Em aparente clima de festa e tinturas de democracia, o PT (Partido dos Trabalhadores) escolheu neste domingo, quinhentos delegados que no dia 3 de março decidirão, em encontro municipal, se o partido terá ou não candidato próprio às eleições de outubro. Quatro mil filiados participarão do evento programado para domingo em locais estratégicos das zonas norte, sul, leste e oeste da capital.
De acordo com o deputado estadual José Ricardo, membro do grupo Mensagem e defensor do nome do deputado federal Francisco Praciano como opção de candidatura própria do partido à sucessão municipal, a escolha de delegados será marcada por uma guerra dos grupos ideológicos contra os segmentos petistas divididos entre o governador Omar Aziz (PSD), prefeito Amazonino Mendes (PDT) e o senador Eduardo Braga (PMDB).
Sete chapas concorrem às eleições e, segundo José Ricardo, cada chapa representa os interesses de uma tendência dentro do partido. “Há chapa que defende candidatura própria, chapa cujos membros estão calados, há chapa de grupos com ligações fortes com o governo municipal e chapa com membros ligados ao governo do Estado”, diz o parlamentar.
A exemplo do PT nacional, no âmbito regional o partido demonstra nitidamente ter deixado de lado seu caráter ideológico, com os seus militantes travando hoje verdadeira guerra política em função de vantagens conquistadas junto ao governo estadual e a Prefeitura Municipal. Nesse sentido, é visível o confronto entre o grupo do deputado Sinésio Campos, líder do governador Omar Aziz na Assembleia Legislativa, e o grupo do presidente municipal do partido, Valdemir Santana, vinculado ao prefeito Amazonino Mendes.
Apesar da acirrada disputa interna, José Ricardo disse ao Jornal do Commercio ter esperança de que “o bom senso prevaleça e o PT decida por candidatura própria com vistas à sucessão municipal”. Ele considera que o partido, para concretizar o projeto de eleger o maior número possível de vereadores à Câmara Municipal, precisará ter candidato próprio à prefeitura. “Além do mais, a candidatura própria também é necessária para poder apresentarmos nossas propostas de desenvolvimento para a cidade de Manaus”.
Torre de Babel
José Ricardo não tem a menor dúvida de que a Torre de Babel petista realize um evento bastante agitado neste domingo em virtude da disputa entre os grupos vinculados aos Poderes Executivos estadual e municipal, além do grupo que segue a orientação do senador Eduardo Braga por meio de Sinésio Campos.
“Eu lamento que esses caciques políticos tenham tanta influência dentro do PT nos últimos anos. O Amazonino, por exemplo, é o rei da cooptação e os filhos políticos dele, o Braga e o Omar, são iguais, cooptaram as pessoas com cargos e, por conta dos cargos, essas pessoas os defendem com unhas e dentes, em vez de defenderem o PT”.
Para o deputado, o pior de tudo é que o fisiologismo, além de desgastar o partido, não destaca os militantes na máquina administrativa do Estado ou do município. “A Secretaria de Movimentos Sociais, do governo do Estado, não significa nada para o PT, assim como a Secretaria de Recursos Minerais, com influência do deputado Sinésio, não tem expressão alguma, e da mesma forma o Iteam (Instituto de Terras do Amazonas), onde não há apoio para o processo de regularização de terras, sem contar a Secretaria de Ciência e Tecnologia, que é na verdade a UEA cujos petistas que estão lá dizem que não devem nada ao governo”, desabafa o parlamentar.






