentemente, há o aumento de autorizações de pesquisa e concessões de lavra. Neste ano já foram dadas 746 autorizações. Em todo o ano passado foram 1.281.
Grande parte das empresas que obtêm a outorga, etapa posterior à autorização de pesquisa, são internacionais. O principal foco delas é o mercado externo, principalmente o setor financeiro, que busca no ouro um ativo seguro e em valorização em tempos de instabilidade. Segundo Lannes, 75% do ouro produzido no Brasil vai para exportação. Os maiores compradores são Reino Unido (45%), Suíça (32%), Emirados Árabes (12%) e Estados Unidos (9%).

Segundo lugar

Em 2010, as exportações de ouro atingiram US$ 1.786 bilhão (R$ 2,9 bilhões), tomando a segunda colocação do nióbio, cuja exportação chegou a US$ 1.6 bilhão (R$ 2,6 bilhões). Foram cerca de 61 toneladas produzidas e 46 toneladas exportadas.
Com a cotação cada vez mais alta do ouro, a previsão é que em 2011 as exportações ultrapassem US$ 2.2 bilhões (R$ 3,6 bilhões).
O principal produto mineral da pauta de exportação continua sendo o imbatível ferro, que gerou US$ 29 bilhões (R$ 47,3 bilhões) de dividendos comerciais.
“A valorização do ouro, devido ao cenário de crise, deve garantir a permanência desse metal como segundo bem mineral mais exportado pelo Brasil”, afir­ma Mathias Heider, especialista em recursos minerais do DNPM. Segundo Heider, as jazidas brasileiras permitem níveis crescentes de produção para os próximos anos.
Algumas gigantes do se­tor, consultadas pela repor­tagem, afirmaram ter interesse em ampliar o investimento na exploração de ouro no Brasil.
A Anglo Gold, que produziu e exportou 12,9 toneladas de ouro no ano passado, vai investir US$ 250 milhões (R$ 407 milhões) em 2011.
A Jaguar quer ampliar sua produção, que foi de 4,4 toneladas em 2010, para 5,6 toneladas em 2011. Para isso, prevê investir US$ 278 milhões (R$ 453 milhões). A Yama­na Gold planeja investir US$ 640 milhões (R$ 1,04 bilhão) na construção de quatro novas minas, três delas no Brasil e uma no México. Vai ainda dedicar US$ 105 milhões (R$ 171 milhões) à exploração no Brasil, Chile, Argentina e México.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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