Deficit logístico começa a pesar para setor de duas rodas no PIM

Em: 4 de outubro de 2011
Chinesa Shineray foi a primeira empresa do setor a optar pelo Nordeste para instalar uma planta industrial no lugar do Polo Industrial de Manaus; anúncio foi feito no Salão Duas Rodas, em São Paulo
Chinesa Shineray foi a primeira empresa do setor a optar pelo Nordeste para instalar uma planta industrial no lugar do Polo Industrial de Manaus; anúncio foi feito no Salão Duas Rodas, em São Paulo

Incentivos da ZFM já não atraem novos fabricantes do polo de duas rodas para o PIM. Pelo menos é o que demonstra a importadora chinesa Shineray, ao anunciar ontem a instalação de sua primeira montadora em solo brasileiro, no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco. Dessa forma, a multinacional torna-se a primeira empresa que opta por outra região para fabricar o produto.
A declaração foi dada ontem em coletiva à imprensa que antecedeu a abertura do Salão de Duas Rodas em São Paulo. De acordo com o gerente comercial da marca no Brasil, Abenaildo Galindo Filho, O elevado custo da logística do PIM foi o principal fator que motivou a decisão. “Nossa escolha por não produzir no Amazonas se deveu principalmente à questão logística e a problemas sérios de infraestrutura. Os incentivos oferecidos por Suape, para nós, são equivalentes, além da estrutura portuária oferecida em Pernambuco. As vantagens são maiores lá”, defendeu.
Para ele, a localização de Manaus é outro grave problema. “Os produtos demoram cerca de dez dias de balsa para chegar a Belém. É muito tempo. Em Recife temos toda a estrutura portuária e o escoamento é muito mais fácil para o resto do país”.

R$ 100 milhões

Prevista para inaugurar no segundo semestre de 2013, a fábrica vai receber investimento inicial de R$100 milhões. Serão quatro linhas de montagem gerando 400 postos de trabalho diretos e mais de 1.000 indiretos. A perspectiva é que a unidade produza entre 150 e 200 mil motos por ano. Atualmente, a empresa comercializa 14 modelos, sendo o carro-chefe, o modelo Fenix que custa R$ 3.490.

Nordeste tem espaço

De acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motoci­cletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), o Nordeste já desponta como o principal mercado de motos do Brasil já superando inclusive a Região Sudeste, em relação às vendas de atacado.
Em setembro, de acordo com dados da associação o número de motos vendidas no atacado chegou a 178 mil unidades, sendo 36% das vendas para o Nordeste contra 34% para o Sudeste. No acumulado do ano, as duas regiões vinham apresentando números muito próximos.
Diante desse quadro, ainda segundo a Abraciclo, em breve a região deve ultrapassar o Sudeste também nas vendas do varejo. Atualmente, o Nordeste possui 550 lojas contra 897 existentes no Sudeste.

Suape

Suape hoje recebe investimentos da ordem de US$ 17 bilhões. São mais de cem empresas instaladas e outras 35 em fase de implantação nos seus 30 anos de existência. Uma refinaria de petróleo, três plantas petroquímicas e o maior estaleiro do hemisfério sul estão em construção no local e esses investimentos alavancaram novas cadeias produtivas no Estado. As empresas recebem ainda incentivos fiscais, oferecidos pelos governo federal e estadual.

Grandes fabricantes em exposição

Além da Shineray, o Salão de Duas Rodas, que tem início hoje e segue até o próximo domingo, 9, vai reunir grandes fabricantes e principais revendedores do segmento no país. Empresas como Kasinski, Moto Honda, Yamaha e Dafra anunciaram ontem à imprensa seus principais lançamentos e projeções para o futuro do mercado no Brasil.
Entre os destaques está a BMW Motors que, na ocasião, apresentou a G650 GS, primeiro lançamento mundial no Brasil, que passa a ser fabricada no Brasil a partir de janeiro do próximo ano. De acordo com o diretor da empresa no Brasil, Roff Epp, a marca registrou crescimento de 300% no país que já representa o 6º maior mercado da empresa no mundo.
Em sua primeira participação no evento, a Harley-Davidson também se destacou ao apresentar os 19 novos modelos, oito deles inéditos no Brasil.
“Estamos tendo um ano de grandes desafios. Aumentamos nossa presença comercial e não poupamos esforços para garantir os investimentos necessários para os clientes brasileiros”, afirmou o diretor-superintendente Comercial da Harley-Davidson do Brasil, Longino Morawski.

* A repórter viajou a São Paulo a convite da Abraciclo

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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