Projetos do deputado Souza com a ponte sobre o Solimões

Em: 14 de fevereiro de 2012
O esporte também é visto como instrumento de transformação da sociedade e de progresso humano
O esporte também é visto como instrumento de transformação da sociedade e de progresso humano

Pré-candidato à Prefeitura de Iranduba, o deputado estadual Francisco Souza (PSC), nesta entrevista ao Jornal do Commercio, manifesta o seu pensamento sobre o município e aposta suas fichas na construção da ponte sobre o rio Solimões como um empreendimento estratégico para levar a economia de Iranduba e do Estado do Amazonas a uma nova realidade, rumo à conexão Atlântico/Pacífico.

Jornal do Commercio – Quais são suas ideias e seus projetos para Iranduba? Quais as principais demandas para o município hoje?

Deputado Francisco Souza – Uma das minhas prioridades será lutar pela profissionalização do esporte, pois Iranduba já disputa o campeonato estadual de futebol, mas precisa de profissionalização. Isso porque temos consciência de que o esporte profissionalizado será uma forma de resgate social. Um grande trabalho social em Iranduba poderá ser feito a partir do esporte.
Também pensamos no Cacau Pirera que, com o advento da Ponte Rio Negro, deve continuar vivo. O que nós temos que fazer é vitalizar, renovar e modernizar. O Distrito do Cacau merece um porto digno e uma infraestrutura que recepcione o turismo, isso com um porto moderno naquele local onde as balsas atracavam, um porto perene, permitindo o transporte de lanchas entre Iranduba e Manaus, mas também um porto que recepcione iates de acordo com as demandas da indústria do turismo. Pensamos numa estrutura mais digna para a questão da feira e o remanejamento de quase mil famílias que temos ali, tudo com o objetivo de reestruturar o Cacau, melhorando a qualidade de vida social da população e atendendo as demandas de mais de 300 empreendedores individuais que trabalham ali, que perderam muita coisa com a ponte e têm que ser vistos e ajudados em seus negócios.

JC – O Distrito do Cacau e o bairro do Mutirão representam uma cidade dentro de Iranduba.

F Souza – Realmente são duas cidades que devem ser olhadas com carinho. O Distrito do Cacau e Mutirão do Cacau hoje somam pouco mais de 6 mil domicílios. Se considerarmos três pessoas em cada domicílio, vamos chegar a praticamente 20 mil pessoas. É mais do que a população do município de Tonantins, no Alto Solimões.

JC – Iranduba vive a expectativa da construção da ponte sobre o rio Solimões, que ligaria Manaus e a sua região metropolitana ao Sul do país via BR-319. Há a possibilidade de a ponte tornar-se realidade, a exemplo do que aconteceu com a Ponte Rio Negro?

FSouza – Da mesma forma como ocorreu com a ponte sobre o rio Negro, sonhamos com a ponte sobre o rio Solimões. E eu recebi com alegria a notícia de que o governo federal já confirmou a liberação de R$ 500 milhões para o início das obras dessa ponte, recursos conseguidos graças à luta da bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional. A bancada lutou por 1 bilhão e meio dentro do PPA (Plano Plurianual) do governo federal, mas o governo já sinalizou com 500 milhões. Isso nos leva a crer que a ponte sobre o rio Solimões, depois da ponte sobre o rio Negro, é um empreendimento inevitável. Sabemos que construir uma obra dessas, mexendo com um rio complexo como o Solimões, não é fácil, mas há tecnologia moderna para isso. Eu posso citar um engenheiro da construtora Camargo Correia que me disse que essa empresa, por exemplo, possui ‘know how’ em nível mundial para edificar uma obra desse porte.

JC – Essa ponte seria fundamental do ponto de vista econômico para o Estado do Amazonas considerando o processo da globalização, não é verdade?

FSouza – A ponte sobre o rio Solimões seria a verdadeira integração do Amazonas aos mercados do Sul e do Sudeste. Imaginem o alto significado da ponte para o turismo, seria um negócio fantástico. Seria ligação do Norte do Brasil com a região Sul e Sudeste do nosso país e seria uma grande via sul-americana, ajudando a ligar a Venezuela com o Uruguai, o oceano Pacífico com o oceano Atlântico. Seria o nosso acesso a um mercado de mais de 1 bilhão de pessoas. O intercâmbio turístico seria imenso.

JC – Os ganhos seriam fabulosos para os negócios dentro do Estado e a partir do Estado nas transações com as outras regiões.

FSouza – Vamos analisar um aspecto conjuntural nesse sentido, vamos rodar o anel viário de Manaus, vamos pegar a BR-174, passando pela Reserva Duque, Torquato Tapajós, Avenida do Turismo, Ponte Rio Negro, vamos ao Ramal do Laranjal, na Rodovia AM-070. Ali, na realidade, nasce a AM-040, que vai ligar Manaquiri com a AM-354 até a BR-319. Com a ponte sobre o rio Solimões e o acesso a BR-319 poderemos ter a nossa economia crescendo a todo o vapor, pois viagens que hoje duram 16 dias, sem interrupção, de São Paulo a Manaus, seriam realizadas dentro de oito a nove horas apenas. Imaginamos o quanto o turismo cresceria com toda essa estrutura.

JC – O futuro do Amazonas seria o turismo?

FSouza – Com certeza, o futuro do Amazonas, o nosso Amazonas está hoje entre os dez destinos turísticos do Brasil, concorrendo com Rio de Janeiro e Bahia. A ponte vai reduzir custos e vai mudar culturalmente a nossa região.

JC – E o turismo a partir de Iranduba?

FSouza – O turismo em Iranduba deve ter mão de obra qualificada e ser exercido com competência de gestão, temos que qualificar nossa mão de obra e gerar mais empregos, incentivando e fortalecendo o turismo com o uso da lanchas e investir no atendimento. Iranduba não se preparou para recepcionar o turismo no período pós-ponte e foi assim também com Parintins. Então, temos que investir nessa infraestrutura, em parceria com os governos federal e estadual, temos que investir em restaurantes, hotelaria etc., até porque temos aí batendo na porta a Copa do Mundo de 2014. Segundo a Fifa, 20 milhões de turistas devem vir para o Brasil em 2014, querendo conhecer a Amazônia. Como poderíamos atraí-los para cá. Teremos que atrair os turistas e saber recebê-los com a estrutura devida.

JC – Além do turismo, o que o senhor pensa sobre o setor primário de Iranduba?

FSouza – Iranduba possui um potencial muito grande, Iranduba do Solimões, Ilha do Jacurutu, Ilha da Paciência, Ilha da Marchantaria. Iranduba produz muito pouco, por exemplo, a fibra vegetal, e temos, então, que incentivar mais a produção de fibra vegetal, usando mais a Afeam. Isso seria rentável, ecologicamente correto e socialmente justo. Iranduba é sinônimo de produção e de fartura e tem que desenvolver suas vocações. O setor primário irandubense é uma das grandes prioridades. Da mesma forma como receberemos o Prosamin, a exemplo de Maués, vamos desenvolver o setor primário.

JC – E a educação em Iranduba, como entender a educação no atual contexto do município?

FSouza – Iranduba está bem no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o município está bem nesse setor, com o bom trabalho desenvolvido pela atual secretária municipal de Educação, vice-prefeita Rose Ebling. Já está sendo projetada a Escola de Tempo Integral, quatro escolas de tempo integral. A educação em Iranduba vai bem e neste momento o que se deve fazer é sequenciar e aperfeiçoar o trabalho em curso, é investir mais, qualificar mais.

JC – Quanto à saúde, quais são suas ideias para Iranduba?

FSouza – Nesse sentido, temos que pensar no Iranduba rural, banhado por dois grandes rios. Temos que pensar em Iranduba até a Terra Preta, já no rio Negro, e temos que pensar no município de Iranduba abrangendo o rio Solimões. As ambulanchas com estrutura do Samu, temos que considerar as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). E temos que ter um secretário de Saúde bem articulado que saiba realizar um programa de ação de saúde comunitária fazendo com que o cidadão rural seja bem atendido na sede municipal. São 66 comunidades cadastradas na zona rural, localizadas nas margens dos rios Negro e Solimões. Nossos comunitários precisam ter boa acolhida na cidade, com atendimentos em hospital de qualidade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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