Apagão de mão de obra afeta o PIM

Em: 26 de março de 2012
A falta de pessoal qualificado ainda é uma das principais queixas do empresariado do PIM (Polo Industrial de Manaus), a começar pelo nível técnico, engenharia e tecnologia da informação
A falta de pessoal qualificado ainda é uma das principais queixas do empresariado do PIM (Polo Industrial de Manaus), a começar pelo nível técnico, engenharia e tecnologia da informação

A falta de pessoal qualificado ainda é uma das principais queixas do empresariado do PIM (Polo Industrial de Manaus), a começar pelo nível técnico, engenharia e tecnologia da informação. As deficiências na educação básica e o ensino médio foram apontados pelos empresários como o principal problema para a qualificação da mão de obra. Na avaliação de dirigentes do setor fabril a alternativa é investir maciçamente em educação.
De acordo com o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, alguns empresários têm denominado de “apagão de mão de obra” as dificuldades encontradas para preencher alguns cargos. Polos tradicionais como o eletroeletrônico, duas rodas e plástico ainda padecem da falta de pessoal qualificado, principalmente para cargos que requeiram conhecimento técnico.
O assessor econômico da presidência da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, disse que no segmento eletroeletrônico, as áreas mais afetadas são de micro e nanotecnologia, o que requer um maior número de pessoal qualificado para atuar nessas áreas. “É preciso investir na qualificação dessas áreas”, defende.
O ministro interino do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Alessandro Teixeira, por ocasião de sua vinda a Manaus participar da reunião do CAS (Conselho de Administração da Suframa), disse que em média 35% dos componentes das mercadorias da ZFM (Zona Franca de Manaus) vêm do exterior.
A resposta do ministro do Mdic está relacionada ao fato de que as principais empresas instaladas no PIM dos setores eletroeletrônico e duas rodas são de capital estrangeiro, cujas tecnologias são desenvolvidas nas sedes das mesmas, a exemplo da Honda, situada no Japão.
Recentemente, ao proferir aula magna para aproximadamente 800 acadêmicos dos cursos de Administração, Contabilidade, Educação Física, Sistemas de Informação e Relações Internacionais, da Faculdade La Salle, o superintendente da Zona Franca de Manaus, Thomaz Nogueira, disse aos acadêmicos que em Manaus existe um campo enorme de oportunidades, mas que o aproveitamento dessas oportunidades vai depender de cada um, do empenho pessoal e do cuidado com a formação, que não se restringe à sala de aula, com o professor.

Parcerias

A saída para resolver a qualificação de mão de obra para atuar no Polo Industrial de Manaus, com mais de 100 mil postos de trabalho diretos, conforme indicadores industriais do PIM, divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), é investir em educação, a partir de parcerias entre universidades, órgãos de pesquisa, sindicatos patronais e dos trabalhadores.
O presidente do Cieam, Wilson Périco, defende um esforço conjunto entre às entidades de classe e as de ensino. “Temos que melhorar muito o ensino médio e o fundamental para que esses alunos possam cursar uma faculdade e um curso de especialização para ingressarem no mercado de trabalho realmente capacitados e qualificados nas respectivas funções, disse.
Wilson Périco mencionou ainda que é preciso reforçar o ensino técnico e adequá-lo às demandas atuais do mercado, com grades curriculares que atendam a necessidade do setor fabril do PIM e do mercado de trabalho como um todo, o que resultará na ampliação da mão de obra empregada.
Por sua vez, Gilmar Freitas afirma que em Manaus faltam cursos de especialização, quando existem os cursos faltam pessoas interessadas que tenham concluída a educação básica. “Só se resolve esse problema com investimentos maciços em educação”, frisou.
Dados do MEC (Ministério da Educação e Cultura) apontam que na capital amazonense existem 13 cursos profissionalizantes (integrados ao nível médio) oferecidos pelo Ifam (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas) para 588 alunos. Além disso, existem em torno de 147 cursos universitários com 13 mil alunos matriculados.

Pesquisa

No fim do ano passado pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontou que a falta de pessoal qualificado é a quarta principal queixa do empresariado brasileiro. As deficiências na educação básica foram apontadas pelos empresários como problema para a qualificação da mão de obra.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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