Embora a entrega das obras do monotrilho (1ª etapa) e do BRT (Bus Rapid Transit) estejam previstas, segundo o cronograma oficial seguido pelas sub-sedes da Copa do Mundo para o primeiro semestre de 2014, o diretor da UGP Copa (Unidade Gestora da Copa) em Manaus, Miguel Capobiango, informou a possibilidade de entrega apenas parcial das duas obras até a data do evento, mas defendeu que o status não vai interferir no tráfego durante o evento.
“As obras do BRT e do monotrilho seguem em andamento. A questão é que elas se desvincularam da realização do mundial. Se apenas uma parte estiver pronta vamos usar. Mas, acreditamos que para o evento, a organização atual do tráfego e o sistema de transporte é perfeitamente eficaz para atender o público”, justificou.
Segundo ele, o mais importante é que os empreendimentos atendam a sociedade no pós-Copa.
O deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) criticou a administração da UGP, em discurso realizado na última semana.
“Se existe uma linha de financiamento chamada ‘Copa pró-transporte’, como a UGP trata com naturalidade a ideia de que as obras não têm o intuito de atender à Copa?”, questionou.
Miguel Capobiango rebateu que, desde o ano passado, o prazo de entrega dos dois projetos não têm vínculo com a realização do mundial.
Já para o parlamentar, o órgão deve explicações mais detalhadas à sociedade. “A situação da mobilidade urbana está mal esclarecida. O que nos frustra é que o mundial foi visto como oportunidade para captar recursos para resolver essa questão, e não consigo perceber o aproveitamento desse recurso. Vamos acabar perdendo a chance de melhorar nossa infraestrutura”, lamentou Ramos.
Sem mobilidade
Apesar de ser aplicado com sucesso em várias capitais, o presidente do CAU/AM (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas) e professor de planejamento urbano, Jaime Kuck, aponta que o sistema BRT é uma solução interessante, mas não é suficiente para resolver o problema de mobilidade urbana da cidade.
“Qualquer projeto de solução na área de transporte urbana é mais fácil de ser idealizada quando a cidade possui uma grande densidade populacional. Não é o nosso caso. Manaus tem uma grande superfície e baixíssima densidade populacional”, explanou.
Para resolver esse gargalo, de acordo com ele, é indispensável que a implantação do BRT seja acompanhada de uma política de planejamento urbano, inexistente até o momento. “Mas dentre as opções, essa é a mais viável para Manaus”, opinou.
Quanto ao prazo de entrega antes da Copa, Jaime Kuck disse acreditar que existe uma dependência das desapropriações necessárias serem aprovadas. “Obras que signifiquem um grande interesse social têm prioridade nas desapropriações. Se houver um bom entendimento do poder público nesse quesito é possível que o BRT esteja pronto no prazo”, avaliou.
O conselheiro não considera o monotrilho como solução de mobilidade urbana viável para a cidade de Manaus.







