Flávia Grosso cai sob denúncias de corrupção

Em: 10 de outubro de 2011
Lideranças do Amazonas sugerem que o próximo superintendente da Suframa seja um nome de consenso e que leve em conta a realidade do Estado
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Lideranças do Amazonas sugerem que o próximo superintendente da Suframa seja um nome de consenso e que leve em conta a realidade do Estado

Sob pressão de denúncias apontando para enriquecimento ilícito e improbidade administrativa na Suframa, a superintendente da Zona Franca de Manaus, Flávia Grosso, entregou carta de demissão na manhã de ontem, 7, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. A carta foi aceita e levada ao conhecimento da presidente da República, Dilma Rousseff, que deverá decidir agora com o governador Omar Aziz (PSD) e o senador Eduardo Braga (PMDB) a escolha de um nome para a autarquia. Politicamente, a vaga pertence ao PMDB.
Segundo o presidente da Frente Parlamentar Nacional de Combate à Corrupção, deputado federal Francisco Praciano (PT), Flávia Grosso demorou para deixar o cargo, em virtude de processos a que responde no âmbito do MPF (Ministério Público Federal). De acordo com Praciano, a saída se deve, em parte, a suspeita de a ex-superintendente ter permitido repasse irregular de R$ 2 milhões para uma Ong (Organização Não-governamental) pertencente a um irmão. “Depois, ela foi omissa com relação à ZFM e não soube defender a competitividade do modelo junto ao governo federal, de modo que a ZFM perdeu, com ela, a interlocução direta com o Palácio do Planalto e com os respectivos ministérios”, comentou ao Jornal do Commercio.
Praciano prega a necessidade de um grande entendimento entre o PMDB, dono do cargo de Flávia Grosso, e as forças políticas com interesse na questão, visando a escolha de um nome forte e com influência política em Brasília para comandar a Suframa. “Precisamos de alguém com visão e capacidade de estrategista, alguém preparado para enfrentar este momento de insegurança jurídica, que nos ajude a repensar o modelo ZFM e construa a infraestrutura logística necessária para que o modelo se revitalize”, aconselhou.
Para o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), a saída de Flávia Grosso leva à reflexão. Ele sugere que o próximo superintendente da Suframa seja um nome de consenso e que leve em conta a realidade das novas demandas do mundo informatizado de hoje. “É importante que o novo superintendente seja alguém competente e bastante inteirado das nossas necessidades, considerando os milhares de empregos que devem ser preservados no PIM e o peso da ZFM para a balança comercial brasileira”, expressou ao JC.
Na opinião dos deputados Carlos Souza (PSD) e Pauderney Avelino (DEM), a substituição de Flávia Grosso na Suframa deve ocupar a pauta da bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional, que deve se reunir para debater a questão com o governador Omar Aziz e o ministro Fernando Pimentel. “Acreditamos que esse processo tem que ser uma prerrogativa do governador Omar Aziz com as forças políticas do nosso Estado e o nome do atual secretário de Fazenda do Estado, Ispher Abrahim, sem dúvida alguma, merece todo o nosso respeito”, enfatizou.
O deputado Pauderney Avelino, por sua vez, disse ao JC que “já era hora de mudar a superintendente da Suframa uma vez que Flávia Grosso foi ,talvez, a superintendente mais longeva à frente da autarquia. Portanto, era hora de mudar e corrigir os rumos do PIM”. Ele, também, destacou o nome de Ispher Abrahim como opção para o lugar de Flávia “pela experiência e por já conhecer bem a Suframa”.
Entre os deputados estaduais, alguns como Adjuto Afonso (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Nicolau (PSD), confessaram-se “surpresos” com o pedido de demissão de Flávia. Para o vice-líder do PT na Aleam, deputado José Ricardo Wendling, no entanto, a escolha do novo superintendente não deve ser uma escolha simples, pois a questão exige reflexão sobre um novo projeto para fortalecer a ZFM que atenda as demandas de toda a Amazônia Ocidental e que saiba negociar com o Palácio do Planalto,ao menos, parte do contingenciamento de recursos superiores a R$ 1 bilhão, pertencentes a Suframa.

Denúncias

A saída de Flávia Grosso da Suframa deixa como herança um elenco de irregularidades que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal, incluindo um convênio firmado entre a Suframa e o CIEAM (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas) visando a revitalização do sistema viário do Distrito Industrial, em Manaus. Parte dos recursos teria sido aplicada sem a devida comprovação dos serviços.
De acordo com MPF/AM, o TCU (Tribunal de Contas da União) constatou irregularidades em convênio de R$ 25 milhões, aditivado em mais de R$ 70 milhões. O MPF afirma, ainda, que o Cieam não dispunha dos requisitos mínimos para executá-lo, além de não existir projeto básico para as obras. A denúncia de enriquecimento ilícito se refere à contratação indevida do escritório de advocacia Brasília Consultores Associados S/S Ltda, no valor de R$ 120 mil, para elaboração de parecer jurídico privado, sem licitação. Vale ressaltar que, em 23 de setembro a Polícia Federal cumpriu mandados da Justiça Federal de intimação, com busca e apreensão na casa de dirigentes e funcionários da Suframa, em ação movida pelo MPF/AM (Ministério Público Federal). Segundo a assessoria de comunicação da PF, um dos mandados foi cumprido na casa da ex-superintendente Flávia Grosso, onde foram apreendidos documentos, joias e dinheiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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