Apesar de uma recuperação na última quinzena, a venda de veículos novos (automóveis), comerciais leves, caminhões, ônibus e motos) não agradou as concessionárias no Amazonas. No primeiro mês de 2012, de acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) foram emplacados 4.081 mil, praticamente o mesmo número de janeiro de 2011 (4.094 veículos), com queda de apenas 0,32%. Mas, se em relação a janeiro, o número é razoável, no comparativo com dezembro do ano anterior, quando 7.190 unidades foram para as ruas, as vendas caíram pela metade (-43,24%).
Comparativamente a janeiro de 2011, a alta nas vendas havia sido de 15,44% na em relação a igual período de 2010. Carros e comerciais leves caíram apenas 2,8%, caminhões e ônibus tiveram um acréscimo de 52% e a venda de motos havia aumentado 41,58%.
A mudança de cenário começa a preocupar as revendedoras e o rigor para a liberação de crédito foi apontado como o principal problema para o crescimento das vendas esse ano.
“Agora no final de janeiro é que notamos uma melhora, mas antes a venda de automóveis estava em queda-livre. A liberação do crédito é o maior problema. Há alguns anos, de dez análises, 8 eram aprovadas, agora apenas duas passam pelo rigor dos bancos”, conta O gerente de vendas da concessionária Via Marconi, Antônio Carlos Lima.
Segundo ele, um agravante foi o grande número de veículos no pátio das concessionárias. “De 2010 para 2011, eu tinha cem carros no estoque, esse ano eram 350 e, além disso, já viemos de um ano não muito bom pois tínhamos expectativa de crescer 10% e crescemos apenas 3%”, lamentou.
Para o gerente geral da Manaus Motocenter, Luis Abdala, a restrição para o setor de duas rodas é ainda mais severa. “De 10 pedidos apenas um é liberado. Em janeiro de 2011 vendemos cem motocicletas através de financiamento, esse ano foram apenas 50”, detalha.
Isso porque, na prática, segundo ele, os bancos consideram o custo para se apreender um veículo por falta de pagamento muito maior do que o próprio valor pago pelo consumidor, o que justifica uma análise minuciosa da vida financeira do interessado no financiamento para controle da inadimplência.
“E como nosso público é formado maciçamente pela classe C e D, com renda em média até R$ 1.500, os bancos calculam de acordo com o nível de endividamento permitido. Uma pessoa com essa renda ainda tem gastos com aluguel, parcelas de cartão de crédito, supermercado etc. Tudo é levado em consideração”, continuou.
O economista e presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende explica que a restrição continua a mesma porque a redução da Selic –taxa básica de juros- em 0,5% ainda não surtiu efeito. “Além disso, o nível de endividamento fixado pelos bancos era de até 30% do salário do trabalhador e agora não passa dos 25%”.
Conforme explica, a inadimplência continua em observação porque o consumidor continua cometendo excessos. “Em geral, ele faz o cálculo para a parcela mas esquece dos gastos com combustível e manutenção que também precisam entrar na conta”, esclareceu
Produção
No caso das motos, a queda das vendas reflete na produção industrial do PIM. Em janeiro de 2012, de acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) observou-se queda de 4%, com 173.277 unidades fabricadas contra 180.397 de igual período de 2011.
“O estoque está alto e ficamos preocupados porque é uma cadeia e a produção industrial está caindo porque nós não estamos conseguindo tirar as motos do pátio”, lembrou Luis Abdala.
O que se espera, de acordo com Ailson Rezende, é que o Copom (Conselho Político e Monetário) efetue mais cortes na taxa Selic. “Se o mercado passar a trabalhar com juros de um dígito, (9,5%), pode ser que a situação fique mais amena”, projetou.







