Déficit amplia pacote de problemas

Em: 20 de março de 2012
Resultado da balança comercial do Estado foi o segundo pior do país, com US$ 1,872 bilhão de déficit, atrás apenas de São Paulo
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Resultado da balança comercial do Estado foi o segundo pior do país, com US$ 1,872 bilhão de déficit, atrás apenas de São Paulo

Depois de encerrar o primeiro bimestre com saldo negativo na geração de empregos -1.611 demissões segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego)- e fraco dinamismo na produção industrial -1,7% em janeiro de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o cenário desfavorável da economia amazonense neste início de ano também foi evidenciado pela balança comercial do período divulgada pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Entre janeiro e fevereiro, o Amazonas exportou o equivalente a US$ 127,14 milhões enquanto as importações totalizaram US$ 1,99 bilhão. O resultado foi o segundo pior déficit do país (US$ -1,872 bilhão), atrás apenas do Estado de São Paulo, que fechou com saldo negativo de US$ 4,653 bilhões.
A justificativa da sazonalidade do período já não é suficiente para explicar o desaquecimento. Para o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, os vilões são outros. “A taxa cambial do jeito que está, com o real supervalorizado, deixa nossos produtos mais caros no mercado externo, o que impacta diretamente nas nossas exportações. Enquanto isso, competir no mercado interno com os produtos importados está cada vez mais difícil”, destacou.
Só com importações de insumos provenientes da China, o Amazonas gastou US$739,69 milhões entre janeiro e fevereiro, crescimento de 32,6% frente ao mesmo período do ano passado. Em seguida, os maiores gastos foram com a Coreia do Sul (US$ 297,54 milhões) e com o Japão (US$ 221,99 milhões). Ao todo as importações do Amazonas cresceram 10,51% no bimestre em comparação a igual intervalo de 2011, quando foram gastos US$ 1,80 bilhão.
Os principais insumos, segundo o levantamento, foram componentes para receptores de TV e rádio (US$ 426,64 milhões), acessórios para motocicletas (US$ 74,68 milhões), conjunto para disco rígido (59,51 milhões) e placas de circuito integrado com US$ 56, 61 milhões.
Para o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, outro fator que aumenta a importação de insumos é o avanço tecnológico. “Produtos de alto valor agregado produzidos aqui como os tablets, por exemplo, exigem insumos que o Brasil não tem tecnologia para fabricar e a solução é trazer de fora”, constatou.
Por esse motivo, de acordo com ele, somado ao fato de a demanda maior vir do mercado interno é que o déficit da balança comercial brasileira deve persistir.

Mercado Externo

Ao contrário das importações, as exportações registram queda de 15,40% no primeiro bimestre. Com US$ 127, 14 milhões frente aos US$ 150,29 milhões referentes ao ano passado.
Os principais países compradores de produtos brasileiros frearam o consumo. As vendas para a Argentina sofreram retração de 33,46%, seguida da Venezuela e Colômbia, com queda de 13,66% e 16,46%, respectivamente.
Da mesma forma os produtos mais exportados tiveram menor saída no começo de 2012, como a venda de terminais portáteis para aparelho celular que decresceram 71,37%. Aparelhos de barbear e preparo para elaboração de bebidas também registraram queda. Somente a exportação de motocicletas obteve crescimento de 86,90%.
No entanto, apesar de parecer uma boa notícia para o setor, o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix, explica que a expansão nas exportações do segmento de duas rodas foi consequência da falta de compradores no mercado interno. “Os revendedores ficaram com um estoque alto no fim do ano passado e no início de 2012 diminuíram os pedidos. Então a saída da indústria foi forçar o mercado externo”, esclareceu.

Soluções

Segundo Ailson Rezende, a expectativa é que a redução da Selic -taxa básica de juros- para 9,75% e a ligeira apreciação do dólar, cotado hoje em US$ 1,80 aproximadamente ainda não refletiram, mas podem trazer melhores resultados nos próximos meses, tanto para a exportação porque controla a valorização do real quanto para a importação porque permite melhores níveis de competição com os produtos vindos de outros países.
O analista de economia da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, aponta ainda outras soluções como o aumento das alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e II (Imposto de Importação) sobre produtos acabados importados da Ásia. “Medidas macroeconômicas como essa somadas à correção de infraestrutura de logística, gargalo de toda a indústria brasileira em especial no Amazonas podem ser um alento nesse período de baixa competitividade”, avaliou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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