A última reunião do ano do CAS (Conselho Administrativo da Suframa) aprovou na quarta-feira, 25 projetos totalizando investimentos da ordem de US$ 387.261 milhões. No entanto, as empresas vão gerar apenas 233 novos postos de trabalho, ou seja, uma média de US$ 1.66 milhão para criação de um posto de trabalho.
Consultado pelo Jornal do Commercio, o presidente da Federação dos Trabalhadores das Indústrias do Amazonas, Ricardo Miranda, demonstrou preocupação com a pouca geração de empregos. “Esses empresários recebem muitos incentivos para se instalarem aqui e gerar emprego e desenvolvimento na região e o que vemos é a criação de um ou dois postos de trabalho em um período de três anos. É pouco”, criticou.
O presidente da Aficam (Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial do Amazonas), Cristóvão Marques, que responde pelo segmento de componentes, diz que é preciso que os fabricantes de bens finais comprem aqui para gerar emprego. “No setor de duas rodas, por exemplo, a maior parte dos fabricantes não injeta carenagem, retrovisor, sinaleiro em Manaus. Praticamente, só a Honda, a Yamaha e agora a Kasinski criam novos postos. Adquirir componentes aqui gera emprego aqui, é uma das soluções”, apontou.
O secretário –executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior), Alessandro Teixeira rebateu que o baixo índice de geração de empregos na pauta em comparação ao investimento se deve ao tipo de projeto que se quer atrair para o PIM. “As empresas que tem vindo pra cá são de alta ou média tecnologia. Estamos olhando não só a quantidade dos empregos, mas dando atenção para a qualidade. Então, são empresas intensivas em tecnologia, elas atraem mais capital intelectual e muito menos emprego, no confronto com atividades menos dinâmicas. Isso não é negativo”, defendeu.
O presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas),Valdemir Santana, ressaltou ainda a geração de empregos indiretos no PIM. “A cada emprego dentro da fábrica, aproximadamente quatro postos são criados em serviços ligados à indústria como alimentação, segurança, transporte. Portanto, esses 233 postos significam, em uma conta rápida, praticamente mil pessoas empregadas”, ponderou.
Destaques
Dos 25 projetos aprovados, 18 foram de diversificação, atualização e ampliação e 7 de implantação. Os destaques de diversificação foram das empresas Phitronics, que pretendem fabricar, nos próximos três anos, unidades acionadoras de disco magnético rígido, com investimentos de US$ 187.354 milhões. A produção de artigos plásticos para embalagem da Videolar vai injetar US$ 46.229 milhões. Já a Magnum, fabricante de relógios de pulso, vai investir US$ 27.611 milhões.
Entre as iniciativas de implantação, os destaques ficaram por conta da Impram Indústria Gráfica, para fabricação de manuais técnicos impressos, (investimento de US$ 4.119 milhões e geração de 78 novos empregos), da Rebelo, produtora de estruturas de ferro e aço para construção civil (US$ 2.752 milhões) e a Fructus que vai produzir frutas desidratadas no município de Iranduba (US$ 305 mil e geração de 19 empregos).
Thomaz Nogueira assume
Após exatos dois meses sem direção definida, o ex-subsecretário da Sefaz (Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas), Thomaz Nogueira foi confirmado, durante a reunião, para o cargo de superintendente da Suframa. A nomeação oficial ocorrerá nos próximos 7 dias com a publicação no DOU (Diário Oficial da União) e a posse deve ocorrer no dia 10 de janeiro.
O novo representante da autarquia disse em coletiva à imprensa, que planos para a prorrogação do modelo ZFM e a briga para liberar recursos contigenciados pelo governo federal serão os primeiros desafios. A Suframa tem de pensar como vai se portar nos próximos 50 anos, estamos com essa proposta de prorrogação do modelo Zona Franca, temos que pensar no presente e construir essa ponte para o futuro.







